Juvenal e Soberano

Ilustração: Fábio Campos

Ilustração: Fábio Campos

Juvenal era assim, um homem montado a cavalo. Porque tem pessoas, que nos vem. E lembramos pelo que faziam no mais da vida. Deles que nem sabemos se entre os viventes ainda habita. Outras coisas mais acabam vindo, de como se trajava, os ambientes que gostava de frequentar. Chegam-nos por fim, o caráter, a personalidade, os trejeitos. Se a muito não vemos, remetemo-nos irremediável, a uma imagem concebida. Nosso personagem era assim por se dizer, uma pessoa difícil. Nesse lastro de mundo, que Deus fez pra ajuntar miséria, chamado de sertão, quando se falava duma pessoa feito Juvenal, não raro, as pessoas se benziam. E com os nós dos dedos batiam na madeira, volvendo ao santo de devoção, um pedido, para que longe de si mantivesse o que tinha vindo em pensamento.

Quando isso, porém não era possível, então diriam: “Quanto mais eu rezo mais assombração me aparece.” E lá estava Juvenal montado no seu cavalo. Certeza tinham os que viam, não se tratava de nenhuma visão do outro mundo. Cavalo e cavaleiro, tudo muito real. Aliás, real demais. O bodum exalado, a capa de poeira volvida sobre si, o toque-toque dos cascos do equino, arrancando lascas do terreno de cascalho. Por mais que nunca tenham consciência disso, o que estar montado exerce empatia de imponência, de respeito, sobre os que não montam. Sendo que animais e seus donos possuem certa simbiose. Como se um ao outro entendessem o pensamento. Rastros de identidade no caráter e mesmo de semelhanças físicas se percebia. Nas crinas longa e negra, nas canelas finas, ao tempo, rijos músculos, bronzeados de sol. Suor e urina acidificando o couro, os pelos, os apetrechos de um, as vestimentas do outro. Num trote preguiçoso porque não havia necessidade de marcha mais desarnada, não naquele momento. Se lhes perguntasse não saberia dizer, de certeza, porque seguia. Acompanhava o cortejo da via sacra, em plena sexta-feira santa. A encenação da paixão de Cristo. Numa frieza quase desumana, como um ser doutro planeta. Como se os passos sofrido de Jesus, ainda que numa encenação, causasse a menor estranheza. Um dos centuriões de Pilatos que ia de largo, evitando que o cavalo pisasse alguém da multidão sequer lembrava. Aqueles ao menos demonstravam ira, escarneciam. Não era apenas a certeza de que tudo era de mentira, que um nada de sentimento esboçava. Interessava-lhe entender porque as pessoas faziam caras de pena, diante daquelas cenas sabidamente simuladas. Se não sofria de verdade, não entendia. Uma coisa ninguém sabia, Juvenal tinha visões.

Dom Quixote de La Mancha. Era isso! Talvez estivéssemos ali, em pleno sertão nordestino, diante do herói, anti-herói de Cervantes. Dom Quixote e seu cavalo Rocinante, vivendo suas peripécias em plena selva branca. Seu fiel escudeiro Sancho Pança, não sendo de carne e osso, um fantasma, com quem conversava a todo tempo. O homúnculo do burrico, na verdade seu subconsciente, a que suas atitudes, ora aconselhava, ora recriminava. Não saber ler Juvenal, compensava com uma memória prodigiosa. Se ia pra feira da Vila, ficava horas a ouvir os vendedores de livretos de cordel, e as incríveis narrativas das aventuras, de Davi e Golias, Sansão e Dalila. Do príncipe Romuldo, a loba Rosadina, e a princesa Teodora. Ouvia e memorizava verso por verso, uma vez retornado pra sua casinha nuns cafundós onde Judas esquecera as botas. Ao cair da noite, hora de namorar a lua, de tomar banho de estrelas, coroava tais momentos repetindo com precisão fidedigna para os seus, as histórias ouvida dos mercadores de palavras cantadas. Aragão e Catalunha, pra nós, eram os povoados de Piau e Caboclo. As incursões do nosso personagem tinham por cenário o vaso da Catarina, as margens do “velho Chico” na parte cheia de “Canyos”. Juvenal dedicava particular atenção aos modos das pessoas, interessava-lhe o comportamento humano. Fascinava entender particularmente, a raiva, o rancor, o ódio. Que dor doía mais, a dor física ou a do coração? Curiava saber por que ele nunca sentira tais coisas? Não porque não quisesse, queria até mesmo um dia sentir. Já se envolvera em brigas. Acabaria tornando-se assassino por conta de uma. Num dia de feira que tirou pra beber, dentro do cabaré de Zuleide e Gracinha. Se encontrou com Mauro que tinha o apelido de Lobinho, e um fez companhia ao outro. Exaltados os ânimos começaram a se estranhar. De verdade estavam com o cão no couro, perdeu as estribeiras Lobinho e atacou com uma faca o companheiro de mesa de bar. Defendendo-se Juvenal, com a mesma faca matou o cabra. Mas esse nem fora o primeiro, nem seu último crime.

Napoleão e seu cavalo Le Visir! De fato era com quem Juvenal e Soberano pareciam. Além de gostar de cavalos, outras semelhanças mais, vamos encontrar entre o imperador Francês e nosso camponês. Na estatura, na cor da pele, no cabelo revolto. De certo que o de cá, não nascera em família nobre, no entanto como aquele, fora o segundo dentre os oito filhos que seus pais, José Maria e dona Otília da Conceição teria posto no mundo. Com muito sacrifício criaram: José, Juvenal, Luciene, Elisa, Luiz, Pauliano, Carolina e Jerônimo. O caráter rebelde e indisciplinado rendeu-lhes castigos severos, Por desobediência a ordens paternas, amargaria noites e dias trancado num quarto sem comer. Assim como o monarca, nascera no dia 21 de julho, duzentos anos apenas separava os nascedouros 1971. Mania tinha de andar com a mão sobre o abdômen, sem com isso tivesse, como aquele, problemas de úlcera estomacal, mas unicamente para manter contato com seu segundo maior amigo, o revólver calibre 38, carregado de balas. Com a máquina de fazer buraco em gente, mandou uns tantos de almas sebosas pra “Terra dos Pés juntos”. Encabeçou esse rosário macabro um preto velho, metido a curador. Foi assim, um dia dona Otília foi tirar barro de louça pra fazer umas panelas e acabou mordida por uma cobra venenosa. O tornozelo inchou na mesma hora, ficou preto da cor de carvão. Uma vez em casa, colocou encima do ferimento seiva das folhas de barbatimão e a gosma da Babosa. Tonta e muito fraca, prostrada ficou numa cama. Deram-lhe de beber um chá de jalapa, que de nada adiantou. Se queimando em febre, trouxeram um rezador que atendia na feira do povoado Caboclo. O preto velho aprontou um remédio que incluía óleo de baleia, pó da canela seca de Siriema, espinhas do peixe Cará, pena de papagaio novo que nunca falou. Tudo isso tinha o benzedor. Já fedida estava a ferida, deu gangrena. Então colocou raspa do entre casca do mulungu e enrolou com um pedaço de pano branco contendo maniva da mandioca brava. Depois de três dias delirando dona Otília morreu. Juvenal simplesmente esperou o sábado. Assim que o negro chegou pra começar o dia, nem bem armou a barraca, recebeu inteirinha a descarga do revólver. Seis tiros na caixa dos peitos. Juvenal tranquilamente saiu caminhando, montou Soberano e se foi. O que sentia era satisfação do dever cumprido. Certo de ter praticado justiça.

Alexandre “O Grande”, mais que a uma mulher formosa, amava Bucéfalo seu cavalo. Igual sentimento devotava Juvenal por Soberano. Eram reflexos um do outro, simplesmente extensão e reflexos. Dizem que Alexandre tanta paixão sentiu ao ver o cavalo pela primeira vez, ainda selvagem cavalgando nos prados no meio de um tropel, que passou três dias seguindo-o e apenas observando-o. Uma vez capturado preferiu ele mesmo domar. Sofreu ao tentar montá-lo descobriria tempos depois que se assustava com a própria sombra. Entre Juvenal e Soberano ocorreu exatamente o contrário, o cavalo que era de outro dono ao vê-lo cismou de segui-lo. Juvenal era desses matutos arredios que se espantava com qualquer coisa. Achou que aquele cavalo estava possuído e que tivesse parte com o tinhoso.

Um dia estava tudo muito tranquilo, uma paz que aqueles que já cometeram coisas graves ficam assim muito ressabiados, preparado pro pior. E sempre acaba acontecendo. Mataram Seu Adonias pai de Juvenal. Pensou logo nos seus desafetos. Mas havia sido por questões de demarcação de terras, Juvenal ficou muito triste. Durante o sepultamento jurou vingança. Antes de descer o caixão à sepultura colocou uma moeda na boca do finado Malaquias. O próprio demônio lhe contara, numa das vezes que se viram, que antes das portas do inferno e do purgatório existia o rio do Limbo. As margens haviam dois barqueiros, irmãos gêmeos, Caronte e Corante esperando os espíritos desencarnados pra fazer a travessia. Juvenal recomendou: “-Vai meu pai na frente. Não tarda irei eu também.” Uma rabeca gemeu em duas notas que lamentava a morte e convidava ao choro. E concluiu: “-Peço que quando eu morrer matem meu cavalo. Pras terras dos mortos, pra onde irei, quero ir montado em Soberano.”

Fabio Campos 16 de Abril de 2015

O BEIJO DOS MACHOS

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2014 

Crônica Nº 1.418 

Foto: divulgação (p.dereamastime.com)

Foto: divulgação (p.dereamastime.com)

Tal a importância do evento abaixo, cabe-me reproduzir o artigo do jornalista Aprígio Villanova, transmitido pelo blog do Roberto Villanova, de 26/04/2015.

“O final de semana ficou marcado, no campo político, pela visita oficial de estado da presidente, da Coréia do Sul, Park Geun-Hye. A presidente Park veio acompanhada de uma comitiva composta de empresários sul-coreanos.

A presidente Dilma falou da importância da Coréia do Sul como parceiro comercial do Brasil, e o objetivo da visita é fortalecer ainda mais o comércio bilateral, mas também desenvolver projetos na área de tecnologia da comunicação e da informação.

O acordo assinado nas áreas de tecnologia da comunicação e da informação tem como ponto de partida unir empresas, universidades e centros de pesquisas para o desenvolvimento de produtos de alto conteúdo tecnológico para atender o mercado nacional e internacional.

Em 2014, a Coréia do Sul foi o sétimo mais importante parceiro comercial do Brasil. O comércio entre os países foi de 12 bilhões de dólares. O Brasil é o país que concentra os investimentos coreanos na América Latina.

A presidente anunciou acordos de facilitação comercial e de promoção de negócios entre pequenas, micros e médias empresas, mas também explicou projetos que já estão em andamento.

A parceria Brasil-Coréia do Sul resultou na implantação da fábrica de semicondutores coreano-brasileira HT Micron, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. A fábrica produz componentes que são a base da indústria da informática. A estimativa de consumo do mercado interno brasileiro para importação de semicondutores era de U$$ 17 bilhões, em 2012.

Está em construção a Siderúrgica do Pecém, no Ceará, com previsão de inauguração para o inicio de 2016. A construção da siderúrgica é parceria da Vale com as empresas coreanas Donguk e Posco, estimasse a geração de 19 mil empregos diretos e indiretos”.

As duas maiores forças jornalísticas do pais, não transmitiram esse evento de tanta importância para os brasileiros. A preocupação é só apontar o que não presta para desestabilizar o governo. Estão precisando de um Maduro, um Fidel ou uma Kirchner nas atracas. Agora, a safadeza de Pedro Biau e Galvão Bueno é coisa avançada, moderna e chic, amplamente divulgada. Para onde essas emissoras querem levar o Brasil? Ah, os lares brasileiros estão bem incentivados pelo peste do BBB.

O mundo está perdido compadre, que só o beijo dos machos.

RÁDIO MILÊNIO E ESCRITORES COBREM A HISTÓRIA

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de abril de 2015

Crônica Nº 1.417

Clerisvaldo, Evânia e Marcello (Foto: Milênio)

Clerisvaldo, Evânia e Marcello (Foto: Milênio)

Sexta-feira passada (24) Santana do Ipanema, cidade encravada no Médio Sertão alagoano, aniversariou. Sua emancipação política, entretanto, não se realiza como passagem à cidade, mas sim como elevação à vila.

Durante uma hora e meia foi entrevistado o escritor Clerisvaldo B. Chagas, autor do livro “O boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema”, maior documentário jamais produzido neste município. Sabatinado pela grande apresentadora Evânia, premiada no rádio alagoano, o escritor “Símbolo de Santana” contou as várias facetas que embasaram o futuro município de Santana do Ipanema. Tendo ao lado o apoio do escritor Marcello Fausto que se inicia no mundo literário como parceiro, Clerisvaldo assim confirmava a formação de uma empresa de palestras, a Focus Binarius (Palestras) que traduzindo do Latim significa “Fogo Duplo”.

Anunciada pela apresentadora Evânia, a “Focus Binarius”, cujos palestrantes serão Clerisvaldo e Marcello, apresentarão inicialmente, 12 temas (10 de Clerisvaldo, 02 de Marcello) a partir do dia 1º de junho, para qualquer parte do Brasil. (veja abaixo os temas propostos, mediante contratos e antecedência de 15 dias).

Voltando a história de Santana, este município passou por todos os estágios políticos, fixando as suas raízes desde 1787 época da sua fundação. Assim foi fazenda, aldeia, povoado, povoado freguesia, vila e cidade.

A entrevista aos escritores na Rádio Milênio foi um motivo de esclarecimento à juventude sobre a importância de estudar e preservar a nossa história, tradição e cultura. Povo sem história é povo inexistente. Vejamos os temas propostos pela Focus Binarius. Clerisvaldo:

1. Jesus; um filósofo divino;

2. Padre Cícero Romão; uma coluna mariana;

3. Frei Damião; explosão de fé;

4. Lampião em Alagoas (assunto dividido em quatro temas a escolher):

a). Virgolino cangaceiro manso; um estágio alagoano (1918-1922);

b). Virgolino/Lampião em Alagoas; um furor demoníaco (1922-1933);

c).Lampião nas Alagoas; um mestre sanguinário à solta (1934-1938);

d) Alagoas/Sergipe; a última semana de Lampião (1938).

5. Maria Bonita; a deusa das caatinga;

6. Município de Santana do Ipanema; a gênese (outros a pedido).

7. Rio Ipanema; doação e dor.

8. Romance; o primo nobre da Literatura.

9. O mundo encantado do cantador-violeiro repentista nordestino;

10. Geografia Física; a redoma do sucesso no Curso Médio.

Marcello:

11. História e memória; como produzir história local;

12. Cangaço lampiônico; um tremor nordestino.

Vida e obras do Pe.José Neto de França, uma bela história.

10408863_464582450311047_1741564451320301271_nPadre José Neto de França, filho de Santana do Ipanema, sempre teve o sonho de ser um sacerdote, começou como coroinha da Paróquia de São Cristóvão, no início da década de 70. Não parando por ae. Veja na Biografia do Padre José Neto de França, uma linda história que você vai se apaixonar.

  SÍNTESE BIOGRÁFICA DO PE. JOSÉ NETO DE FRANÇA

 13º filho de Alonso Rodrigues França e Maria Lila França, o Pe. José Neto de França nasceu no início da tarde do domingo, 25 de maio do ano de 1958, na cidade de Carneiros, na época município de Santana do Ipanema, Alagoas. Ainda criança mudou-se para Santana do Ipanema, indo residir no bairro de Floresta e poucos anos depois na Rua Delmiro Gouveia no bairro da camoxinga, até dezembro de 1974, quando foi para São Paulo, capital, residindo naquele estado até o início do segundo semestre de 1986.

 Fez seus primeiros estudos em Santana do Ipanema – AL, no Grupo Escolar Pe. Francisco Correia e Ginásio Santana, atual Colégio Cenesista. Amante da leitura, aos 14 nos já tinha lido praticamente todos os livros infanto-juvenis da Biblioteca Municipal, além de outros autores mais complexos (Dante – A Divina Comédia; Camões – Os Lusíadas…), e também uma grande variedade de livros de bolso, gibis…

Muito cedo ingressou no mundo do trabalho, carroçando na feira, vendendo picolés, ajudando em um bar, balconista… Sem, no entanto, deixar que isso influísse em seus estudos.

 Era apaixonado pelos estudos. Sabia que seu futuro dependia dele.

 O Rio Ipanema, aonde aprendeu a nadar e os bairros da Floresta e Camoxinga foram os “grandes palcos” dos seus “atos” da infância e adolescência.

Foi coroinha da Paróquia de São Cristóvão no início da década de 70. Nessa época muitas vezes foi acometido da ideia de ser padre. Cada vez que isso acontecia, imediatamente a refutava tendo em vista sua timidez e o fato de achar que seria incapaz de sê-lo.

Concluído o ensino fundamental em dezembro de 1974 mudou-se para a capital Paulista. Lá cursou o Ensino Médio iniciou dois Cursos superiores e trabalhou como balconista – aproximadamente um ano e oito meses – e, depois, bancário – nove anos e quatro meses. Nesse período, por várias vezes reascendeu a ideia do sacerdócio ministerial. Cada vez que isso acontecia, ele procurava descartá-la. Muitas vezes orou pedindo a Deus que mostrasse qualquer outro caminho para ele, menos o sacerdócio ministerial. Doze anos se passaram.

Em abril de 1986, a ideia do sacerdócio estava cada vez mais intensa. Apesar de está ganhando um ótimo salário e fazendo o curso superior, tudo estava perdendo o sentido. Foi quando tomou a decisão que mudaria radicalmente sua vida: pediu demissão no banco que trabalhava, abandonou a faculdade e retornou à sua terra natal.

Já em Santana do Ipanema, lecionou no Colégio Cenecista no ano de 1987 e em fevereiro de 1988, aos 30 anos, ingressou no Seminário Arquidiocesano de Maceió, pela Diocese de Palmeira dos Índios, para iniciar seus estudos filosóficos e teológicos.

Durante esse período, fez parte da equipe de formação do Seminário Menor da Arquidiocese de Maceió, onde também lecionou a disciplina de Introdução à Filosofia. Aos 27 de janeiro de 1995, foi ordenado Sacerdote secular para servir a Igreja na sua Diocese de origem (Palmeira dos Índios – AL). No período de 27/06 a 30/07 de 1999, participou do Curso para Formadores de Seminários Diocesanos, promovido pelos Legionários de Cristo em Leggiuno – Itália. Foi pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Cacimbinhas – AL e Minador do Negrão – AL de 28/04/1996 a 20/02/2004. Foi Vice-Reitor do Seminário Diocesano São Cura d’Árs de Palmeira dos Índios de 01/1997 a 01/2008, onde lecionou algumas disciplinas filosóficas. Aos 21 de fevereiro de 2004, assumiu, como Administrador Paroquial, a Paróquia de São Cristóvão de Santana do Ipanema, Alagoas, da qual foi nomeado pároco aos 08 de outubro de 2005 permanecendo até 29/02/2011. Nessa mesma data, foi nomeado pároco da Paróquia de Santo Antônio de Pádua de Major Izidoro/AL, permanecendo até hoje. É responsável pelo jornal “Igreja em Ação” de sua Diocese desde sua fundação, em agosto de 2006, onde frequentemente publica artigos diversos. É colunista do site maltanet.com.br. É membro da AAI – Associação Alagoana de Imprensa, sob nº 659.

Obras Publicadas: Por Editora Q Gráfica publicou: Não ser… Ser: um grande desafio; por Art’s Gráfica e Editora publicou: Paróquia de São Cristóvão: Panorama Histórico-Pastoral; por SWA Instituto/Grafpel Indústria Gráfica Ltda publicou: Fragmentos de mim. É sócio fundador da Academia Santanense de Letras, Ciências e Artes, ocupante da cadeira 13, cujo patrono é o Dr. Francisco José Correia de Albuquerque (Pe. Francisco Correia).

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FUNDAÇÃO DE SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2015

Crônica N 1.416

Santana do Ipanema (Foto: Domínio público. Estilizado)

Santana do Ipanema (Foto: Domínio público. Estilizado)

Com a chegada do fazendeiro, Martinho Rodrigues Gaia e seus irmãos, em 1771, a localização privilegiada da casa-grande de Martinho Rodrigues Gaia, fez brotar um arraial de caboclos (mestiços de brancos e índios Fulni-ô) entre 1771 e 1787.

“Quando o padre Francisco José Correia de Albuquerque chegou pela primeira vez à ribeira do Panema, em 1787, já encontrou o arraial de mamelucos. Ficou o santo padre hospedado na casa do seu grande amigo Martinho Rodrigues Gaia. O padre Francisco já trabalhara em outros lugares e viera designado para exercer as suas funções sacerdotais na região, porém, tendo como central dos seus movimentos religiosos, o arraial da margem do Ipanema. Na bagagem trouxera uma imagem de São Joaquim e outra de santa Ana, diretamente da Bahia, a pedido da esposa do fazendeiro Martinho Rodrigues Gaia. Ana Teresa, primeiríssima devota de Santa Ana nas terras da ribeira.

Ainda a pedido daquela fervorosa cristã, o padre fez erguer uma capela onde antes era o curral de gado, cem metros a noroeste da casa-grande de Martinho Rodrigues Gaia. Além do terreno cedido para a capela, este fazendeiro ainda muito contribuiu para a sua construção. Por trás da capela o sacerdote construiu também um abrigo para beatas. Ele mesmo dourou o altar e esculpiu em madeira a imagem do Cristo Crucificado.

Terminado todo o serviço, o padre colocou, então, no altar as imagens de São Joaquim, Senhora Santa Ana e o Cristo por ele confeccionado. A capela foi inaugurada em 1787, mesmo ano em que o sacerdote chegara ao arraial de mamelucos.

ESTAVA, POIS, FUNDADA OFICIALMENTE A FUTURA CIDADE DE SANTANA DO IPANEMA, COM A CONSTRUÇÃO DA CAPELA EM 1787, PELO PADRE FRANCISCO CORREIA DE ALBUQUERQUE E SEU AMIGO FAZENDEIRO MARTINHO RODRIGUES GAIA”.

(Extraído do livro “O boi, a bota e batina; história completa de Santana do Ipanema”, reproduzido no livro “Santana do Ipanema; conhecimentos gerais do município).

ESCRITORES E REPENTISTAS EM FESTÃO LITERÁRIO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2015

Crônica Nº 1.415

Foto: Clerisvaldo

Foto: Clerisvaldo

Ontem o Bairro Camoxinga, Santana do Ipanema – AL, viveu um esplendor cultural através da Escola Básica São Cristóvão, à Rua Deputado Siloé Tavares. Grande animação e agito no alunado com o coroamento de um trabalho literário em que foram focados os escritores da terra, poesias, biografias, entrevistas, autógrafos e repentes nordestinos.

Foto: Clerisvaldo

Foto: Clerisvaldo

Sob a direção de Maria Silvania Lúcio Gomes Nobre e seu corpo docente, como a Mônica Bezerra Costa de Sá (coordenadora) e Carla dos Santos Pereira, a Escola recebeu os convidados: escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto, com muito entusiasmo. Uma verdadeira enxurrada de jovens não deixaram os escritores respirar. Autógrafos, muitos autógrafos e fotos marcaram a entrevista feita pelos pequenos com perguntas aguçadas e inteligentes.

Foto: Clerisvaldo

Foto: Clerisvaldo

O interior da escola todo decorado com motivos da cultura local, estimulava escritores, alunos, docentes e pais que foram apoiar e participar do evento.

Os repentistas José de Almeida e Zenilde Batista, ambos bastante conhecidos no Nordeste, deram cobertura a outra vertente da cultura popular com seus improvisos desafiadores e impressionantes.

Foto: Clerisvaldo

Foto: Clerisvaldo

Não poderíamos omitir os nomes de outras professoras que contribuíram com muito zelo pela qualidade, alegria e êxito da Escola Básica São Cristóvão: Lindoilma Gabriel da Silva, Maria Meiline da Silva Cabral, Daiana Santos Lima, Danielle Santos Pereira, Dayane Ribeiro Domingos, Daniela Araújo Gonçalves, Maria Medeiros de Araújo Silva e Samária Nunes Fontes de Noronha.

Para completar o quadro das abnegadas mestras, registramos ainda Pauliana da Silva Tenório, Bruna Silva e os mestres Lucas Ferreira Damasceno e William Gonçalves.

Tivemos ainda o prazer da afirmação de algumas delas em dizer que foram nossas alunas. Que felicidade, contemplar nossas sementes dando saborosos frutos!

Foto: Clerisvaldo

Foto: Clerisvaldo

Saímos empolgados com o carinho e o reconhecimento da juventude pelo nosso trabalho. Um valoroso exemplo que as crianças e adolescentes dão aos adultos. Voltaremos ainda à Escola São Cristóvão, de surpresa, para agradecer com mais calma tanta ternura pelos seus escritores. Abraços, abraços, abraços… Homenagem quando vivos.

A MÍDIA ENFORCA TIRADENTES

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2015

Crônica Nº 1.414

Foto: Divulgação / Câmara Guaxupé

Foto: Divulgação / Câmara Guaxupé

A crítica ao Ensino brasileiro vem de dentro e de fora do país. Entretanto, se o Ensino não vai bem não é somente o professor o culpado pelos que tiram nota zero em tudo. Enquanto um mestre da língua portuguesa, por exemplo, se mata para mostrar os caminhos, numa programação longa, complexa e exaustiva, a grande mídia acaba com tudo em poucos minutos. É um falar errado nas novelas que dói até no coração para o profissional da sala de aula. Os próprios apresentadores habituam-se ao errado, não usando os verbos corretamente, matando o Português a pau.

Já não se divulgam os motivos dos feriados, mas sim as oportunidades de descanso, passeios e esportes. Para não sairmos catando dias santos e feriados, vamos exemplificar apenas o dia de Tiradentes. O herói nacional exaltado nas escolas é ignorado pela mídia como se de fato fosse apenas uma lenda horrorosa que deve ser banida de notícias e comentários. A rede Globo, uma das que comandam o noticiário nem cita o nome Tiradentes, mas tendenciosa como sempre, vai exaltar o avô de um sujeito que tenta desesperadamente desestabilizar o governo. Uma ação indireta de aproveitamento nas entrelinhas.

A mídia pequena segue a grande como se o não participar de cartilha apresentada estivesse fora de moda. Assim o dia do herói brasileiro, o dia do dono da festa, é ignorado como se ignora Jesus no Natal e, o “tampa” passa a ser o Papai Noel. Feriado é dia de praia no Brasil, dia de riscar da História o mérito da efeméride. Coitado do professor; fala tanto em Tiradentes para o seu filho, inclusive com aquele trabalho caseiro valendo nota. Mas no dia do mártir nacional o seu filho não ver uma notinha sobre o assunto nos seus programas de televisão. É de se perguntar qual o interesse de acabar com os nossos vultos históricos?

É a mídia “dando garra” da corda de caroá e enforcando de novo o Tiradentes.

“É mais uma santanense formada em medicina.” Dessa vez é a médica LEILA AMANDA

11156833_810811152341713_174953241_nMais uma santanense formada em medicina. Dessa vez é a médica LEILA AMANDA. Que acaba de se formar médica pela Universidade Presidente Prudente em São Paulo/SP.

#PerguntaQueEuRespondo‬: Palavras da Leila Amanda: Após 6 anos de entrega, estou realizando um grande sonho…formar em Medicina! Coração em festa, repleto de felicidade! Foram 6 anos de renúncias, distante dos familiares, amigos e amor, mas estes foram essenciais para que eu chegasse ao fim com êxito. Fui agraciada com o nascimento da minha filha no auge do sexto ano, minha fonte de luz, inspiração e alegria diária. Tudo posso Naquele quer me fortalece! Sou sertaneja alagoana, guerreira, com muito orgulho!

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SOL E LUA DE BETÂNIA

Ilustração: Fábio Campos

Ilustração: Fábio Campos

Lá estava o aglomerado de casas, quase rústicas. Vistas de longe assim, falava duma nesga de cores pálidas. Os tons de branco destacavam-se formidavelmente. Nas fachadas de tijolos rebocados e caiados. Donde alguns quantos se destacavam. A torre da igrejinha. O balaústre do mirante do açude. O muro do cemitério. Ecomo querendo também compor excepcional quadrante, flutuantes nuvens destacavam-se lá no céu azul de anil de Betânia.

O tudo que se via, o olho do condor era que via. E os que lá embaixoviviam,ainda estes, e àqueles pormenores não viam. Talvez soubessem, ou tivessem ideia ao menos,que existiam. Duas mil e poucas almas habitavam corpos, que habitavam casas, que compunham paisagens. Sem se darem conta que o eram mesmo sendo. Obcecados na tarefa de gastarem vidas viviam. Laboriosos na mais relevante das ocupações, a de viver viviam. O carreiro carreava o carro. O menino brincava de ser ele mesmo. O mercador mercantilizando palavras. O cachorro deu com o rabo no ar, vã tentativa de espantar o tédio, de ser cachorro. Todos protagonistas de si mesmos. Mas se encenavam suas próprias histórias, aquele eratempo de viver outra encenação. A da Paixão. Teve início num pedregulho que tinha ao lado do campo de futebol. Abandonado naquele momento porque era sábado de aleluia. E como era semana santa ninguém queria jogar bola pra não ser taxado de Judas. O lajedo excelente lugar para a cena do sermão da montanha. O que recebeu o nome de Jesus seguiu andando, acompanhado dos doze. Na casa de Seu Zacarias o burrico atado, que foi requisitado por dois discípulos para que se cumprisse a palavra. “Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte Jerusalém! Eis que o rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. Zacarias -9.”

Uma pequena multidão seguia. O público quis também participava de cada cena. Na hora de acenar com os ramos de palmeira acenaram. Acompanhavam e gritavam junto com os atores: “-Salve o filho de Davi! Hosana! Hosana!” A Betânia verdadeira ficava a milhares de quilômetros dali, do outro lado do Atlântico. Tão distante do sertão e da caatinga. Betânia ficava só a três quilômetros da cidade velha de Jerusalém e do Monte das Oliveiras. Bethania em grego, Bét-nyyah em hebraico, “casa de Ananias”, “casa dos figos verdes”. A cena da última ceia do Senhor ocorreu no patamar defronte a igreja. O Jesus adolescente de barba rala, cabelos revoltos, e pele morenada pelo sol do sertão, partiu o pão e distribuiu entre os doze. Elevou o cálice a cima da cabeça e compartilhou. Seu Luizão sapateiro quis fazer o papel de Judas. Uma cena das mais difíceis, o pobre discípulo condenado a ser o traidor, em desespero perfeito na arte do fingimento. Com força atirou contra os paralelepípedos,o saquinho com as moedas que barganhou com Caifás pela traição do mestre. Quem terá sido os que pegaram as moedas? Haveria quem dissesse que cada um dos que pegou sofreu um mau presságio. As moedas que custou o sangue precioso de Cristo encerrariam maus desígnios para quem delas se apossaram. Um pastor de ovelhas depois de se apossar de uma daquelas moedas de ouro, numa tempestade repentina teria perdido parte das ovelhas do seu rebanho. Um agricultor, dizem que porque pegou uma daquelas moedas, amargou a ruina de ver sua lavoura toda perdidacom uma enchente que destruiu tudo.

“Mazurca velha mazurca/Dança grossa do meu sertão/ Quando toca uma mazurca véio macho cai no salão/ Dança duro batendo o pé balança a casa, balança o chão.” Assim dizia no rádio a canção de Luiz Gonzaga. Na vilaCandunda havia a tradição de se dançar mazurca. Por ocasião dos festejos juninos se dançava mazurca na praça. Desde a quaresma começavam os ensaios. Um grupo de meninos e meninas, outro de jovens: moças e rapazes. E outro de adultos e idosos. Todos participavam do folguedo. Trajados em vestes de poloneses os homens, de polacas as mulheres. Representavam agricultores da região de Cracóvia. A tradição chegou a vila trazida por um padre polonês. O padre chegou a vila no tempo da segunda Guerra Mundial, quando Hitler quis dizimar da face da terra, o povo Judeu.A igreja do povoado desenhada pelo padre tinha os traços arquitetônicos do Santuário da Divina Misericórdia, da capital polonesa, conhecido devido às aparições e revelações de Jesus, reconhecidas pela Igreja Católica, a Santa Faustina Kowalska. Os homens com seus chapéus verdes com uma faixa branca e preta ornada com uma pena vermelha. As mulheres tinham aventais com franjas e lenços coloridos na cabeça, toda vestimenta predominava as cores vermelho e branco da bandeira da Polônia. Era engraçado,pra quem jamais vira, os passos da dança. Uma fila de homens, outra de mulheres, realizava bela coreografia. Inicialmente soltos, cujos passos, cujo ponto forteera o bater dos pés, como um sapateado. Depois as duas filas se aproximavam e dançavam aos pares. A um toque diferenciado dos músicos e todos largavam seus pares e trocavam de parceiros. O fole, e a zabumba eram os instrumentos predominantes, o triangulo, o pandeiro e o pífano eram alternativos.

Betânia não vingou no sertão. O nome sugerido pelo padre polonês, foi aceito e bem acolhido somente pelos habitantes mais jovens. Entre os antigos moradores porém, Betânia jamais deixaria de ser Candunda. Os mais antigos, jamais se acostumaram com o novo nome sugerido pelo pároco. Canduda era espécie de peixe de pequenas dimensões, alimentavam-se basicamente de microrganismo disperso na água, que filtram à medida que sugam a água pelas minúsculas guelras, com a ajuda de branquispinhas, que são excrescências ósseas dos arcos branquiais (a estrutura que segura às brânquias ou guelras).O peixe candunda não vive em cardume e se reproduzem pouco com alternância da fase da lua entre a minguante e crescente. Faz do fundo dos açudes seu nicho, tem preferência pela profundidade onde possam estar livre dos predadores, os peixes maiores as tarrafas e as puçás dos pescadores. Ao atingirem a idade adulta não passam de 3 a 6 centímetros de envergadura. Na quaresma devido a época favorável a pesca, tornava-se presa do homem.Candunda dava uma prato típico do povoado a fritada.

Existia uma lenda sobre a chegada do peixecandunda na região. Dizia que os colonizadores desbravando os sertões chegaram à região montado em mulas e jumentos. Cansados de tanto andar debaixo do sol quente, a caravana resolveu descansar. Ao se aproximarem dum pé de uma clareira perceberam um grupo de mulheres morenas lavando roupa as margens dum lago no sopé duma montanha. Aproximaram e perguntaram se podiam pegar um pouco de água, as mulheres permitiram, desde que algo lhes fosse dado em troca. Com uma exigência especial: tinha que ser algo vivo que nunca tivessem visto. Não aceitavam as mulas pois já conheciam, nem carneiro pelo mesmo motivo. Entre os colonizadores havia um negro escravo com uma moringa de couro de carneiro, na qual disse que trazia uns peixinhos que pegara no rio Jordão. Pois diziam que quem carregasse daqueles peixinhos na moringa jamais morreriam de sede, nem nunca lhes faltaria água. Eles colocaram alguns dos peixes no lago depois se abasteceram da água de que necessitavam. O escravo disse as mulheres que era da aldeia de Candundo em Angola na África. O povo do sertão aportuguesou Candudo, pracandunda. Pondo estenome no peixe, por soar melhor. O negro se estabeleceu naquela aldeia. Constituiu família com uma daquelas mulheres. Teve um sonho em que seus antepassados teriam dito que se trocaram candudo pra candunda três outras palavras o povo devia também substituir dali por diante: Aldeia chamariam de Povoado, Lago seria Açude e Montanha sempre chamariam de Serra.

Sol e Lua eram duas meninas. Nascidas gêmeas. Filhas de Maria Lúcia e José Francisco. As meninas não eram idênticas. Uma tinha a pele morena como o pôr-do-sol. A outra tinha a pele alva como uma lua cheia à meia noite.Sol era franzina e de cabelo castanho encaracolado. Lua de mais estatura tinha cabelo preto escorrido. Sol, como o astro que lhe inspirou o nome era extrovertida, pra não dizer supervitada, que o matuto apelidara de “esprevitada”. Lua era a personificação da palavra recatada, tímida.

Um dia, as duas meninas juntamente com Júlio irmão mais velho se inventaram desubir a serra do Candunda. Naquele dia voltaram da escola mais cedo porque houvera festa pelo dia das crianças. Quando os pais descobriram o desaparecimento ficaram desesperados. Todo o povoado se mobilizou na busca. Logo a noite caiu. O céu negro-azul chuviscado de estrelas piscou-piscou pra o sertão se regozijar de encanto. Os aldeões vasculharam pelas cercanias em bandos, abriram picadas na mata com fações e tochas, e nada.De repente alguém notou um imenso clarão vindo do alto da serra. Todos se dirigiram para lá. E qual não foi o espanto de todos, encontraram as três crianças de joelhos adoravam a virgem Maria aparecida sobre uma rocha. De um lado da virgem santa era dia, do outro era noite.O padre polonês ao ver a aparição entendeu sua missão e disse aos que ali se encontravam de hoje em diante, a padroeira de nossa aldeia será Nossa Senhora da Conceição porque apareceu aquelas três crianças. E era o dia delas.

Fabio Campos 10 de Abril de 2015.