Repentistas Clerisvaldo e Zé de Almeida na Matriz de Senhora Santana. (Foto: Clerisvaldo / Arquivo)
Vamos seguindo feira adentro; olhos perscrutadores nas bancas, no quadro, no povo. Não encontramos folhetos, emboladores, violeiros, vendedores de óleos estranhos para todo tipo de doença. Tudo parece mais escasso e pobre. Vão-se as tradições e surge o novo na continuação da vida, em ciclos de novidades cada vez mais curtos.
Não aparece diante das feiras de Senador Rui Palmeira, Olho d’Água das Flores, Santana do Ipanema, Carneiros, Canapi… Um vate popular que imite, ainda de longe, o cego pedinte e repentista do sítio Travessão, Zequinha Quelé, o gênio das feiras interioranas do sertão alagoano. “Perdoe ceguinho”:
“A bacia do perdoe
Eu deixei no Travessão
Sou homem
Não sou menino
Todo ser é assassino
Só meu padre Ciço não.”
Nem mesmo se encontra mais o violeiro nos bares, tomando uma, cantando repente, devorando temas, assim como fazia o poeta Zezinho da Divisão: “Só vai arrochando tudo”:
“Se a sua mulher não presta
Se o filho é um ladrão
Se o pai é um cornão
Que vive coçando a testa
Se na vida nada resta
Nem trabalho nem estudo
Falta dinheiro graúdo
Nesse seu bolso furado
Se dane a comprar fiado
Só vai arrochando tudo.”
A escassez de atrações nas feiras, entretanto, não faz diminuir a importância desse comércio livre de grande valia para produtores rurais e consumidores, além de amenizar os custos dos produtos comestíveis ofertados por famosos atacadões.
Neste primeiro texto sobre a crise o foco será interno, ou seja, a crise no Brasil, tanto do ponto de vista econômico, quanto político. Os textos serão curtos e a única tendência que seguirão é a da crítica. Esmiuçar o assunto da forma mais simples.
No atual declínio político-econômico do Brasil, observa-se que o Governo Federal tem anunciado medidas de ajustes fiscais e corte de gastos para se equilibrar na corda bamba [ou atual slackline], porém, será que isso realmente aconterá na prática?
Bem, quando se fala em ajuste fiscal, deve-se entender que são medidas [paliativas] tomadas por um governo para tentar voltar ao azul. Na prática, algumas dessas medidas dependem da aprovação do congresso, como aumento de tributos, taxas e juros nas mais diversas áreas onde o governo atual e corte de “benefícios”, os quais se incluem os caríssimos cargos comissionados do executivo. Outra medida que não depende da aprovação do congresso, seria a diminuição das despesas discricionárias – despesas não obrigatórias do Governo.
O Governo é obrigado por lei (Constituição Federal) a investir determinada quantia na área da Saúde e Educação. Esses dois ministérios são considerados dos mais caros para o Governo. Logo, não poderiam escapar de cortes. Sempre é possível arrumar um jeitinho na lei para dar uns perdidos, certo? Sim.
Segundo o próprio Governo, o programa Bolsa Família é considerado prioridade e será mantido intacto. Esse programa, como alguns outros, é bastante criticado por muitas pessoas, principalmente os que se consideram de direita. Eu, sinceramente, já cheguei a conclusões favoráveis e contras. Então prefiro deixar esse tema para outro texto.
Por outro lado, ocorrerão cortes nos importantes setores habitacional e de infraestrutura. A verba para o programa Minha Casa Minha Vida será congelada. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também será congelado. O PAC é o maior programa de infraestrutura do país e possui obras em todo território nacional. Na prática, essas duas medidas significam que o burocrático programa Minha Casa Minha Vida vai reduzir as oportunidades de negócios e que as obras do PAC espalhadas pelo Brasil, que já estavam atrasadas, irão parar de uma vez.
Lembrando que essas medidas não implicam apenas na estagnação das obras no país, implicam também na redução de empregos diretos (mão de obra), como indiretas. Enfim, o Governo está colhendo os frutos podres dos gastos desenfreados dos últimos anos. Colhendo também, o amargo resultado dos intensos desvios, fraudes e corrupção. Lamentável.
As homenagens sucessivas do Magistério a nossa pessoa, como escritor, agrada ao ego, porém, fortalece dentro do romancista, historiador, poeta e cronista B. Chagas, um sentimento muito maior, quase infinito de agradecimento.
Trabalharam com as nossas obras, a Escola Estadual Professora Helena Braga das Chagas; a Escolinha Carrossel; o anexo da Escola Durvalina Pontes; a escola particular São Cristóvão e agora a outra, também São Cristóvão, da rede municipal.
Foto: Clerisvaldo
Foi justamente o Magistério que nos honrou com o título “Escritor Símbolo de Santana do Ipanema”, quando nossos leitores complementaram: “e do Sertão Alagoano”.
Com a mesma grandeza das recepções nos outros estabelecimentos de Ensino, fomos recebidos pela diretora Maria Rosângela de Oliveira Melo Prudente, sua equipe nota mil, o ex-companheiro de AGRIPA, Ariselmo Melo e seu animadíssimo corpo discente.
Com o tema: Brasil um País em Busca da Proficiência Leitora, teve como uma das fontes de pesquisa o nosso livro Ipanema, um rio macho.
Também o cordelista e ator Silvano Gabriel, teve seus trabalhos pesquisados e comentados pelos alunos.
Foram apresentados atos de peças teatrais como “Sebo nas canelas Lampião vem aí!”, da nossa autoria e também, outras do cordelista Gabriel.
Foto: Clerisvaldo
Cada turma ficou encarregada de apresentação de trabalhos, em maquetas sobre as mesas, com painéis temáticos na parede, ao fundo. Página musical, desenhos, textos, encenações, telão e aplausos, movimentaram a juventude que dão os primeiros passos na Educação, na Cultura Nordestina e Brasileira.
A todos os que fazem a “Escola São Cristóvão”, deixamos os nossos parabéns, com a certeza de que para se conhecer o mundo, primeiro se conhece a localidade em que se vive.
O reconhecimento dos valores geográficos, históricos, culturais e morais do seu entorno lhe embasa na felicidade do SABER.
TV GAZETA DE ALAGOAS E DONA JOANINHA. 15.09.2014 (Foto: Arquivo / Agripa)
O falecimento de Dona Joaninha, em Santana do Ipanema, na última sexta-feira, causou comoção em nosso município. Liderança inconteste do subúrbio Maniçoba/Bebedouro foi artesã, agricultora e comandante sem medo das lutas daqueles habitantes por melhor qualidade de vida.
Após tantas e tantas longas batalhas pela ala pessoal e coletiva, Dona Joaninha passou a ser conselheira da Associação Guardiões do Rio Ipanema AGRIPA, cuja presença era uma festa à parte. Empenhou-se em todas as lutas dos guardiões sem nunca se afastar um só segundo das responsabilidades com seu povo.
No dia 14 de setembro de 2014, justamente, completando um ano hoje, foi homenageada por nós, representando a AGRIPA, no encontro temático com as autoridades no auditório da prefeitura. Eis o teor da homenagem:
JOANINHA EM SESSÃO DE 29.12.2013 (Foto: Arquivos / Agripa)
“Joana Maria da Silva, conhecida por Dona Joaninha, sócia-fundadora da AGRIPA, lidera duas comunidades em suas batalhas incansáveis. Respeitadíssima em qualquer um ambiente orienta e traz luz para a Associação Guardiões do Rio Ipanema. Todos os da AGRIPA têm Dona Joaninha como pessoa sábia e guerreira e, está perto dela é aprender lições de vida e de lutas que enriquecem a alma dos nossos associados.
Nas bifurcações dos nossos caminhos, Dona Joaninha aponta a trilha a ser seguida. De vez em quando pega na orelha de quem vacila e derrama um pouco de sabedoria na moleira jovem que não aprendeu a tradição solidificada.
Pernambucana de nascimento, veio nos ensinar a arte da guerra social pela felicidade em conjunto. Para aqueles que não cumprem suas promessas ou cochilam nas ações, Dona Joaninha é um terror no microfone. Para os corretos e bem-intencionados, a guardião representa a companhia que constrói que edifica, que harmoniza.
Saiba Dona Joaninha que a AGRIPA tem orgulho de possuir em seus quadros uma pessoa que faz parte do patrimônio humano do município santanense. Um forte abraço dos seus companheiros da Associação Guardiões do Rio Ipanema”.
A AGRIPA e a sociedade santanense perdem uma guerreira incorruptível, iluminada e doce que não cabia mais na pressão dos desumanos.
Foi sepultada ontem (domingo), no cemitério São José, da periferia Barroso, a “mulher de aço”.
Cansado e velho ia o mundo. De tantas artimanhas, ainda mais cansado andava aquele ano. Ia lento, claudicante, debaixo do peso do tempo curvado. A infância carnavalesca, a fremência junina, a festeira juventude de julho, agora era passado. Augusta idade madura, descambando pra caduquice setembrina. Todo velho tem uma história de guardar coisas. De ajuntar quinquilharia porque um dia de alguma forma pode servir. A repetir sempre as mesmas coisas. E suas falas sempre se iniciam com: “No meu tempo”. De esquecer onde deixou as chaves. De não querer tomar banho. Comer também não, porque nada tinha mais gosto como antigamente. De muitas vezes se pegar no meio da sala, parado, a pensar o que ia mesmo fazer?
“Existirá
Em todo porto tremulará
A velha bandeira da vida
Acenderá
Todo farol iluminará
Uma ponta de esperança”
Na frente da igreja se havia uma mulher. Assim que se abriram as portas, foi sentar-se na primeira bancada, diante do altar. Era assim por se dizer bonita, bem apanhada, visto a meia idade. Os cabelos escorridamente sedosos, em dois tons de loiro ornavam seu colo rijo. O rosto gracioso, amplamente marcado pelo ruge carmim, boca carnuda. Uma blusa dum vermelho intenso de tecido leve vaporoso que valorizava seus ombros. Decote generoso pra lá iam qualquer olhar decaído sobre o seu ser. A calça jeans sobrepujava suas curvas dadivosas, a alvoroçarem nervos quaisquer, dos mais metálicos aos mais tenros então. Abriu a bolsa, pegou um livro, pôs-se a ler. Decorrido certo tempo tirou os calçados. O zelador da igreja aproximou-se curioso. Aproveitaria pra perguntar ao moço se podia deitar-se ali, estava muito cansada. O rapaz diria que não era permitido. Pediu então que ao menos olhasse sua bolsa enquanto ia a rua comprar água, e algo pra comer, tinha sede, e fome.
“E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará
Pedra sobre pedra”
Quando doutor Adalberto Lisboa foi transferido da capital pro interior, escolheu a vila pra morar. Comprou o velho casarão ao lado da igreja, primeiramente pensou em derrubá-lo todinho e erguer uma casa bem moderna, sofisticada. Um arquiteto contratado sabiamente o destituiu da ideia. Segundo ele, a nova construção ia ficar deslocada, pareceria um corpo estranho, contrariando o conjunto da obra. Convenceu-o a restaurá-lo. Desde a fachada colonial que com pequenos traços de barroco, bem como por dentro também deu pra aproveitar muita coisa. As paredes de tijolos dobrados, o piso rústico, tudo respirava história. Recuperou belos lustres de cristais do tempo do império. Nos cômodos manteve as janelas enormes de única folha inteiriça que ao se abrir enchia a casa de luz intensa. No primeiro dia que dormiu ali, teve um sonho que jamais esqueceria. Uma menina de seus treze anos aparecia num balanço no quintal da casa. Estava de branco, vestido, sapatos e meias, e um chapéu também branco. Não dizia palavra, só se balançava e sorria pra ele. No segundo dia, novamente o mesmo sonho. Desta vez a menina acenava-lhe, chamava-o até o pomar, e apontava angustiadamente pra cisterna. De fato havia a tal cisterna no final do quintal, só que nos dias do doutor, estava abandonada. A menina do sonho apontava pra portinhola da cisterna, e chorava muito. Era um sonho mudo, desbotado, sem som, sem cor. Tudo parecia sujo entrecortado como filme antigo. O promotor de justiça doutor Adalberto Costa até então jamais soubera nada a respeito daquele velho casarão. Passaria a buscar a história dos antigos moradores. Quando estava sozinhom no cômodo transformado em escritóriom estranhamente ouvia choro de criança, mesmo que ainda fosse dia.
“Enquanto isso
Não nos custa insistir
Na questão do desejo
Não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui”
A mulher consultou o relógio. Pensando alto disse: -Maldito! Não chega mais não! Era por volta das sete da manhã quando havia chegado ali. Atento e curioso o zelador ouviu o que dissera aproveitou pra dizer que já era meio dia e que precisava fechar a igreja. A mulher quis saber se na parte da tarde reabriria. Confirmou dizendo que só iria almoçar e por volta de uma hora tornaria a abrir. Aproveitou pra perguntar por quem tanto esperava. Disse que era pelo seu marido. O rapaz fez cara de incredulidade. Adquiriram confiança um no outro, tanta, que a mulher resolveu contar a verdade. –Moço, é um amante quem estou esperando. –Mas logo aqui na casa de Deus? -Já pedi perdão? Por acaso tem um padre com quem possa confessar? Não tinha. –Olha! Nem ele, nem eu somos daqui moço. Escolhemos esta vila para nos encontramos ao caso, sempre mudamos de lugar para não sermos descoberto. Ele é um homem rico, têm irmãos políticos, deputados. O que acha? Acredita na minha história? – Minha senhora! Eu não acho nada, só tenho que fechar a igreja já passa de meio dia, a senhora me dá licença?
“Existirá
E toda raça então experimentará
Para todo mal, a cura
Existirá
Em todo porto se hastiará
A velha bandeira da vida
Acenderá
Todo farol iluminará
Uma ponta de esperança”
Doutor Adalberto resolveu derrubar a cisterna. Pensou com isso conseguir decifrar o enigma da menina do sonho, e acabar de vez com o sonho contínuo que já estava lhe dando nos nervos. Fez questão de acompanhar o serviço do pedreiro, o tempo inteiro pedindo que parasse com receio de que destruísse algo vestígio importante. Se um estava ansioso, o outro já estava ficando impaciente. A parede da cisterna era feita de areia, misturada com barro vermelho e cal. A cal no tempo em que fora construída a cisterna era curada antes. Vários dias dormia dentro d’água e no momento da construção era batida com cacete para adquirir consistência e compacidade. Deu trabalho pra tão modesta construção vir a baixo. Quando tudo parecia não levar a nada que denotasse algo sobre a menina do sonho. Uma coisa chamou atenção dos dois homens uma inscrição feita com tinta vermelha bem lá no fundo: “Gevaudan – 21-9-1765.
“E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará
Pedra sobre pedra”
Um carro de luxo, cabine dupla, de cor prata parou na porta da igreja. Os vidros fumês das janelas suavemente foram baixando, até deixar ver, um homem com um enorme chapéu de caubói ao volante. O zelador à porta da igreja percebeu tudo. Atenta ao barulho do carro a madame aproximou-se da porta. O rosto voltado pra escadaria do templo, não deu pra o homem perceber a aproximação de outra mulher que vinha da praça, no sentido contrário pra onde olhava. Era uma bela senhora de cabelos negros, sedosos, preso num coque por um lenço colorido no alto da cabeça, vestia calça de tecido leve e blazer. Sacou um revólver da bolsa e a queima roupa deu três tiros no homem. Sequer esperou pra vê-lo debruçar morto sobre o volante. Simplesmente entrou num carro que estava parado, alguém que guiava arrancou, deixando pra trás gente atônita, aproximação de curiosos. E um homem morto.
“Desafiando de vez a noção
Na qual se crê
Que o inferno é aqui”
Na biblioteca pública, no cartório de registros, na prefeitura. Doutor Adalberto vasculhou tudo em busca de informações sobre a família que havia construído, e que seriam os primeiros moradores daquela casa. Sobre Gedeuvan e os números descobriu que era um velho costume dos pedreiros da época colocar o nome e a data da construção. Se tivesse ido mais a fundo nas suas pesquisas o magistrado teria descoberto muitas outras coisas. “Naquela casa morou uma jovem de quatorze anos, chamada Jeane Bernadete. Numa noite de lua cheia, do mês de setembro de 1765, foi encontrada morta, decapitada. O corpo encontrado no quintal e a cabeça no fundo da cisterna. Bernadete teria sido a primeira de uma série de mortes de meninas e meninos, sempre na faixa etária entre 13 e 16 anos. Os corpos sempre mutilados, ou extirpados além de mordidas e arranhões como de um animal feroz, apresentavam também sinais de sevícias sexuais. Foram feitas muitas investidas para caçar o animal, organizada pelos aldeães. O Marquês de Satuba, e o Conde de Fernão Velho participaram de algumas dessas caçadas. O cerco se fechou, as evidências foram se intensificando, e se chegou a um lunático chamado Givaldino, filho de um velho pedreiro. O rapaz acabou linchado em praça pública, ficaria conhecido como “A Besta de Gevaudan”.
Na manhã da última quinta-feira, dia 10/09, foi criado um abaixo via internet com o objetivo de pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Tal abaixo assinado atingiu meio milhão de assinaturas hoje por volta das 19 horas, ou seja cerca de um dia e meio depois de criado. Os organizadores do projeto são congressistas do partido Democratas (DEM).
Jornalistas e outros congressistas questionaram a legitimidade da petição, em resposta o DEM afirmou que os responsáveis pelo controle é o site no qual o abaixo assinado está cadastrado, charge.org. O diretor do site no brasil, Pedro Prata, afirmou que há um mínimo risco de existir dupla assinatura, porém, essas são excluídas automaticamente.
O mais contraditório nisso tudo é que alguns deputados, senadores e até ministros petistas declararam que é realmente provável que ocorra o impeachment da presidente ainda neste ano de 2015, caso Dilma não renuncie. O clima do Partido dos Trabalhadores (PT) e dos aliados do governo é de abatimento, agravado principalmente pelo alto nível de rejeição da presidente da república.
Clicando aqui, você pode acessar o link para abaixo assinado que está disponível para assinatura. A próxima meta dos organizadores é um milhão de assinaturas. Estaríamos prestes a assistir mais um momento marcante na história do Brasil, amigos?
Mais uma vez a Paróquia de São Cristóvão, no Bairro Camoxinga, divulga a programação da sua festa religiosa. O convite recebido pela nossa Escola Estadual Profa. Helena Braga das Chagas está perfeito. Muito bonito por dentro e por fora com ilustração de bom gosto, excelente papel e educação do envelope branco. Além disso, com uma programação bem elaborada e distribuída só faz exaltar o amor da equipe, caprichada nos detalhes que causou impacto altamente positivo.
Inúmeros noiteiros irão participar das honras ao padroeiro dos motoristas, principal evento do seco mês de outubro em Santana do Ipanema.
Pode parecer estranha a abertura que se tornou tradicional, com vaqueiros e/ou aboiadores, com vestimenta típica em seus cavalos derrubadores de gado. E se São Cristóvão é o santo dos motoristas, pode muito bem ser o santo dos vaqueiros, aboiadores e de todos os paroquianos sem exceção.
Além do miolo propriamente dito, isto é, as noites normais da novena, a festa reúne multidão imensa na vanguarda e retaguarda do evento. O desfile dos vaqueiros abre a festa, a procissão de veículos motorizados, fecha. Essa carreata deverá sair da cidade de Olivença, o que por si só já é um espetáculo impressionante de fé.
Após os movimentos religiosos noturnos, barracas bem iluminadas vendem lanches, em momento completamente descontraído e de encontro também feliz dos seus paroquianos.
Geralmente parques de diversão ocupam a praça defronte à Matriz, onde crianças e adultos se divertem a valer. Barracas tomam conta da Rua Pedro Brandão, principal do Bairro, formando assim o lado profano dos festejos.
O bispo diocesano sempre se acha presente na última noite da novena.
Com certeza a Escola Helena Braga se fará presente em uma daquelas futuras noites.
Tomara que chegue logo dia de abertura com os vaqueiros de São Cristóvão espantando a crise.
Confundindo-se com a história do sertão alagoano, a Rua Nilo Peçanha, cabeça quebrada da unidade Rua Antônio Tavares, em Santana do Ipanema, não chega a cem metros. Ignorada como fonte histórica por quase todos os habitantes da cidade, hoje representa apenas um terreno morto.
Foi ali, entretanto, onde existiu a célebre Cadeia Velha que só foi demolida com inauguração da atual Delegacia de Polícia no lugar chamado Aterro. A Cadeia Velha serviu de delegacia, prisão, quartel, necrotério, e lugar de venda de escravos. Dali saíram os soldados para defender a cidade contra um possível ataque de Lampião, não acontecido. Foi a Cadeia a primeira guarida para o 2º Batalhão de Polícia, comandado por Lucena para combater cangaceiros no sertão.
O trecho Nilo Peçanha foi agraciado como estrada Pedra de Delmiro a Palmeira dos Índios, consolidada pelo próprio coronel Delmiro.
Foi ali, defronte à Cadeia Velha, onde uma das duas excelentes bandas de músicas recepcionou o governador interino de Alagoas, padre Capitulino, acompanhado em comitiva de mais de cem cavaleiros e muitos fogos desde a sua entrada pelo subúrbio Bebedouro/Maniçoba. A outra banda aguardava no centro.
Foi ali na esquina da Nilo Peçanha com a travessa que leva ao rio, onde negociou o cidadão que deu nome ao município de Ouro Branco, Sebastião Jiló (hoje bodega fechada e em ruínas). Em Ouro Branco, antigo Olho d’Água do Chicão, tinha bodega frequentada por Lampião, seus irmãos e os Porcino. Lampião o defendia das maldades dos demais, principalmente do fiado.
Ainda no trecho dos cem metros da Nilo Peçanha, o panificador Antônio Tavares, foi atacado, covardemente, pelo soldado Artur (um dos homens de confiança de Lucena) o mesmo que matou o tenente Porfírio. O panificador trancou-se num quartinho onde morava só, não saiu de casa durante três dias, morrendo de desgosto. Era pai do futuro deputado Siloé Tavares. A Rua Antônio Tavares que antes se chamava Cleto Campelo, depois do nome Sebo, homenageia o comerciante.
A grande casa comercial na esquina da Nilo Peçanha com o comércio era salão de sinuca com jogo de baralho nos fundos. Pertencia ao chefe político no governo Arnon de Mello, Manoel Barros. A porta dos fundos dava para a Rua Nilo Peçanha.
Assim, muitos outros fatos históricos ocorreram no trecho dos cem metros.
*Do livro do autor: “O boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”.
O palácio Floriano Peixoto, em Maceió, já não abriga governos estaduais. Virou museu pobre na sua arquitetura rica. Muitas histórias, inclusíveis tétricas e cabeludas, estão impregnadas em sua estrutura centenária. O antigo palácio, não é tão velho assim. Após marchas e contra-marchas, desde o seu começo, foi inaugurado o faustoso edifício, em 16 de setembro de 1902. Modificada a planta original, ganhou os traços de Lucarini com predominância neoclássica.
Tendo sido construída defronte a igreja de Bom Jesus dos Martírios, serviu a igreja como ponto de referência para o palácio. E, popularmente, o palácio Floriano Peixoto, passou a ser chamado “Palácio dos Martírios”, isto é, aquele que fica perto da igreja do Bom Jesus dos Martírios. O apelido pegou a tal ponto que foi questionado por um dos ocupantes nos seus apertos governamentais.
Para gastar mais dinheiro, fugir da influência do vulgo ou por outro motivo, inventaram outro palácio chamado Zumbi dos Palmares. Apesar do pomposo título, não causou nenhuma impressão psicológica no povo alagoano. É escuro e enfeitado de espelhos ou similares, com amplo aspecto de mausoléu.
Sem nada a oferecer, o antigo palácio dos Martírios, “Cavalo Branco”, pelo menos ocupa um espaço central vigiado.
O mausoléu dos Palmares, ali perto, vai registrando mais de setenta novas indústrias em Alagoas, segundo governo passado, mas parece que os impostos vão para outros territórios, pois não se vê melhora alguma e, a choradeira profissional das autoridades parece não ter fim.
Sobre o antigo Floriano Peixoto:
“O palácio sofreu algumas reformas na sua ambientação, perdendo grande parte do mobiliário e praticamente todas as peças de arte decorativa do início do século, sendo substituídas por objetos desprovidos de valor artístico” (…). (Alagoas memorável, fascículo 10, pág. 289).
O governo alagoano deu às costas aos Martírios; mas até quando o funcionalismo público e o povo do estado serão martirizados?
Hélio Rocha Cabral de Vasconcellos, pertencente à família tradicional de elite, os Rocha, foi prefeito de Santana do Ipanema no período1956-1960. Fleuma de irlandês, intelectual, foi no final do seu governo e início da gestão Ulisses Silva que a cidade passou quatro anos no escuro. Uma fase enormemente proveitosa para os idílios receptivos dos meus embornais.
No ano 2005, morando há muito em Maceió, o ex-prefeito lançou pequeno livro de apenas 24 páginas, sem editora. Pequeno em tamanho, rico em conteúdo, o lançamento, entretanto, deu fôlego para os pesquisadores da história do sertão e suas periferias. Com o título Coronéis do sertão e sertão do São Francisco alagoano, cooperou significativamente com o livro “Lampião em Alagoas”, em nossa parceria com o escritor Marcello Fausto.
Havíamos comentado o livro, antes, porém, por outro prisma. É pena o autor não ter apresentado todos os coronéis da época dos quatro assinalados, naturalmente, os que mais lhe chamaram atenção e se encaixaram nos seus objetivos.
José Rodrigues de Lima, coronel de Piranhas, muito famoso na época era inimigo de Virgolino Ferreira, o Lampião. Após ser assassinado em Maceió, ao retornar de uma sessão de cinema (1927) caiu um silêncio pesado em torno de si, tornando dificílimo encontrar-se alguma coisa para pesquisar a seu respeito.
Outro coronel descrito por Hélio é Ulisses Luna, que comandou a política na cidade de Água Branca. Foi ele quem deu guarida ao recém-chegado à região, Delmiro Gouveia e, também, de certo modo aos familiares de Virgolino Ferreira.
Delmiro da Cruz Gouveia, outro dos quatro coronéis, depois manteve laços de amizades com a família Rocha, através do quarto coronel: Manoel Rodrigues da Rocha. O primeiro, na fazenda, depois vila da Pedra, no alto sertão e este em Santana do Ipanema.
O livro representa parte da história sertaneja alagoana do primeiro quarto do século XX. É possível que a Biblioteca Pública Municipal de Santana disponha de pelo menos um exemplar.
Sobre Clerisvaldo Chagas
Romancista, historiador, poeta, cronista. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.
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03 nov
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