LAMPIÃO, CABOCLO E A GLOBO

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de janeiro de 2016

Crônica Nº 1.498

POVOADO CABOCLO (Foto: Hector Emílio)

POVOADO CABOCLO (Foto: Hector Emílio)

A Rede Globo de Televisão iniciou seus preparativos para mais uma novela. Um dos lugares escolhidos para algumas filmagens foi o estado de Alagoas no povoado Caboclo, município de São José da Tapera.

Caboclo é um povoado típico sertanejo, situado em pleno Alto Sertão alagoano, de antiga procedência. Tendo como pano de fundo uma bela montanha esbranquiçada, realiza feira semanal e missa do vaqueiro todos os anos. Os emboladores e seus pandeiros mágicos já se desafiavam na tradicional feira de Santana do Ipanema:

“Você não dá

Pra dançar no gabinete

Cabra velha não dá leite

Nem bode dá de mamar…”

“Venho pra cá

Boto a sela no porco

Vou à feira do Caboco

Antes do galo cantar…”

Foi nesse famoso arruado que Lampião, após invadir a vila de Olho d’Água das Flores com 102 cabras, fez passagem e assassinou o cidadão proprietário José Vieira. O fato aconteceu no dia 07 de junho de 1926. Virgolino babava para atacar Pão de Açúcar, ali pertinho, mas sempre desistia diante dos “homens machos” do lugar. O senhor José Vieira pagou-lhe pela frustração.

Mas, em 22 de março de 1936, quase dez anos depois, foi o próprio Lampião quem foi derrotado no povoado Caboclo. Invadindo a rua para matar um ex-volante nazareno (a volante dos nazarenos – povoado de Nazaré, Pernambuco – era a maior perseguidora do bando) teve assassinado um dos seus asseclas chamado Pó Corante, pelo barbeiro local. Sem nada poder fazer, o sinistro chefe da caterva apenas fez sepultar o morto e ameaçar os habitantes do lugarejo, caso eles desenterrassem o cangaceiro.

O ex-volante perseguido conseguiu trazer uma volante comandada por Lucena Maranhão que estava em São José da Tapera, mas o bandido já havia ido embora.

É esse o povoado escolhido pela Rede Globo, repleto de histórias, lendas e fantasias.

OLHO D’ÁGUA DO AMARO

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de janeiro de 2016 

Crônica Nº 1.497

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O caso do Olho d’Água do Amaro é isolado e específico. Olho d’Água é um sítio rural como todos os sítios: casas esparsas pelas terras de minifúndios. Destaca-se por possuir um largo na estrada de terra (chamada rodagem) onde existe uma escola, uma casa de fazenda e uma igreja, lugar de concentração popular.

Segundo a tradição, um dos fundadores de Santana, Martinho Rodrigues Gaia (o outro foi o padre Francisco Correia) era detentor de extensa faixa de terras devolutas, adquirida como sesmaria. Durante uma época de seca, caçadores pediram permissão para uma caçada, permissão esta concedida. Estes foram surpreendidos quando, no meio da mata, depararam-se com uma pequena tapera. Voltaram e contaram a novidade ao fazendeiro que mandou um grupo de pessoas até o local indicado. Foi assim descoberto o negro Amaro, provável homem fugido e, mais uma fonte perene descoberta por ele. E como o tempo, de fato estava ficando brabo com a seca, a descoberta da fonte que até os nossos dias continua abastecendo, foi uma bênção. A denominação permanece como ficou conhecido o lugar a partir daquele acontecimento: Olho d’Água do Amaro. Mas, se pergunta de onde teria vindo Amaro? Ninguém parece saber. Os documentos não registram, nem a origem do preto da fonte chegou até nós através de transmissão oral. Provavelmente Amaro teria sido um negro fugido do cativeiro, se não, não estaria refugiado na caatinga bruta.

Levando-se em consideração que Martinho fundara Santana em 1787, portanto, a 92 anos da destruição do Quilombo dos Palmares, Amaro, com quase certeza, não teria vindo dos Palmares durante as refregas com o bandeirante Domingos Jorge Velho. Mas como no tempo de Martinho Rodrigues Gaia, o cativeiro ainda existia, pois somente foi extinto em 1888, 101 anos depois, dá-se como certa a fuga de Amaro de alguma fazenda escravagista distante. Isso é quase tão certo quanto dizer que o negro Amaro não teria vindo da Tapera do Jorge.

(Extraído do livro “Negros em Santana” às páginas 31-32).

AINDA O PADRE CÍCERO

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de janeiro de 2016

Crônica N. 1.496
Foto: Informativo Atitude

Foto: Informativo Atitude

A nossa Igreja Católica já errou muito e continua errando desde os ciúmes do bispo do Crato em não possuir os mesmos poderes espirituais do padre Cícero. Negou os milagres de Romão com inveja – unicamente – ao jovem sacerdote. E com esse erro secular de inveja e prepotência, viu cada vez mais o aumento de romeiros pelo já consagrado por eles. Observando outras religiões crescendo no mundo e, a católica estagnada dentro do caramujo da arrogância e da ambição mundana de riqueza, resolve “reabilitar” o Homem. Uma tentativa de driblar os seguidores do padre.

A Igreja quer fortificar a fé católica no Brasil, indo buscar o “proscrito” para as suas hostes antes que outros seguimentos assim o façam. Para isso inventou uma história absurda: o toco do perdão. Perdão de quê? Não se perdoa a quem não cometeu erros. A minha Igreja, rica em empáfia, era quem deveria pedir perdão ao santo nordestino e a seus romeiros, pela inveja do bispo da época e seus covardes seguidores. Essa mesma igreja dos longos crimes de “Inquisição”, jamais teve em altas autoridades e em padres medíocres um só milagre registrado por esses pobres coitados.

Gente simples e humilde de pouca compreensão pode até engolir essa tal “reabilitação” com perdão tapeador. Padre Cícero não precisa de perdão e de engodo, pois tem feito muito mais milagres agora de que quando encarnado. É por esse e outros perdões carentes de causa que a minha igreja se encastela nas mordomias, riqueza e inveja, cujas estrelas valorosas são frustradas.

Historiadores e biógrafos de Cícero atestam bem a vida agitada do representante de Deus e os cuidados ao seu povo nordestino. Mesmo assim, o fundador de Juazeiro do Norte ainda é uma figura polêmica, notadamente, entre os que não suportam o destaque e a fama de outrem.

Ora, se o Cristo que tinha tantos poderes foi caluniado, quanto mais o seguidor fiel e missionário!

Padre Cícero já é santo, dizem seus devotos. Mais uma vez a Igreja chegou tarde. Veio em lombo de jegue.

OUSADIA NO VELHO CHICO

Clerisvaldo B. Chagas, 13/14 de janeiro de 2014

Crônica N 1.495

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Encontramos uma joia de documento detalhista sobre a construção da hidrelétrica de Paulo Afonso, na revista O Empreiteiro, Ano L – maio 2012 – N 508 – páginas 54-58. Com o título “Ousadia no Velho Chico”, o documento (sem autor) descreve tudo que se quer saber sobre os primeiros grandes passos da engenharia nacional, até então, dominada por estrangeiros.

“Havia certa resistência em acreditar que a engenharia nacional seria capaz de levar a diante obra de tal envergadura. Mas isso começou a mudar como o projeto da hidrelétrica de Paulo Afonso, concebida pelo engenheiro Otávio Marcondes Ferraz. Paulo Afonso é considerada a primeira usina construída pela engenharia nacional, que enfrentou, logo de cara, um desafio: instalar uma usina com casa de força subterrânea, algo então inédito no País”.

Continua o texto detalhando tudo, tudo, como se fosse um diário das obras da hidrelétrica. Um papel digno de qualquer museu de grande envergadura sobre essas páginas, orgulho nacional que arrepia e emociona a nossa brasilidade. O melhor de tudo é que foi no Nordeste diante da caatinga bruta que protegia o “Velho Chico”.

A música de Luiz Gonzaga que exalta Paulo Afonso canta em uma das estrofes, mais ou menos assim:

“Delmiro deu a ideia

Apolônio aproveitou

Dutra fez o decreto

E Vargas realizou

O presidente Café

Agora inaugurou

Meu Paulo Afonso é sonho

Que se concretizou…”

Delmiro Gouveia, dono da fábrica de linhas da fazenda Pedra, atual cidade que leva o seu nome, em Alagoas; Apolônio, Apolônio Sales, ministro da Agricultura; Dutra, Vargas e Café Filho, três presidentes do Brasil.

Faltou Gonzaga incluir o grande engenheiro Otávio Ferraz.

Quem se dispuser a pesquisar esse texto, principalmente professores de História, motivará em muito os seus alunos.

É esse o verdadeiro Brasil.

Entrevista com a Global Olivia Araújo

10689611_774838959229359_6936221049833789158_nCelebridade In Foco- Que prazer em entrevistá-la, saber que está bem e fazendo Sucesso! Seja Bem vinda a nossa Coluna Celebridade In Foco. Vamos dividir um pouco com o público que te adora e também a muitos dos amigos em comum que vão adorar saber de você. O que te dá mais contentamento: A magia do cinema ou a popularidade das telenovelas?

Olivia Araújo: Eu gosto do meu trabalho, tudo me deixa muito feliz seja no teatro cinema ou TV.

Celebridade In Foco– Ainda sobre cinema, que vejo com frequência, você trabalhou com Fernando Meirelles também em ‘Cidade De Deus’. Ele é o cara?

Olivia Araújo: Sem dúvida o Fernando Meirelles é um dos cineastas mais importante do Brasil e uma pessoa muito generosa então acho que é o cara sim.

Celebridade In Foco– E quem mais te inspira? Uma atriz ou ator, por exemplo.

Olivia Araújo: Eu tenho muitos ídolos, Milton Gonçalves, Ruth de Souza, Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Cleide Yaconis, Italo Rossi, Lea Garcia, Chica Xavier, Marília Pera, Grande Otelo, Zózimo Bulbu e tantos outros a lista é bem grande.

Celebridade In Foco– Você fez duas novelas este ano. Que babado foi esse, como conseguiu conciliar?

Olivia Araújo: Elas não foram gravadas ao mesmo tempo, seria impossível contratualmente, Eu já havia encerrado meu contrato e minha participação em Chiquititas se estendeu no ar foi um acaso.

Celebridade In Foco– Claro “plim-plim” e “Quem quer dinheiro” de uma vez. Kkk. Mas logo você tira o avental? Ou acredita que o Brasil continua a ser muito bairrista e preconceituoso?

Olivia Araújo: Eu não jugo o personagem e nem dou juízo de valor pela profissão, quando tenho a oportunidade de realizar meu ofício busco dar dignidade a esse personagem. Isso não tem haver apenas com bairrismo e preconceito que é claro que existe no Brasil.

Celebridade In Foco– O Brasil está mais careta e reacionário? Vide casos como o da Maju, apresentadora também negra e outras coisas abomináveis que vemos todos os dias nas redes sociais e TV.

Olivia Araújo: Eu que as pessoas que tem preconceito racial estão dizendo mais claramente sua posição que de certa forma é bom só assim podemos discutir, buscar direitos na justiça frente a um crime, e quanto empurrarmos as sujeito para de baixo do tapete os problemas não serão resolvidos. E todo ser humano merece respeito é isso que acredito.

Celebridade In Foco– E os projetos futuros? Conte tudo, seus fãs agradecem.

Olivia Araújo: Eu , tenho vários mais todos projetos nada confirmado, to na torcida de que parte deles ao menos se realizem. 

Celebridade In Foco– E ai namorando? Beijando na boca? Ou só no close?

Olivia Araújo: Tô feliz

Celebridade In Foco– Então tá rolando beijo. Huhuhu! E Qual o grande papel que deseja interpretar?

Olivia Araújo: Não penso nisso, o eu quero é trabalhar muito, muito mesmo.

Celebridade In Foco– Mais uma vez, agradeço esse bate bola, desejo muito sucesso a você, que é merecedora, batalhadora, uma linda! Sucesso!

Olivia Araujo: Muito, obrigada.

  Ping Pong

 CIDADE QUE MORA: São Paulo

 NASCEU: em São Paulo

 HOBBY: Dançar

 INSPIRAÇÃO DIÁRIA: Acreditar que tudo vai melhorar

 LUGAR INESQUECÍVEL: Olinda PE

 COMIDA PREFERIDA: Sou básica arroz e feijão

 NÃO VIVE SEM: Fé

 DESEJO: Viajar muito

 CAOS: A violência

 LUXO: Poder ir vir, ser independente

 BEBIDA: Vinho

CELEBRIDADE MAIS QUERIDA (O); Papa Francisco se é que posso chamar de celebridade

MAIOR ORGULHO: Conseguir viver da minha profissão

 QUEM FOI UMA HONRA CONHECER: O ator Zé Dummont

 SER CHIQUE É: Ser honesta com sigo mesma

 QUAL CIDADE MORARIA: Paris

A QUE VOCÊ ACHA DA COLUNA CELEBRIDADE IN FOCO E DO COLUNISTA EDILSON BARBOSA? Acho que a coluna é super bacana para aproximar a gente do publico pra conhecer a gente um pouco melhor, e vc Edilson é uma simpatia. Obrigada querido pelo convite para a entrevista.

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RUA DAS ÁRVORES

Clerisvaldo B. Chagas, 3-4 de janeiro de 2016

Crônica Nº 1.494

Foto: Clerisvaldo

Foto: Clerisvaldo

Quem esteve na orla de Maceió no final do ano passado, contemplou a maravilhosa decoração natalina. Um encanto! E se a orla por si só já é belíssima, imaginem decorada artificialmente com aquele marzão ao fundo e no cair da tarde. Vários outros lugares da capital faz jus ao título ganho como a capital mais bonita do Brasil. Deixando todos esses lugares, voltemo-nos para o comércio que tomou ares de lugar civilizado com os famosos calçadões.

Em alguns pontos desse mesmo comércio falta manutenção em parte do saneamento que fede mesmo. E nesse entrevero todo, entre o progresso e o atraso, particularizamos a Rua Augusta, sempre conhecida como Rua das Árvores. Rua do Ipaseal Saúde, rua de pequeno e médio comércio, rua de comércio ambulante de frutas, rua de pontos de ônibus. Ali você encontra um verdadeiro Frutal, mercadorias vindas de diversos lugares, tanto do estado quanto de fora. Entretanto, os pedestres sofrem com as calçadas estufadas que a ambição pelo dinheiro não consegue sequer um conserto. E naquele pomar ambulante sobre as sarjetas, escorrem as águas pretas de fossas, misturando a fedentina com o cheiro enjoativo dos pequenos restaurantes. Um descaso total com a saúde pública.

A Rua das Árvores, dessa maneira, torna-se complemento do Calcanhar de Aquiles de Maceió: o imundo mercado que gestor nenhum que meter a mão, como se fosse paciente em estado terminal. Não estamos falando dos Haiti moradias da Levada, nem das grotas inchadas de pobreza. Estamos nos referindo ao centro de Maceió que nos lugares citados continuam no Século XIX.

Continuemos desfrutando as partes sadias, mas não se pode calar diante das mazelas que atentam contra o coletivo. É dever, até, o grito da população para os ouvidos distraídos dos gestores.

Rua das Árvores, pedaço de tradição maceioense.

O REENCONTRO

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de janeiro de 2016

Crônica Nº 1.493

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Lembrando o velho casarão da antiga Praça da Bandeira, em Santana do Ipanema, veio ao empresário Juarez Delfino, a ideia de um reencontro com os colegas concluintes de 1966. O primeiro reencontro foi mesmo entre a minha pessoa e Delfino, de modo inusitado. Colega de Ginásio e de república de estudantes, cada qual seguiu seu rumo e há cerca de 30 anos não nos víamos, até que um almoço em sua residência matou saudades e formalizou um pedido: “Clero, pelo amor de Deus, organize em Santana um reencontro com os nossos ex-colegas concluintes de 1966 aqui na minha residência ou em Santana”. Prometi na hora que tentaria.

Iniciamos na antiga 5ª Série com 52 estudantes e encerramos a 8ª com 45. Fomos conhecer a novidade da época: a adutora de Belo Monte que traria água para Santana. Participamos de grêmio estudantil e conseguimos verba através das nossas promoções para um passeio a Paulo Afonso e outro a Fortaleza/Mossoró/ Juazeiro do Norte.

Depois, somente saudades da turma e do casarão que nos abrigara por tantos anos. Cada um procurou seguir o seu rumo e muitos nem sabemos por onde andam.

Pelo menos, na foto oficial da turma, tem um ex-colega falecido.

Vamos assanhando os que conhecemos, com os primeiros contatos sobre o assunto. Iremos tentar juntar o maior número possível dos antigos companheiros de escola, inclusive com aqueles que deverão comparecer com familiares e com surpresas. Temos a impressão de que José Pinto Araújo, ex-diretor do Ginásio Santana e o professor Antônio Dias, aceitarão comemorar conosco a era de ouro do Ginásio. Outros ex-professores também.

Nada está decidido. Entre fevereiro e março deveremos marcar os primeiros encontros de organização. Prazo longo para o evento, chefe, que a missão é árdua, mas saborosa.

Nada como um dia atrás do outro.

O escritor jovem de Santana do Ipanema Éverton Lacerda esteve neste domingo (22) na VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas

241115162644O escritor jovem de Santana do Ipanema Éverton Lacerda esteve neste domingo (22) na VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas, que está sendo realizada no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Maceió e lançou seu livro Já Vivi, Já Senti, mas nunca o vi: Isso é Chamado de Amor.

O autor passou toda a tarde conversando com amigos num bate-papo e às 18 h aconteceu o lançamento com seção de autógrafos no estande do SWA Instituto.

O livro do Éverton Lacerda é no estilo reflexões poéticas, foi feito quando o autor tinha apenas 17 anos e tem uma linguagem que atende a todos os públicos, com grande aceitação dentre os jovens por falar a língua de sua geração.

A VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas se estenderá até o próximo domingo (29), e outros autores santanenses marcarão presença como já foi anunciado.

Texto/Foto maltanet