MAIS ASFALTO PARA SANTANA

 

Asfalto deve chegar em Santana (Foto: Marcio Ferreira / Agência Alagoas)

Corre o boato na cidade que algumas ruas de Santana do Ipanema serão asfaltadas. Falam em cerca de 20 km do “pretinho” sobre o calçamento doido, esculhambado, troncho e revoltante deixado por tal empresa de saneamento. O saneamento leva nada a lugar nenhum e até agora ninguém foi preso nem o dinheiro foi devolvido. Como ficará, então, este trabalho após a cobertura asfáltica?

Mas, voltando ao novo benefício, 20 km são muito pouco para uma cidade do porte de Santana, todavia, sabemos que é melhor um metro colocado de que um metro retirado. E se a rua que leva ao hospital vai ser prioridade, é muito bom que seja, muito embora não tenha sido alargada. Junto ao Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo, a UFAL também será beneficiada com o empreendimento.

Quais seriam as outras ruas, largos e avenidas por onde escorrerá o piche? Achamos que ainda não houve uma definição, mas com certeza a ação benfeitora será bem recebida em qualquer lugar da urbe. E se a cada 12 meses fossem implantados mais 20 km por certo, ao final de uma gestão, teríamos uma proporção altamente favorável em nossa malha viária.

Não vamos citar outras ruas como especulação, mas o aspecto de cidade civilizada começa pelo asfalto, intensa sinalização e limpeza. Mas outros gargalos como um anel viário para o Entroncamento Maracanã e semáforos para lugares estratégicos clamam por soluções todos os dias. Coisas simples como a jardinagem e passagem de pedestres na posteação da BR-316, Maracanã – DENIT ajudará no embelezamento urbano e na própria segurança geral.

Quando Santana do Ipanema foi elevada à cidade, na década de 1920, já iniciou a nova fase com o calçamento. Era um calçamento de pedras brutas, moderno para a época, revelando progresso. Esse tipo de pavimentação, somente foi substituído na gestão Ulisses Silva, quando virou moda à pedra pequena e o rejunto de cimento, chamado paralelepípedo.

Atualmente a cidade se divide entre o último tipo de pedra e o asfalto há muito representado como o novo. E depois do que a empresa de saneamento fez, o nosso calçamento não presta nem para cavalo. Portanto, é com certa expectativa que o santanense aguarda mais asfalto nas ruas, largos e avenidas. Em breve veremos o “negrinho” cobrindo trechos.

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2018

Crônica 1.865 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

SÓ NÃO ESTUDA QUEM NÃO QUER

Estudantes da rede pública (Foto: Valdir Rocha / Agência Alagoas)

Sempre estudei morando na cidade. Sei, entretanto das grandes batalhas pelo Saber, de alguns companheiros do meu tempo e de antes de mim. Pessoas que se tornaram importantes para à sociedade e todos os dias vinham de sítios pertos ou distantes, a pé ou a cavalo.

Alunos que, solitariamente, desciam e subiam a serra do Poço, com 500 metros de altitude. Os que vinham de sítios como Queimadas do Rio, Batatal, Olho d’Água do Amaro, Barriguda, João Gomes, Lagoa da Pedra e tantos outros do nosso município. Tudo como adolescentes para enfrentarem o antigo primário, o Admissão ao Ginásio, às primeiras séries do Curso Ginasial. Sol de rachar ou muita chuva com lama nas estradas e córregos cheios.

Muitas são as aventuras contadas atualmente, como os mal assombros encontrados pelos caminhos, como por exemplo, o que se ouvia ao passar pela igrejinha das Tocaias e uma ou outra santa cruz de beira de estrada. Não havia transporte, merenda, financiamento de livros e cadernos.

A palmatória e a régua de baraúna cantavam nas mãos e nas canelas. Alguns poucos chegavam dos sítios, não suportavam a escola e caiam na jogatina da sinuca. A grande maioria, porém, valorizava a luta por um melhor lugar no mundo. Essa foi uma fase difícil para os estudos, mas não conhecemos ninguém que tenha se arrependido em ter estudado.

Atualmente o governo fornece tudo. Manda buscar o aluno em casa, em qualquer lugar da zona rural. Nem o caminhão serve mais tem que ser de ônibus. O transporte vai buscar e levar no terreiro. A escola dispõe de ventilador ou ar condicionado. Livros de graça. Merenda da melhor qualidade. Laboratório de informática, segurança, cursos, visitas e passeios. Infelizmente ainda são muitos os que procuram apenas assistir a primeira aula, com um enfado e uma alergia à escola, própria dos lugares mais perigosos da periferia.

E se o governo fornece tudo ao aluno e este não corresponde, onde está o erro?

Educação, um desafio permanente.

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2018

Crônica 1.864 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

A ONÇA SUÇUARANA

Onça parda ou Suçuarana (Foto: Bas Lammers / Wikipédia)

A imensidão da caatinga era habitada pela onça-pintada e a onça canguçu, também chamada onça-parda. O desmatamento contínuo, as secas e a caça predatória, saíram dizimando tudo fazendo desaparecer desde os animais maiores aos menores passarinhos das matas.

Todos os animais foram alvos de caçadores profissionais e amadores, moradores de fazendas e de qualquer um que vagasse pelas estradas arenosas e poeirentas. Portanto, quando os animais maiores como a onça, raposa, guará, tamanduá, veado, queixada e outros quadrúpedes, começaram a desaparecer, a onda a atingia os menores, aves e pássaros. Por ser mais valente e de pele mais entrando nas lendas regionais como a vilã.

Nem podemos dizer que a proteção à flora chegou tarde demais. O mundo continua rodando e as coisas vão acontecendo. Talvez seja do próprio mundo mesmo a evolução de umas coisas e o desaparecimento de outras, o lamento, o saudosismo, o desespero, a esperança.

Lembro-me dos últimos queixadas e veados que chegavam à Santana do Ipanema, quase escondidos, vindos de São José do Tapera e vendidos em nacos naquela feira. Mas vale salientar que o veado não era procurado somente pelo sabor da carne, mas também para a confecção de alpercatas e chapéus de couro de alta qualidade. No caso da onça-parda, encontrei advertência sobre ela, nas veredas da serra das Porteiras, quando da expedição sobre o “Ipanema um rio macho”.

A onça-parda “é um animal solitário e mais ativo à noite. Alimenta predominantemente de cervídeos, mas pode variar a dieta, sendo considerado um predador oportunista. A presença de outros carnívoros influencia diretamente a escolha das presas e ambientes de caça. As áreas de vida variam de 50 a 1000 km2, com machos sendo territoriais e possuindo grandes áreas se sobrepondo ao de várias fêmeas. As fêmeas possuem vários estros no ano, possuem uma gestação que dura entre 90 e 96 dias e geralmente nascem entre 3 e 4 filhotes, a cada 2 anos, aproximadamente”.

Essa é diferente da onça do cordelista que disse que na praia: “a moça levanta a perna/e a gente vê a caverna/ da onça suçuarana”.

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de março de 2018.

Crônica 1.863 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

OUTONO ESCASSO

Foto: Reprodução / Agência Alagoas

De acordo com as várias afirmações dos entendidos, a coisa tá preta no velho sertão de guerra. No dia de São José não choveu no semiárido alagoano. Céu limpo sem as nuvens benfazejas e uma temperatura de lascar o cano. Foi três dias seguidos com 37 graus, em Santana do Ipanema, médio sertão, que quase se iguala à famosa cidade de Pão de Açúcar, às margens do Velho Chico.

As nuvens fizeram um tampão tipo “efeito estufa”, e, segundo um trabalhador rural, “fez o matuto moer troncho”. Ouvimos um profeta da chuva descrever a posição de tal estrela dizendo que não tem jeito e que esse ano será escasso de chuva por aqui. Muita gente não quer sair de casa depois das dez horas e, pelo menos até às quinze.   

Alguns dias o céu vem tão azulado quanto à pedrinha quadrada do anil, outros dias o firmamento traz as enganosas nuvens de carregação. E o sertanejo, que vive da chuva e pela chuva, espia para cima várias vezes por dia, aguardando mágica mudança, milagre, num misto de fé e desafio. Não senhor, não foi por aqui o desfile do Canal do Sertão.

E quem olha para as montanhas circuncidantes, vê o cinza querendo afastar o verde e tomar conta do cenário. Um roceiro das bandas do serrote dos Brás, sítio distante de Santana, fala que o lugar tem muitas cisternas e tal poço Camarão que nunca seca. E que quando vai chegando a esse ponto, Deus sempre providencia o abastecimento de cima.  

Repetem-se os ciclos de prosperidades limitadas e voltam-se aos ditados marcados, sulcados e sofridos: “o sertanejo está sempre começando”. Eleva o rebanho nos tempos de fartura, tudo perde na inclemência e renasce junto com o novo inverno, cada vez mais raro. E no período mais difícil, até que a água chega montada em caminhão, mas os animais não vivem somente de água.  

E se tudo falta na zona rural, sofre o comércio da região, quase sempre de modo geral, pois o geral é a própria natureza nos caminhos: Sol ou chuva. Estamos iniciando o outono. Da sua metade em diante, esperamos as água do céu e a emenda com o inverno, mas não está nada fácil. Quando havia acauã, inventava-se culpado. E agora? São José passou por longe.

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2018

Crônica 1862 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

MARTELO DA CULTURA

Foto: Turismo culturamix

Compartilho hoje com vocês, parte de uma poesia de minha autoria e que foi lida durante o lançamento do livro “230”, ocorrido no último sábado em Santana do Ipanema.

Meu roçado não é tão diferente

Do barreiro do pote do caneco

Da foice do machado do xadeco

Da maniva do tronco da semente

Do chocalho malvado da serpente

Do boi do vaqueiro do gibão

É o livro a caneta o livião

A comadre que reza e faz a cura

Como posso falar da Agricultura

Se a Cultura é a roça do meu pão

 

No roçado tem casa de farinha

Casebre chamado pau a pique

O engenho colado ao alambique

O feitiço do Sol de tardezinha

Os quitutes cheirando na cozinha

Um cavalo ruim feio e chotão

O cachorro se coça no pilão

A morena ao vaqueiro ainda jura

Como posso falar da Agricultura

Se a Cultura é a roça do meu pão

 

O alarme do galo no paiol

Um caboclo valente e atrevido

Dão romance rural abastecido

Como a luz matutina é um farol

Poetisa mastiga o arrebol

É teatro novela de paixão

Escritores só bebem no Sertão

Da fonte literária bela e pura

Como posso falar da Agricultura                                     

Se Cultura é a roça do meu pão

 

Uma dona fazendo uma intriga

O pescoço comprido do socó

A cadela no rastro do mocó

Uma arenga uma foice e uma briga

O teiú por dentro da urtiga

A memória de Cosme e Damião

As voltas da onça no grotão

O menino pegando tanajura

Como posso falar da Agricultura

Se a Cultura é a roça do meu pão

 

A cultura se faz com marmeleiro

Alecrim quixabeira grão de bico              

Imburana folhagem de angico

Espinheira miolo de facheiro

Sacatinga bom nome cajueiro

Mulungu mororó salsa e pinhão

Goiabeira andu federação

Óleo de mamona e rapadura

Como posso falar da Agricultura

Se a Cultura é roça do meu pão

 

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2018

Crônica/poesia 1861 (Resumo) – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

A NOITE E O BRILHO NA AABB

Publico fez fila para pegar autógrafo no livro (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Já neste final de verão, pertinho do dia de São José, o brilho da Literatura ofuscou a rotina santanense. Numa inolvidável noite sertaneja, foi lançado o livro tão aguardado, “230”, com ênfase especial pela presença dos guardiões da cultura da terra.

Diante desse público seleto, preocupado com os rumos da nossa história, foi apresentado finalmente o livro/enciclopédia “230, um monumento iconográfico aos 230 anos da fundação de Santana do Ipanema”. Os destaques de apresentação da enciclopédia ficaram na responsabilidade dos escritores Fábio Campos e Marcello Fausto, cujos pronunciamentos foram intercalados pelos clássicos de Luiz Gonzaga, na interpretação do Imperador do Forró, Manoel Messias.

E mais uma melodia do “Rei do Baião”, deu cobertura a um Martelo Agalopado do próprio B. Chagas, em oito estrofes com o tema: “Como posso falar da Agricultura/ Se Cultura é a roça do meu pão”.

O povo ansioso aguardava o início dos trabalhos, o que aconteceu sob a batuta do mestre de cerimônias Ronaldo Alves. Tomaram assento a mesa o escritor Clerisvaldo B. Chagas e sua esposa Irene Chagas, os apresentadores do livro, escritores Fábio Campos e Marcello Fausto, Vera Malta, como representante do prefeito Isnaldo Bulhões, a diretora de cultura do município, Gilcélia Gomes e o senhor Tácio, novo presidente da Associação Atlética Banco do Brasil – AABB.

A palavra foi facultada aos da mesa e em seguida à plateia, fato que tornou o ciclo dos 100 muito mais participativo. O saudoso poeta, compositor e cantor versátil Ferreirinha, foi homenageado no decorrer da cerimônia.

Presentes no evento, jornalistas, empresários, comerciantes, professores, médicos, artesãos, fazendeiros, bancários e outros profissionais; ampla parceria capaz de despertar e fomentar o documentário da história de Santana do Ipanema, visando o conhecimento de raízes para as futuras gerações.

Sem dúvida alguma foi um evento literário à altura de Santana e que ficará para sempre na memória dos que ali compareceram em 17 de março de 2018. Uma reunião que se prorrogou animada ao som de Levi Malta, Manoel Messias e Fernando Xavier, furando a meia-noite.

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de fevereiro de 2018

Crônica 1.860 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

AABB EM NOITE LITERÁRIA SERTANEJA

 

Convite ao ciclo dos 100 (Foto: Divulgação)

Finalmente amanhã, sábado dia 17, teremos um grande encontro literário. Trata-se de um grupo de 100 pessoas (Ciclo Fechado dos 100) que resolveu financiar o próprio livro “230”, cuja publicação será especial e restrita a 100 exemplares. O livro “230” é uma homenagem do autor santanense, Clerisvaldo B. Chagas, aos 230 anos da fundação de Santana do Ipanema.

É a história dos nossos edifícios públicos, situações e lugares através de fotografias antigas e modernas. O livro/enciclopédia, além da história cronológica dos prédios, situações e lugares, traz legenda, resumo histórico e datas, que irão deixar o leitor bem confortável, polêmico e saudoso, quando “230” se grudará a sua vida.  

O lançamento do livro histórico santanense será apresentado pelos escritores da terra, Fábio Campos e Marcello Fausto, numa típica reunião sertaneja que contará com a participação extra do cantor Manoel Messias, o Imperador do Forró e a cantora revelação do interior Wilma Alves, A Dona da Noite, além de declamação de poesia.

O Ciclo de 100 Guardiões da Cultura Santanense está fechado, mas se houver alguma desistência, haverá repasse  dos faltosos para uma pequena fila de espera. Apenas 100 exemplares serão oferecidos à sociedade santanense, cujas escolas maiores da cidade, fazem parte da lista dos guardiões.

Os trabalhos literários terão início às 20 horas no salão nobre da Associação Atlética Banco do Brasil – AABB.

Entre tantas obras publicadas pelo romancista B. Chagas, estão alguns documentários e didáticos como livros importantíssimos para a história do Sertão como “Geografia de Santana”, “Negros em Santana”, “Ipanema um Rio Macho”, “Conhecimentos Gerais de Santana” e “O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema” (ainda inédito).

Após o lançamento do livro “230”, o autor promete luta para publicar “O Boi e a Bota…”, os romances do ciclo do cangaço: “Deuses de Mandacaru”, “Fazenda Lajeado” e “Papo-Amarelo” e mais “Colibris do Camoxinga”, “Maria Bonita, a Deusa das Caatingas”, “Barra do Ipanema, Um Povoado Alagoano”, “Repensando a Geografia de Alagoas” e “Padre Cícero, 100 Milagres Inéditos”.

Vamos ao clube.

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2018

Crônica 1.859 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Atenção às novas regras do auxílio-doença

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) editou uma Instrução Normativa que muda algumas regras para a manutenção do auxílio-doença. Com as atuais mudanças, a quantidade de pedidos de prorrogação do benefício agora será limitada.

 O Auxílio-Doença é um benefício previdenciário pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS às pessoas que ficarem incapacitadas para o trabalho ou atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos. O período de carência do Auxílio-Doença é de 12 contribuições mensais, no caso do agricultor, deve haver a comprovação da atividade rural pelo mesmo período. Fica dispensado da carência porém o segurado cuja incapacidade laboral for decorrente de um acidente de qualquer natureza ou doença profissional ou do trabalho.

Pelas novas regras, a partir de agora, o segurado que recebe o benefício e não se considera apto para retornar ao trabalho só poderá fazer três pedidos de prorrogação ao órgão. Antes, a quantidade de pedidos de prorrogação era ilimitada. Com isso, ao completar o terceiro pedido de prorrogação ao INSS, o segurado obrigatoriamente terá que passar por uma perícia médica conclusiva. Dessa forma, o perito poderá encerrar o benefício e, caso o segurado não se considere apto para voltar à ativa, pode pedir um novo auxílio ao órgão.

De acordo com as regras atuais do auxílio-doença, o segurado que recebe o benefício precisa, obrigatoriamente, fazer o pedido de prorrogação 15 dias antes do término do pagamento do auxílio.

Outra mudança feita pelo INSS é que, a partir de agora, o trabalhador que se considerar apto para o trabalho poderá voltar à função sem necessidade de realizar uma perícia médica no órgão.

Na prática, se o segurado possuir um auxílio com alta programada (quando o perito estabelece um prazo para cessação do benefício) e não estiver mais doente antes do fim do prazo firmado, ele não precisará aguardar o agendamento de uma perícia e, assim, poderá retornar à empresa. Porém, para isso, o segurado precisa formalizar o pedido através de uma carta em um posto do INSS.

REQUERIMENTO DO AUXÍLIO DOENÇA

Uma vez afastado do labor por motivo de doença ou acidente de trabalho, as empresas devem pagar os primeiros 15 dias de afastamento, e o governo, a partir do 16º, pelo período restante. Contudo, problema bastante recorrente nas agências do INSS de todo o país é a falta de vagas e de médicos aptos a realizarem a perícia médica nos segurados incapacitados.

Em Alagoas, a depender da localidade, o tempo médio de espera para conseguir a realização de uma perícia médica em um dos postos do órgão passa de 60 dias. Nesse caso o segurado incapacitado para o trabalho, além de ficar vários meses à espera da perícia, sem receber o benefício previdenciário, ainda ficará sem o salário da empresa, no caso do segurado empregado, devendo recebê-lo em caso de aprovação em sede administrativa.

Em caso de dúvida procure um advogado de sua confiança!

Uma modinha para recordar

Cine Alvorada (Foto: Arquivo IBGE)

Achei interessante a nova modinha do Facebook, “Diz que é de…”. Ela mostra o quanto somos saudosistas, nos fazendo recordar de lugares, momentos marcantes ou mesmo de figuras importantes em nossas vidas.

No embalo do “Diz que é de…”, me recordei de algumas passagens referentes ao Cine Alvorada. Para os mais novos, este valoroso empreendimento foi possível através da sapiência do empresário Tibúrcio Soares.

O empreendimento de Seu Tibúrcio marcou uma geração de crianças e adultos de Santana do Ipanema. É bem verdade que este não foi o primeiro cinema da cidade, mas ele foi um dos maiores pontos de encontro dos santanenses, na área do entretenimento.

Vale salientar que o Cine Alvorada não foi apenas um cinema, mas uma casa de shows artísticos. Grandes nomes da música nacional se apresentaram, tais como: Agnaldo Timóteo, Odair José, Nelson Ned, Altermar Dutra, José Augusto Sergipano, Patrick Dimon. Esses são só alguns exemplos.

Outra grande atração do local eram os programas de auditório, momento em a juventude convergia nas manhãs de domingo. Entre os locutores que passaram ali destaco: Welington Costa, Cícero Lopreu, Adeilson Dantas, José Arlindo, Antônio Silva, o conhecido “Coronel Ludru”.

No entanto, ninguém marcou mais este evento do que o radialista Francisco Soares, o popular “Chico Soares”.

Também vale lembrar os artistas que se tornaram populares em nossa cidade através dos programas de auditório, entre eles: Waldo Santana, à época “Pangaré”, Denis Marques, Dotinha, Agnaldo Santana, sempre embalados pelas bandas Os Tremendões e MC7.

Mas voltando à moda do Facebook, decidi entrar na onda e aqui compartilho com vocês:

“Diz que é de Santana, mas nunca foi barrado por Seu Costinha, por ter menos de 18 anos”. Seu Costinha era um comissário de menor. Tinham outros, mas nenhuma era tão impiedoso como ele. Se não provasse a idade, já sabia, era barrado.

“Diz que é de Santana, mas nunca foi surpreendido por Zé de Tatá com uma lanterna nos seus olhos, durante a exibição de uma película”. O primo Zé de Tatá era funcionário do Alvorada e, uma das suas funções era identificar quem bagunçava durante o filme. Era constrangedor receber a luz de uma lanterna no rosto, pois ali a pessoa já sabia que iria ser colocado para fora do cinema.

“Diz que é de Santana, mas nunca comprou uva passa a Chica Boa”. Dona Francisca, era uma vendedora de guloseimas, que atraia pela diversidade e novidades da época. Ela nunca aceitou o apelido e não gostava nenhum pouco que assim lhe chamassem. Foi ai que valeu a criatividade do nosso vizinho Márcio Santos, “Macinho”. Uma noite, ele e outro amigo se aproximaram do carrinho de Dona Francisca, ele pediu uma xícara de castanha. Quando a vendedora enchia a xícara, Macinho fez uma observação: Dona Francisca, faça uma xícara bem boa… Bem boa, tá? Ela desatenta, não percebeu a ironia do freguês.

“Diz que é Santana, mas nunca conferiu um cartaz de um filme, na hora da saída”. Na frente do Cine Alvorada tinha uma vitrine em que exibia a propaganda do filme daquele dia. Neste cartaz continha algumas cenas do filme. Era comum, ao final da exibição, juntar uma garotada e ficar verificando se aquelas cenas realmente conferiram com o filme que acabou de assistir.

Uma simples modinha de uma rede social nos mostra o quanto é importante relembramos da nossa história, ainda que seja em tom de brincadeira. Vale como distração, bem como pode servir como terapia, pois, como bem diz um adágio popular: “recordar é viver”.

ROMANCE LITERÁRIO VISTO POR FORA

Os tipos de romances no Brasil podem ser divididos em tipo de abordagem e tipo de escola literária, segundo Débora Silva.

Pelo tipo de abordagem ele pode ser:

 

  • Romance Urbano – Geralmente retrata a vida social das grandes cidades, com suas tramas de traições, amor e situações do dia a dia.

 

  • Romance Regionalista – Mostra questões sociais de determinadas regiões brasileiras, com ênfase nas características e na linguagem do lugar.

 

  • Romance Indianista – Mexe com os costumes indígenas, sendo muito típico e inconfundível.

 

  • Romance Histórico – É que dá ênfase ao modo de vida e os costumes de determinada época e região, na história. Mistura fatos reais e fictícios.

 

Quanto à chamada escola literária, ele pode ser:

 

  • Romance Romântico – Tem destaque o cavalheirismo, os ideais da mulher, numa mistura com o heroísmo.

 

  • Romance Realista – Puxa pelas críticas sociais e análises científicas. Basicamente possui as mesmas características das narrativas realista, tendo sido produzido no mesmo período.

 

  • Romance modernista – Traz um caráter revolucionário com fortes críticas sociais e novas visões do mundo.

 

Diz Aurélio: Romance: “Descrição longa das açõe e sentimentos de personagens fictícios, numa transposição da vida para um plano artístico”.

O romance, além de ser o gênero mais complexo da Literatura goza o prestígio de ser também o mais nobre.

Desse modo, os nossos cinco romances do Ciclo do Cangaço – dois publicados e três inéditos – são considerados Regionais/Históricos. O escritor procura parcerias para levá-los ao Cinema e a Televisão, em longas-metragens:

São eles: “Ribeira do Panema”, “Defunto Perfumado”, “Deuses de Mandacaru”, “Fazenda Lajeado” e “Papo-Amarelo”. Você se interessa pelo assunto? Vamos à luta.

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de março de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.858