Preservar significa, grosso modo, “não destruir” e, “não destruir” assegura, na prática, a possibilidade de continuarmos com nossa existência livre, leve e solta desfrutando as maravilhas oferecidas pela Mãe Natureza. O desafio que se coloca, em tempos atuais, para os que desejam “viver” uma vida mais fraterna e menos desigual, mais digna, menos injusta e ambientalmente saudável, passa, indubitavelmente, por derrubar o atual modelo econômico embasado no consumo desenfreado alimentado por taxas de crescimento econômico superficiais, erroneamente confundidas com desenvolvimento social.
Outro desafio, não menos importante, é colocar em pauta as premissas de um novo modelo econômico que seja capaz, per si, de conciliar a macroeconomia convencional com a questão ambiental. Fazemos alusão a um modelo de consumo, de vida e de produção que se afaste, definitivamente, da sanha consumista que impera no cotidiano de várias sociedades. Que a economia – enquanto ciência – possa também amadurecer o suficiente para esclarecer seus adeptos que consumir menos é, na prática, não agredir o meio ambiente, essa base de riqueza natural de onde provêm os recursos necessários à capacidade produtiva.
Definitivamente, há que prevalecer entre todos (agentes econômicos, governo, pessoas e empresas) o entendimento de que menos consumo é sinônimo de mais vida. Menos consumo permite uma não agressão constante à natureza, tanto no ato da extração, quanto no descarte de produtos (poluição de resíduos). Isso significa vida com qualidade à medida que a palavra “consumir” tem seu significado etimológico ligado ao conceito “destruir”. Decorre daí a imprescindível importância em frear à expansão consumista, alimentada por modelos de produção que correm soltos pelas bases de um custo brutal verificado na destruição dos elementares serviços ecossistêmicos.
Esse modelo econômico patrocinador dessa destruição ambiental muito em voga nas sociedades capitalistas que continuam confundindo crescimento (quantidade) com desenvolvimento (qualidade) não pode mais continuar. O preço de não termos, em tempos pretéritos, discutido e aprofundado essa questão nos custou nos dias que correm a depleção/destruição do meio natural. O resultado aí está: morte de variadas espécies animais e vegetais, desmatamento, poluição atmosférica, contaminação de rios e afluentes, maré vermelha, chuva ácida. Mais desequilíbrios? Que tal lembrarmos-nos do derramamento de óleo no Golfo do México, em abril de 2010; do derramamento de 257 mil barris de petróleo dos navios Exxon Valdez e Prestige, na costa do Alasca, em 1989 e 2002, respectivamente, causando a morte, segundo estimativas, de 250 mil pássaros marinhos, 2,8 mil lontras marinhas, 250 águias, 22 orcas e mais bilhões de ovos de salmão.
Poucos anos atrás, a construção da Central Termoelétrica de Candiota provocou chuva ácida em terras uruguaias. Kloetzel, na obra “O que é meio ambiente”, assim relata esse fato: “A quinta parte do Uruguai, uma superfície de 33 mil quilômetros quadrados, já está sendo afetada pela chuva ácida decorrente da Central Termoelétrica de Candiota. Um informe apresentado ao governo uruguaio por um grupo de cientistas denunciou a gravidade do problema, que alcançará níveis intoleráveis caso se efetive a ampliação da Central. Em Meio, na fronteira com o Brasil e a 40 quilômteros da Central, a acidez da água da chuva chegou a 3 pH, a mesma do vinagre”.
Se não fosse a limitação de espaços aqui, a lista desses desajustes ambientais prosseguiria com os seguintes exemplos: esgotamento de reservas pesqueiras; mais da metade dos rios do mundo em elevado estágio de poluição; vazamentos de resíduos nucleares; derramamentos de cianureto e mercúrio para a produção de ouro; poluição tóxica e a diminuição do fitoplâncton dos mares (responsável pela produção de uma quantidade significativa do oxigênio que respiramos).
Com tudo isso, os ecossistemas naturais são fragmentados e degradados numa velocidade assustadora. Apenas um único exemplo: das 17 reservas pesqueiras oceânicas conhecidas no mundo, mais de 60% apresentam uma retirada de peixes mais acelerada que a sua taxa de reprodução. Assim, de um lado, os níveis de lençóis freáticos desabam; do outro, principalmente nas três maiores áreas produtoras de alimentos (China, Índia e EUA), tem-se intensas queimadas de florestas que contribui para expandir desertos aumentando consideravelmente os níveis de dióxido de carbono o que agrava, sobremaneira, o efeito estufa. Estudos diversos já apontam que o principal rio dos Estados Unidos mal chega ao mar. Assustadora situação também acontece com o Nilo que já apresenta enorme dificuldade em atingir o Mediterrâneo. Decorre disso a urgente necessidade de fazer com que a economia interaja – pacificamente – com a ecologia numa tentativa única: não agredir mais para que continuemos a existir.
EDILÂNIO CUNHA – Jovem santanense criador do Miss e Mister Santana do Ipanema, que vem sendo sucesso a cada ano em nossa cidade de região.
CELEBRIDADE IN FOCO – Como surgiu a idéia de você criar o Miss e Mister em Santana do Ipanema, e seu amor pela profissão?
EDILÂNIO CUNHA – Antes de realizar o miss e mister Santana do Ipanema oficial já realizávamos desfiles e concurso de passarela receberam alguns convites, a princípio ficamos inseguros, mas, com o apoio de coordenadores e pessoas ligadas ao mundo Miss encaramos o desafio e realizamos o primeiro em 2008 onde tivemos a primeira Santanense a estar entre as finalistas do Miss Alagoas e a partir daí só vieram pessoas e momentos melhores onde fomos crescendo e levando o nome da cidade e do estado cada vez mais alto. Hoje já temos em nosso percurso Um mister Brasil teen (Maurício Agra – 2012) dois misters Alagoas (Willys Alan – 2010 e Maurício Agra – teen 2012), duas misses Alagoas (Rafaele Vanderlei – miss Alagoas Latina 2010 e Mayara Barros – teen – Finalista do miss Brasil model em São Paulo – 2010) e outros tantos finalistas em concursos a nível do Estado. Bom em 2006 recebi um convite para desfilar em concurso junto com outras pessoas de Santana, porém tínhamos 2 opções, ou iríamos para a disputa em Maceió, o que na época era difícil para nós ( os pais não deixavam, questões financeiras também, etc.) ou tínhamos que conseguir 20 pessoas para eles virem realizar uma seletiva aqui, nenhum dos demais quiseram e eu consegui sozinho em duas semanas 43 pessoas, a partir daí eu vi que realmente eu me identificava com essa busca e não com a passarela ou modelar de alguma forma, observar, imaginar as pessoas trabalhadas, analisar o perfil me atraia e me fascina até hoje, é na verdade um exercício prazeroso.
CELEBRIDADE IN FOCO – Como você vê esse sucesso hoje depois de tantas lutas para realizar grandes eventos relacionado à moda e Miss/Mister em nosso município?
EDILÂNIO CUNHA – Bom, realmente a jornada não foi fácil, recebemos muitos não, mas acredito que quando se tem amor ao que faz e busca com foco aquilo que se quer o resultado sempre será gratificante. O apoio financeiro e a preparação são os mais difíceis, mas graças a Deus temos um trabalho respeitado e temos o apoio de muitas pessoas que acreditam e que fazem nosso trabalho funcionar. Os títulos alcançados não são nossos enquanto produtora ChinNa model e sim da cidade, do estado, nosso intuito é dar oportunidade a todo esse talento jovem que aqui temos e muitas vezes não tem a oportunidade de mostrar. O título do Maurício (mister Brasil continente turismo 2012) foi realmente uma surpresa, não fomos com o intuito de figurar e sim de concorrer realmente, mas o 1º lugar realmente foi surpresa, onde tínhamos fortes candidatos de estado grandes e com estrutura e ainda Alagoas nunca tinha ficado nem entre os finalistas na disputa, o que nos surpreendeu ainda mais com o título.
CELEBRIDADE IN FOCO – Quais os projetos para 2013?
EDILÂNIO CUNHA – Em 2013 tem muita novidade para quem gosta do mundo da moda e do mundo miss, estamos com um projeto para sediar um concurso a nível de Estado em Santana do Ipanema onde os vencedores irão representar Alagoas em concursos nacionais, estamos com um projeto também para uma semana de moda aqui na região, onde, Santana será o pólo com visitas e presenças jamais recebidas aqui na região.
CELEBRIDADE IN FOCO – Deixe uma dica para quem quer seguir nesse mundo.
EDILÂNIO CUNHA – Bom primeiro precisa ter foco, saber se é isso realmente que a pessoa quer, pois não é uma carreira fácil como muitos imaginam, no início sofre bastante, precisa adquirir experiência, fazer cursos, encontrar pessoas certas, estudar bastante também, é uma formação como em qualquer outra carreira, mas quem pretende seguir a dica é persistir bastante, participar de concursos que tiver uma credibilidade boa, cuidar do corpo, estar sempre pronto (a) nunca esperar para se preparar quando a oportunidade bater na porta, por que pode ser tarde.
Não conheço um artista nesse imenso território chamado Brasil, que tenha retratado tão bem o seu país, o seu povo e suas tradições folclóricas, como o pernambucano filho de Januário e Santana, Luiz Gonzaga do Nascimento (1912/1989).
Entre tantos requisitos, Luiz Gonzaga, ou Mestre Lua, ou ainda Lula Gonzaga, ou simplesmente Gonzagão, foi compositor, cantor, músico, humorista, além de criador de estilos, como por exemplo, o baião. Sem falar que foi o maior divulgador e defensor do forró, do xaxado, do coco do xote, entre outros ritmos brasileiros.
O Mestre Lua, (apelido dado pelo ator Paulo Gracindo, devido ao seu rosto redondo), cantou a riqueza e a pobreza, a alegria e a tristeza, a cidade e o campo, a fauna e a flora. Toda a cultura brasileira foi reverenciada pelo Rei do Baião.
Como ninguém é rei sozinho, Luiz Gonzaga contou com grandes parceiros, ao longo de sua brilhante carreira. Entre eles estão os compositores Zé Dantas, Humberto Teixeira, Patativa do Assaré e João Silva.
Inspirados em seu trabalho Gonzaga revelaria ao mundo da música, artistas, que se consagraram no Brasil e no mundo, como Marinez, Abdias, Dominguinhos, Fagner, Gilberto Gil, Raul Seixas, Elba Ramalho, Alcimar Monteiro, só para citar alguns.
Em defesa da natureza
(Arquivo internet_
Considerado um dos hinos da música popular brasileira, “Asa Branca” (1947) se tornou uma das mais conhecidas e queridas músicas de Luiz Gonzaga, além de ser a mais gravada por tantos artistas. Composta em parceria com Humberto Teixeira, foi eleita em 1997, pela Academia Brasileira de Letras, como sendo a segunda canção brasileira mais marcante do século XX. Nela os autores retratam o sofrimento e a fuga do povo nordestino para outras paragens, devido às longas estiagens, “que braseiro que fornaia, nem um pé de prantação. Por Falta d’água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão”. Vejam que há séculos os autores já retratavam o que ainda hoje vem causado a milhares de sertanejos: sede, fome e morte, deixando um rastro de miséria, humilhação e opressão.
Mais de sessenta anos se passaram, desde que Asa Branca foi gravada, e ainda presenciamos o sofrimento da falta d’água, que mata o gado e causa sede aos sertanejos.
Outro ícone da música popular brasileira, “Assum Preto” foi mais uma das grandes parcerias com Humberto Teixeira. Nesta canção o mestre muda o foco e denuncia o mau trato por parte de passarinheiros, especialmente no Nordeste, com uma ave comum da região (assum preto). Eles [os criadores de passarinhos] achavam que furando os olhos da ave ela cantava melhor na gaiola. Através da melodia ele sai em defesa da ave, quando em um trecho diz: “Talvez por ignorânça, ou maldade das pió, furaro os óio do assum preto, pra ele assim, ai, cantá mio”.
Através de “Xote Ecológico”, Luiz Gonzaga chama a atenção em relação ao desrespeito do qual o ser humano vem, há anos, tratando a natureza, quando ele diz, “Cadê a flor que estava aqui? Poluição comeu. E o peixe que é do mar? Poluição comeu. E o verde onde é que está? Poluição comeu, nem o Chico Mendes sobreviveu”, Nela Gonzaga chamando à responsabilidade todos nós para o cuidado com o meio ambiente, afinal somos parte dele, além de denunciar a morte do seringueiro, sindicalista e ecologista acreano Chico Mendes, morto por fazendeiros em 1988, por defender a natureza.
Humor aguçado
(Arquivo internet)
Com um tom aguçado de humor, em muitas músicas, Gonzagão brinca e conta causos que se passam no cotidiano no povo brasileiro, especialmente no Nordeste. Na música “Dezessete e Setecentos”, ele fala de um certo cara “esperto”, que tenta tirar proveito de uma situação, tentando enganar o dono de um comercio com um troco. “Eu lhe dei vinte mil réis pra pagar três e trezentos. Você tem que me voltar dezessete e setecentos”.
Acostuma a contar causos, o sertanejo é tido com um dos povos mais bem humorados do mundo. É capaz de tirar piada de qualquer situação. “Lorota Boa”, foi mais grande sacada da parceria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, onde podemos perceber, de acordo com os autores, que “o cabra” mente mais do que a peste, veja o porquê: “Dei uma carreira num cabra que mexeu com a Maroquinha, começou na Mata Grande e acabou na Lagonhia”. Vejam só “que mentira, que lorota boa”, pois a distância entre essas duas cidades, uma em Alagoas e a outro no Piauí, é de aproximadamente 822 km, sem dizer que na música ele diz que correu com um balaio cheio de galinha na cabeça. E pra não deixar dúvida de que a lorota é boa, ele continua, “vou contar agora um caso qui astor dia assucedeu, minha sogra ta de prova qui tal fato aconteceu. Uma cobra venenosa vu a veia e mordeu, mais inveis da minha sogra, foi a cobra que morreu”, essa é sem comentário.
Devoção e Religiosidade
Pela sua devoção, Gonzaga sempre destacou a religiosidade em suas músicas. Na composição “Ave Maria Sertaneja”, de Julio Ricardo e O. de Oliveira, ele trás à tona a enorme devoção do sertanejo pela hora da Ave Maria, onde o povo dessa região, às 18 horas, ao final de mais um dia de trabalho, costuma parar e refletir sobre este momento, considerado sagrado. “Quando batem às seis horas, de joelho sobre o cão, o sertanejo reza a sua oração…”
Ao Padre Cícero Romão Batista, considerado o santo dos nordestinos, entre outras homenagens, Gonzaga, em parceria com João Silva, compôs “Viva Meu Padim”, onde mais uma vez destaca a devoção dos nordestinos, que costumam, até os dias de hoje, através das constantes romarias reverenciá-lo, “Eu todos os anos, setembro e novembro vou ao Juazeiro alegre e contente. Cantando na frente sou mais um romeiro”.
Outro que costumava levar milhares de católicos em romarias, que também mereceu a homenagem de Gonzagão foi o frade capuchinho “Frei Damião”, nascido na Itália, foi bastante reverenciado através dos seus sermões pelo interior do Nordeste, “Frei Damião, onde andará Frei Damião. Deu-lhe o destino, viver nordestino, é hoje o nosso irmão”.
Tive oportunidade de ir a algumas missões de frei Damião, onde pude sentir o quanto os sertanejos o respeitavam. E Gonzaga que nunca foi besta, sabia cantar o que o povo gostava, compôs Frei Damião, onde canta: “Pé que pisa a terra, sem caminhos erra, este beco testa-nos e a gente está nas missões. Quer saber do inverno, quer fugir do inferno, quem tem devoção com Frei Damião não tem provação”.
Acredito que um dos maiores momentos na carreira de Luiz Gonzaga aconteceu quando o papa João Paulo II esteve no Brasil pela primeira vez, em 1980. Naquela oportunidade O Rei do Baião cantou “Obrigado, João Paulo”, música que fez especialmente para esta oportunidade, em parceria com o padre Gothardo Lemos. Luiz Gonzaga foi um dos artistas escolhidos para se apresentar ao pontífice, na cidade de Fortaleza. Como numa bênção, foi justamente nesse ano em que Gonzaga iniciou uma turnê pelo País, depois de uma vida conturbada, formando uma parceria com o seu filho Gozaguinha, que ficaria conhecida como “Vida de Viajante”, a partir daí ele adotou o nome de Gonzagão.
Reivindicações, denúncias e lamentos
O maior mestre da música brasileira aproveitou suas muitas relíquias para chamar a atenção da população como um todo, e não apenas dos governantes, para os problemas que sempre assolaram nosso país
Um exemplo clássico disso está descrito na música “Comício do Mato” de autoria de Joaquim Augusto e Nelson Barbalho. Esta ainda é uma das muitas músicas de Gonzaga desconhecidas até hoje por fãs mais devotos, gravada em 1957. “Eu voto por muito pouco, digo agora pro senhor. Grito inté ficar rouco, já ganhou, já ganhou. Quero roupa, quero sapato. Paletó lascado atrás, camisa fina de fato. Tarei pedindo demais? Tarei? Tô não”. Naquela época ele já chamava a atenção em relação aos políticos acostumados apenas a fazer promessas vãs, bem como ao candidato que acabava engolindo a balela do malandro, algo ainda muito comum nos dias de hoje.
(J. Borges)
Assim como Asa Branca, acredito que “A Triste Partida” (1964), de Patativa do Assaré, um dos maiores poetas brasileiros, é uma das mais importantes músicas de Luiz Gonzaga. Da poesia do gênio cearense, Gonzaga conseguiu comover o Brasil, principalmente os retirantes nordestinos que se aventuravam pras bandas do Sul e Sudeste do Brasil. Ouvir é uma coisa, mas só de imaginar o sofrimento de alguém que é obrigado a fugir de sua terra natal, em busca da sobrevivência, somente uma pessoa sem alma para não se sensibilizar de tamanho sofrimento cantado por Luiz Gonzaga, “Em caminhão ele joga a famía, chegou o triste dia já vai viajar. Meu Deus, meu Deus. A seca terrivi, que tudo devora. Ai, lhe bota pra fora da terra natal”.
Durante muitos anos chegou a se pensar que o Nordeste estava fadado à desgraça. Quando não era a seca terrível que afugentavam os nativos eram as enchentes que matava com água. Se em Triste Partida o cancioneiro mostra o sertanejo fugindo da seca, em “Súplica Cearense”, dos compositores Gordorinha e Nelinho, ele retrata a triste sena das enchentes que deixaram milhares de mortos e desabrigados nesta região ao longo do tempo. “Oh Deus perdoe este pobre coitado. Que de joelhos rezou um bocado, pedindo pra chuva cair sem papar. E em outro trecho ele suplica, “Desculpe eu pedir a toda hora para o inverno. Desculpe eu pedir para acabar com inferno, que sempre queimou o meu Ceará”.
Lampião e o chapéu de couro
Uma das maiores características de Gonzaga era sem dúvida a audácia. Ele não demonstrava medo em ser ridicularizado pelos críticos. Com coragem e sabedoria “O cara” incorporou como ninguém o povo nordestino em suas canções e entrevistas. Com seus costumes, vestimentas e forma de se expressar, jamais negou suas raízes. Gonzaga adotou o chapéu de couro, a partir do ano de 1947, semelhante ao usado por Lampião, do qual o Rei do Baião tinha grande admiração. Esse fato lhe causou alguns transtornos, no início da carreira, como por exemplo, ser impedido de cantar na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro com trajes de cangaceiro.
Na música “Lampião falou”, ele, de certa forma, sai em defesa do mais famosa cangaceiro nordestino, “Eu não sei porque cheguei. Mas sei tudo quanto fiz, maltratei fui maltratado. Não fui bom, não fui feliz. Não fiz tudo quanto falam, não sou o que o povo diz”. E completa, “O cangaço continua. De gravata e jaquetão. Sem usar chapéu de couro. Sem bacamarte na mão. E matando muito mais, ta cheio de lampião”.
Localidades
Por fim o Rei do Baião homenageou várias localidades, nesse Brasil de meu Deus. Ao Rio de Janeiro, onde tudo começou ele compôs com Zé Dantas “Adeus Rio de Janeiro”. Na canção ele lamenta deixar tantas belezas, mas promete volta em breve, “Quando eu me alembro de deixar Copacabana, e as morenas que eu tenho visto por cá. Eu fico triste, sinto frio sinto medo. Fico achando tudo azedo, com vontade de chorar”.
Ao nosso estado de Alagoas Gonzaga também falou das suas belezas, como na música “Pedaço de Alagoas”, de Edu Maia. “Tomar banho na bica da pedra. Rever a Pria do Francês e a Barra de São Miguel. Em Conchinha voltar outra vez. Coruripe tem prais tão lindas, que se confundem com mar”. De Lourival Passos ele gravou “Maceió”, na qual também exalta a beleza inconfundível da capital mais bonita do Brasil, “Ai, ai, qua saudade, ai que dó. Viver longe de Maceió”.
O nosso torrão natal, Santana do Ipanema, também não ficou de fora de uma das maelas discografias brasileiras, e foi para nós um grande orgulho ouvir o Rei do Baião cantar “Acordo as Quatro”, de autoria de Marcondes Costa. Nela Gonzagão discorre detalhes da lida diária do homem do campo, no sertão alagoano, “Acordo as quatro, tomo meu café, dou um cheiro da muié e nas crianças também. Vou pro trabáio com o céu ainda escuro, respirando aquele ar puro, que só minha terra tem. Levo comigo uma foice e uma enxada, vou seguindo pela estrada, vou pro campo trabaiá. Vou ouvindo o cantá dos passarinhos, vou andando sozinho, tenho Deus pra me ajudar”.
Entre outras homenagens ele ainda cantou: “Paraíba”, “A Feira de Caruaru”, “Pra Frente Goiás”, “Macapá”, e muito mais.
A discografia do Mestre Luiz Gonzaga é invejável e inexata. Fala-se em quase 200 títulos lançados, entre discos de 78 rotações, elepês e compactos, 1000 músicas, muitas histórias e parceiros desde 1941.
Dedico este texto, assim como fiz em 2008, com o artigo Gonzagão, simplesmente o melhor, ao homem que escolheu a música para expressar todo seu amor ao Brasil e ao seu povo, “Luiz do Brasil”. Que, se vivo estivesse, completaria 100 anos nesta quinta-feira, 13 de dezembro de 2012. A moldura acima foi pintada pelo artista plástico José Ronilvo Soares Ribeiro “Roninho”, o qual, a meu pedido, retratou de forma belíssima a evolução humana, revelando assim aquele que foi o maior ícone da musica popular brasileira.
Como reflexão fica uma frase de Ganzagão, na música “O Urubu é um Triste”: Se a coruja um dia chegasse a ser beija-flor, naturalmente eu teria dinheiro, paz e amor”.
“…Deus criou os monstros do mar, e todas espécies de seres vivos que em grande quantidade se movem nas águas, e criou também todas espécies de aves que voam no céu. A noite passou e veio a manhã. Esse foi o quinto dia. Gênesis 20-22”
Essa é uma história bem antiga. O que vamos contar se sucedeu há trezentos mil anos atrás. Sobrevoando iremos por toda a extensão do vale do Caiçara, por ali vamos. De cima dava pra ver bem, o delta do rio Ipanema, deitado eternamente em berço fulgurante. Dantes, coberto por esplêndida vegetação. Aonde um dia, surgiria o município de Santana do Ipanema. Uma floresta tão densa que não dava pra ver o solo da primitiva pátria mãe. E a flora era dum colorido fantástico, reluzente. Como se briófitas e liquens emitissem raios de luz, produzindo um efeito etéreo, mágico. Como se lá no meio da mata escura, cogumelos luzidios alumiassem aldeias, algumas imaginárias. Não fazia muito tempo, e estávamos na Era do Gelo. Imagine que o céu, se apresentava em duas tonalidades, no horizonte uma nuance violácea, no firmamento um azul de um céu profundo, se tornando cada vez mais escuro à medida que afastava da estratosfera do recém criado, novo mundo. Deus, por essa época, se ocupava, experimentando a Criação. Os planetas, já Ele os havia feito, porém ficaram muito próximos da Terra, de modo que ao observar o céu, dava perfeitamente pra vê-los, sem necessidade de aparelho algum. Saturno com seus anéis, multicoloridos, alternando camadas de pequenos meteoros, e nuvens de gás neon. Plutão, imenso, misterioso, como se a qualquer momento fosse sair de lá dentro, da sua superfície gasosa, um ser mitológico, alado, dotado de três cabeças com potentes chifres, a boca demasiadamente aberta com presas ofídicas, uma couraça revestindo seu corpo, e a ponta da calda terminando em seta. Ameaçava atacar a Terra, porém passava, rente, de modo que se alguém escalasse uma montanha e estirasse o braço seria capaz de tocá-lo. Mas o dragão seguia seu caminho. Ia pela via láctea espalhando as estrelas, deixando um rastro de poeira cósmica.
O sol, uma gema em fogo, mais parecia uma lua vermelho-alaranjada. A quentura mal chegava a terra, E sua luz parecia iluminar somente a ele próprio. A lua ao seu lado, ainda maior do que se apresenta hoje, parecia soprar sobre a terra, uma brisa cor de prata, gélida, que tornava o ar rarefeito, metálico. Deus havia feito tudo isso. Ele o fez. E todas essas coisas estavam muito próximo da terra. De modo que ao longo de muitos milênios lentamente iria se expandir, indo ocupar o lugar, onde se encontram hoje. Essa proximidade de todos os astros e estrelas com o nosso planeta, acabaria por tornar a gravidade da Terra inconstante, de modo que imensas porções de terra e pedras flutuavam na atmosfera. Olhando o horizonte, via-se ilhas de blocos de terra e pedras, como que navegando feito balões. E eram habitadas por gigantescas aves de penas, bico e garras, mas havia também aves com características de répteis, que ao voar emitiam um canto, um longo silvo estridente, como se comunicassem com outros da mesma espécie. Dentre todos eles o mais temido era um que tinha cabeça semelhante ao cavalo, e que lhe cairia bem o nome de Pegassus bucefalus. Dotado de patas que permitia cavalgar, e asas que atacava outras espécies em pleno vôo.
Briófitas que emitiam luzes de cores variadas que correspondiam e identificavam cada uma das espécies. Colibris e mariposas específicas para fecundar cada espécie. Plantas com sensibilidade ao toque, que se abriam somente em determinados momentos e fechavam-se ora pra facilitar os animais alados que promoviam sua fecundação, ora pra capturar suas presas. Escaravelhos que eram atraídos por feromônios. Essas plantas revestiam o solo sedimentar. E possuíam sensibilidade tanta que se recolhiam ao simples toque de elementos invasores. Pterodófitas se elevavam a muitos metros do chão. Os elementos mais presentes ali era oxigênio e hidrogênio. E em menor quantidade enxofre liberado de algumas fendas que existiam no solo. Angiospermas e gimnospermas rica em flores e frutos, de variadas espécies. Ananás, de nuance vária, que brotava nos cardos e pântanos. Árvore de frutos nodosos e atraentes que muitas vezes escondiam armadilhas biológicas, seivas leitosas, resinas odoríficas. Algumas possuíam glândulas por onde liberavam nuvens de pigmentos e tinturas, caso se sentissem ameaçadas. Enormes tapires, javalis e porcos selvagens habitavam as margens do rio e cavavam tocas onde moravam e se refugiavam de tigres de sabres, jaguares e lobos do gênero Canis lupus. Micos habitavam as copas das árvores, e para se camuflar escolhiam árvores de acordo com a cor de sua pelagem. Azuis, amarelos e vermelhos.
Mamíferos, de linhagem mais evoluída que os símios habitavam palafitas ao longo do delta do rio Ipanema. Tribos de primatas, homens das cavernas. Havia os que moravam nas grutas, e outros que para se protegerem das feras, moravam em palafitas, assim era. Ao contrário do homem de Neanderthal, nossos ancestrais não possuíam o corpo coberto de pelos, provavelmente por não viverem em terras geladas. Nossos primeiros habitantes tinham o corpo liso, cabelo espesso e duro, eram pardos. O crânio levemente achatado. Olhos fundos, bocarra, e não tinham barba. Tronco e tórax e membros superiores bem desenvolvidos. Eram exímios nadadores. Viviam da caça e da pesca, da extração de frutos e tubérculos. Já moldavam suas armas e utilizavam o fogo. Feições de homens e mulheres eram muito semelhantes, somente as mamas desenvolvidas nelas, os diferenciavam.
Nesse paraíso viveu Joaracy e Coaracy, um casal de nativos. Nas imediações das terras onde um dia seria o Sítio Laje dos Barbosa. Teve uma ocasião que veio uma tempestade, o rio Ipanema avançou sobre as palafitas, afogando muitos primatas. Joaracy e Coaracy estavam caçando, interromperam a caçada e retornaram a gruta que habitavam. Os afluentes do Ipanema também transbordaram. E as águas soterraram a gruta onde o casal de nativos se abrigava. E o mundo girou, e o tempo avançou. Trezentos mil anos depois, e chegamos a Era Cenozóica da Terra. Período Quaternário, Idade Contemporânea. Lá estava Inácio, professor de história, estudioso de arqueologia, realizando escavações naquele mesmo local. Passou quatro dias escavando, sem nada encontrar, estava pra desistir daquele lugar. E eis que no quinto dia, encontrou. Os corpos fossilizados de nossos heróis, e a ossada de outros monstros que também pereceram na grande tempestade.
As primeiras iniciativas para o desenvolvimento do seguimento industrial de confecções no município, foi através do projeto piloto da Oficina de Moda em 2006, quando a Prefeitura Municipal de Santana do Ipanema comprou 8 máquinas Industriais de costura, capacitou e contratou costureiras e alugou um espaço para realização do Projeto.
Em consonância com a Oficina de Moda surgiu o Núcleo de Confecções Flor do Mandacaru em 2007, em parceria com Associação Comercial de Santana do Ipanema, surge uma nova perspectiva para o seguimento de moda em nosso município, com uma proposta de revelar a criatividade e o talento Santanense, através da criação de peças de roupas desenvolvidas por mulheres, que visam o mercado Alagoano de Confecções. Inspiradas na Flor do Mandacaru trás as cores Verde dos Cactos, Marrom da Terra, Amarelo Sol, Areia do Ipanema, Azul do Céu e o Alaranjado do por do Sol Sertanejo. A Flor do Mandacaru teve o apoio da Prefeitura Municipal de Santana do Ipanema, com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, Sindicato da Industria do Vestuário – SINDVEST, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI.
Luan Soares
A primeira coleção lançada no mercado de moda foi à Flor do Mandacaru, apresentada em 2008, durante o Dia da Moda no Estado de Alagoas. Em 2009 o grupo retornou às passarelas, durante o Maceió Fashion Design, com coleção Flor do Oriente. A coleção apresentada em 2010 foi a Flor da pele e, em 2011 trouxe a coleção inspirada na mulher sertaneja a Flor de Mulher. Em 2012 a Flor do Mandacaru apresentou sua nova coleção Cereus, na Semana de Moda de Maceió no Trend House. As peças foram inspiradas em Maria Quitéria, Baiana, que lutou na Guerra da Independência no século XVIII, e era conhecida como Joana D’ Arc Brasileira.
A Cereus é o nome cientifico do Cacto Mandacaru, este lançamento veio como Up-grade para a marca Flor do Mandacaru, o que oportunizou a moda Santanense para exportação, por sua criatividade, abrindo as portas para empresas investirem e apoiarem esse seguimento de Confecção, que representa um percentual expressivo da economia brasileira. Este trabalho é motivo de orgulho para a Prefeita Dra. Renilde Bulhões e todos os que vêm acreditando e incentivando esse grupo de pessoas que estão tendo a oportunidade de aprender uma nova profissão tendo como garantia de geração de emprego e renda.
Foto Luan Soares
E, assim, em dezembro 2012 o sonho da Prefeita Renilde Bulhões se concretiza com a implantação do Centro de Difusão e Inovação de Tecnologia em Confecções Maria das Virgens Gaia Nepomuceno (Dona Virgínia). É um projeto do Ministério da Ciência e Tecnologia e Prefeitura Municipal de Santana do Ipanema, através do Convênio 00218/2008 e Emenda Parlamentar do Deputado Federal Givaldo Carimbão. Esse projeto conta com 120 máquinas industriais de última geração, além de instalação própria em um espaço amplo e cômodo para a realização desse trabalho. O Centro dispõe de um Laboratório fixo apropriado para treinamentos continuados, garantindo formação aos novos profissionais. Já foram capacitadas 20 Costureiras chamadas de Multiplicadoras, essas 20 repassou todo o conhecimento para os 120 novos costureiros.
Foto Luan Soares
Em lançamento da coleção Alto Verão a Grife Flor do Mandacaru apresentou em desfile peças arrojadas, ousadas e despojadas para mulheres reais, contemporâneas e acima de tudo mulheres de atitude que sabe valorizar o seu espaço e respeitar as diferenças.
Assim agradando a todos os gostos dos mais discretos aos mais ousados, proporcionando principalmente conforto já que o verão é a estação mais quente do ano, além de muita elegância.
Em nome do que se convenciona chamar “progresso econômico”, a agressão ambiental em escala mundial não deixa espaço para dúvidas: o forte desequilíbrio no sistema natural é decorrente das mãos humanas que procura responder às ordens do mercado de consumo. Mais produtos, menos ambiente. Mais economia, menos ecossistema. À medida que o consumo ganha – pela ordem da imposição macroeconômica tradicional – maior proporção e torna-se sinônimo de prosperidade material, os recursos naturais são dilapidados de forma assustadora e o meio ambiente, eixo do sistema-vida, sofre as consequências. Disso decorre o desequilíbrio no sistema de chuvas, altera-se radicalmente o clima, desmata-se, polui-se, agridem-se os lençóis freáticos, chove onde deveria fazer sol, há seca onde deveria ter água. Essa “salada química” é intensa: monóxido de carbono, dióxido de enxofre, eutrofização (degradação do ambiente aquático), pesticidas.
Na busca desenfreada pelo bem-estar o homem moderno se fecha dentro de uma visão míope e rompe seus laços cordiais para com a Mãe Natureza. Que espécie de bem-estar é esse que degrada o ambiente? Que tipo de melhoria de vida é possível num ambiente natural caótico, desequilibrado e dilapidado?
Ainda em nome da expansão industrial, o ritmo alucinado do crescimento de algumas economias – modernas no nome; porém, arcaicas no conceito -, somente tem violentado sobremaneira a natureza. Dentro desse modelo, valoriza-se mais o som da buzina dos automóveis ao som do canto dos pássaros. A fumaça das fábricas passa a ter mais valor que o cheiro do mato. Da macroeconomia convencional vem à palavra de ordem: CRESCER. Pouco importa se a consequência seja DESTRUIR. Inverter esse procedimento é a necessidade mais premente dos dias atuais.
O relacionamento entre o Meio Ambiente e a Economia precisa ser harmonioso, visto que a segunda condição (a atividade econômica) depende da primeira (os recursos da natureza). Nesse pormenor, sempre é oportuno reiterar que o crescimento econômico não pode acontecer sobre as ruínas do capital natural. Contudo, infelizmente, é exatamente isso o que tem acontecido. Atentemos ao seguinte fato: de 1950 a 2000 a economia global foi multiplicada por sete. Nesse mesmo período, a produção de bens e serviços saltou de US$ 6 trilhões para US$ 43 trilhões, e hoje (2012), o PIB global atinge quase 80 trilhões de dólares. Entretanto, ainda não foi devidamente respondido a que “preço” esse elevado crescimento foi alcançado.
Enquanto a economia for responsável por sustentar essa produção/consumo exagerada que ocorre em benefício de poucos, haverá, por brevíssimo período, na outra ponta, uma mesma economia que “sustentará” a mais brutal agressão ambiental já vista. Que tenhamos então condições intelectuais suficientes para entender que a economia e a natureza não nasceram para condenar as pessoas à humilhação, à exploração, à pobreza material ou a dilapidação dos recursos naturais. Antes, Economia e Natureza, juntas, podem representar uma via de acesso às melhorias que levam ao almejado padrão de bem-estar social, desde que caminhando conjuntamente formem uma “parceria” capaz de crescer sem explorar, de progredir sem destruir, pois é perfeitamente possível parar de crescer e continuar a se desenvolver.
Talvez seja por isso que Jean-Michel Cousteau ponderou que “a economia e a ecologia não devem ter conflitos porque hoje são exatamente a mesma coisa”. O curioso é que num passado não muito distante, a ecologia chegou a ser chamada de “a economia da natureza”, dada a íntima relação entre o ato de “produzir” e o de “retirar” recursos da natureza.
Desse argumento de Cousteau resulta reiterar que a economia e o meio ambiente devem sim caminhar em conjunto, pois um é o complemento do outro, apesar de ser a economia um subconjunto do meio ambiente. Para tanto, a ideia central em torno da busca pelo crescimento econômico deve ser revista, pois esse não pode ser patrocinado pela dilapidação/exaustão dos recursos naturais. A própria palavra exaustão (na origem: extremo cansaço) já determina como será no futuro: é algo que vai acabar. Portanto, é necessário moderação na busca pela expansão econômica, uma vez que é impossível crescer além dos limites.
Se há limites esses devem ser respeitados, uma vez que a Terra não aumentará de tamanho. A esse respeito à mensagem é única: usou, esgotou, não teremos mais.
Dessa forma, a história entre economia e natureza em conflito pode ser assim resumida: mais economia (crescimento) é sinônimo de menos ambiente. Logo, crescimento sem regras e sem ponderações aponta para profundos impactos ambientais, afinal, ambiente (ecossistema) degradado, é vida mal vivida.
Marcus Eduardo de Oliveira é professor de economia.
Especialista em Política Internacional, com mestrado pela (USP).
Para o economista paulista Marcus Eduardo de Oliveira, falar em economia sustentável é pura farsa. Em entrevista à rádio Imaculada Conceição, de Campo Grande (MS), no último dia 26 de novembro, o economista ressaltou que “defender o crescimento da economia destruindo as bases ambientais, os serviços ecossistêmicos, desejando que esse crescimento seja sustentável é pura enganação”. A seguir, a entrevista completa do economista.
1. PROFESSOR, QUAL É A SUA VISÃO DA CHAMADA ECONOMIA SUSTENTÁVEL, TÃO DIVULGADA NOS ÚLTIMOS DIAS?
A economia sustentável, tal qual é colocada por aí, para mim é um verdadeiro engodo, uma farsa. Não é possível fazer a economia crescer, sem destruir e ainda querer que essa destruição seja sustentável. Portanto, defender o crescimento da economia, destruindo as bases ambientais, os serviços ecossistêmicos, desejando ainda que esse crescimento seja sustentável é pura enganação. Para mim, a palavra sustentável não se coaduna com a palavra crescimento. Uma fere a outra. Destruir a natureza em troca dos apelos da voracidade do mercado de consumo é, antes disso, destruir as teias que sustentam a vida. Nós temos que entender que o mercado, assim como toda a economia, depende de algo que está acima de tudo isso: a natureza, o planeta, a Terra. A economia, como atividade produtiva, é apenas um subproduto do ambiente natural e depende escandalosamente dos mais variados recursos que a natureza emana. Nós, seres humanos, como todos os seres vivos, somos partes e não o todo desse ambiente natural que contempla a riqueza do viver. É forçoso ressaltar que não estamos na Terra; nós somos a Terra. Portanto, destruir esse habitat em nome de fazer a economia crescer é destruir nossa casa, é tirar o nosso chão. Isso não pode ser, em hipótese alguma, considerado algo sustentável.
2. O SR. ACREDITA QUE AS PESSOAS (DE MANEIRA GERAL) CONSOMEM MAIS DO QUE PRECISAM?
Não tenho dúvidas disso. Eu costumo dizer que “o consumo consome o consumidor”. E isso em escala mundial; porém, o consumo não é para todos. Apenas a parcela mais abastada da humanidade exagera nos hábitos de consumo. Só para termos uma ideia do que estou lhe dizendo, 20% da população mundial consomem 80% de tudo o que é produzido. Ou seja, o grosso do consumo está restrito a uma parcela pequena da população mundial. Para os outros 80% da população restam apenas 20% da produção de bens. O fato é que há uma desigualdade enorme, abissal entre os povos. No mundo, hoje, 20% da Humanidade não hesita em gastar três dólares (algo em torno de R$ 6,00) por dia num simples cappuccino; enquanto, do outro lado do planeta, 40% da população mundial (quase 3 bilhões de pessoas) “tenta” sobreviver com menos de dois dólares por dia. Isso é uma pequena amostra do quão desigual é o acesso aos ganhos monetários e, por consequência, aos bens de consumo.
3. ESSE CONSUMO DESNECESSÁRIO INFLUENCIA NO MEIO AMBIENTE? POR QUÊ?
Influencia da seguinte maneira: a ordem na economia é uma só: abastecer o mercado, produzir mais e mais. Acontece que toda a produção de bens precisa de recursos naturais. Para isso, agride-se a natureza, extraindo recursos em quantidade tal que não é possível sua reposição. Fora isso, grande parte, para não dizer a maioria, dos recursos naturais são finitos, vão acabar um dia. E quanto mais se usa, menos se tem. Essa é a questão primordial. Eu digo que mais economia (ou seja: mais produtos, maior produção) significa menos ambiente (menos recursos). A conta que temos que fazer é a seguinte: a população mundial aumenta a cada dia, mas o espaço habitável não. Ou seja, o que eu quero dizer com isso é que, em números, por dia, 200 mil novas pessoas nascem no mundo, ao ano são mais de 70 milhões…e o número de mortes é menor – mesmo sabendo-se que morre muita, mas muita gente no mundo por motivos diversos – . Bom, essas pessoas estão chegando num mesmo espaço de terra, num planeta Terra que não irá aumentar de tamanho, é e será sempre o mesmo…a Terra não irá aumentar de tamanho…o espaço é fixo, limitado, assim como são limitados os recursos para a produção que é cada vez mais intensa, cada vez maior para atender as necessidades da população que são ilimitadas. Essa é a conta que não fecha. Tem um dado bem interessante que é o seguinte: em 1900 havia exatamente 1,5 bilhão de pessoas no mundo. Hoje, somos 7 bilhões. Em 1900, o planeta Terra tinha exatamente o mesmo tamanho que tem hoje. Está claro isso? Logo, as consequências disso são cada vez mais desastrosas, cada vez mais se gera com isso desigualdades, distorções. Não é à toa que temos no mundo 1 bilhão de estômagos vazios e de bocas esfaimadas…não porque faltam alimentos, mas porque a distribuição não é feita de forma igual. Eric Hobsbawn, um dos maiores intelectuais de todos os tempos, falecido recentemente, dizia que “Ou ingressamos num outro paradigma ou vamos logo mais à frente encontrar a escuridão”.
4. NESTA ÉPOCA DO ANO AS PESSOAS COSTUMAM CONSUMIR MAIS, AS INDÚSTRIAS PRODUZEM MAIS E AS PROPAGANDAS NOS CHAMAM O TEMPO TODO PARA O CONSUMO. COMO MANTER A CALMA E UTILIZAR BEM ESSE DINHEIRO A MAIS (COMO O 13° E GRATIFICAÇÕES)?
A primeira coisa mais saudável que temos que fazer é fugir das tentações expostas pela propaganda televisiva. Até para não cairmos naquilo que disse de sermos devorados pelo consumo. Eu entendo que deveríamos adotar a prática da poupança, ou seja, sempre guardarmos um percentual dos ganhos. Grande parte das pessoas, por estarem inseridos nessa onda do consumo fácil, entrega 100% de seus ganhos ao consumo. Adotar uma postura mais moderada, conservadora e poupar pelo menos 25% de seus ganhos somente irão trazer benefícios a todos, até mesmo porque, lá na frente sempre aparecem gastos de última hora, que não estavam previstos, e nada melhor para enfrenta-los do que estar preparado para isso. Ao mesmo tempo, fazendo isso, diminuímos a sanha consumista.
5. QUE TIPOS DE VALORES DEVEMOS CULTIVAR PARA CONSEGUIR NÃO SER ATINGIDO PELO MUNDO DO “TER”?
Eu penso que se cultivarmos uma filosofia de vida diferente isso nos fará muito bem. Que tipo de filosofia é essa? Entender que o materialismo não leva à nada, apenas produz mais estragos que benefícios. Santo Agostinho tem uma frase que eu acho espetacular. Dizia ele que “o supérfluo dos ricos é o necessário dos pobres”. Ou seja, todo consumo excedente, exagerado, sem limites, apenas faz desequilibrar a balança da desigualdade. Um colega de profissão, economista britânico chamado Tim Jackson, diz que “A Era de comprar coisas que você não precisa, com dinheiro que você, às vezes, não tem, para impressionar pessoas com quem você não se importa, já se esgotou, já chegou ao fim”. Se cultivarmos esse tipo de filosofia, entendendo sempre que o mais importante é SER e não TER, é um bom caminho para frearmos essa sociedade consumista que vemos estampadas todos os dias por aí.
Everton Lacerda com apenas 17 anos de idade, vem se destacando, através de belos textos no seu facebook, ele que foi Mister Santana do Ipanema, 2011/2012. Em breve estará lançando seu primeiro livro, reside em Santana do Ipanema e estudante do 3º ano do ensino médio no Colégio Divino Mestre.
Nunca deixar de acreditar
Verdade é aquilo que você acredita. É aquilo que você não duvida, não desiste, não espera. Eu tenho medo de que as pessoas não esperem por mim. Eu não acredito nas pessoas. Eu tenho medo das opiniões das pessoas. Eu não acredito em mim.
A mentira é isso. É você não acreditar. Quando você não acredita em algo, aquilo passa a não tornar-se verídico para você. Acredite na vida, nas pessoas. Mas, não em tudo o que elas falam para você. Não em tudo o que dizem para você. Acredite nos detalhes. Nos olhares, nos momentos difíceis, na precisão.
Não desista daquilo que vale a pena para você. Não mude de opinião, por medo de algo ou de alguém. Não desista de ser você. Utilize os fatos e a sua imaginação, as dúvidas e as certezas de quem busca pela a verdade. De quem existe, e acredita que existe.
Eu estou cansado de viver como um cego, mas nunca me dei bem vivendo como sábio, com sentimentos que corrompem a minha sapiência, através das mágoas e das decepções da vida. Se quiser acreditar, não crie expectativas. Se quiser acreditar, não tenha medo de se decepcionar. As pessoas tem medo, de que um dia as pessoas não o tenham mais. Por isso, levante a cabeça, lute, mas sem força, e sem violência. Lute, com sua vida, com sua cabeça. Contra si próprio. Enfrente seus medos, suas dúvidas e até suas crenças. Não tenha medo de mudar de opinião, de enfrentar novos caminhos.
Proibido, é querer voltar atrás, ou ficar parado onde se está. A vida é para ser vivida, como dizem. É para ser caminhada, e explorada. Se fosse proibido conhecer, como chegaríamos a algum lugar? Não é proibido seguir em frente, mesmo que seja por outras formas, mesmo que seja com outras atitudes, com outros sentimentos, com outras pessoas. A vida é uma forma de reviver, viver, e viver de novo. Por isso não desperdice, não morra. Acreditem, apenas.
Para tanto, além do que já tinha guardado em mente, recorri a pesquisas na biblioteca pública municipal Breno Accioly, localizada provisoriamente no Centro de nossa cidade. De qual momento quero deixar o meu apreço pela atenção dedicada pelas bibliotecárias, Cícera e Letícia.
A identidade de um povo é a sua história. O retrato que vemos hoje é o reflexo do que fizerem os nossos antepassados, bem como o nosso futuro se colocará da forma a qual estamos construindo neste momento.
Então, se você não sabia fique sabendo:
1ª – Que Mário Silva é o 13º prefeito eleito pelo voto direto, de Santana do Ipanema e o quarto prefeito eleito a ter exercido o cargo de vereador. Quando Mário Silva assumir, em janeiro de 2013 serão 17 mandatos exercidos por 13 prefeitos.
2ª – Que a prefeita Renilde Bulhões foi a primeira mulher a assumir o Executivo santanense, em 2001, bem como a primeira prefeita a se reeleger, em 2008. Até o ano de 1996 não era permitido a reeleição no Brasil para os chefes do Poder Executivo Municipal, Estadual e Federal.
3ª – Que o primeiro prefeito eleito pelo voto direto foi Joel Marques, em 1936, e seu filho Adeildo Nepomuceno Marques o primeiro vereador a se eleger prefeito de Santana.
4ª – Que Adeildo Nepomuceno Marques foi o único prefeito eleito por três vezes:
de 1951 a 1955
de 1966 a 1969
de 1973 a 1977
5ª – Que Paulo Ferreira de Andrade foi o político que mais se candidatou a prefeito e vice-prefeito de Santana do Ipanema; quatro vezes a prefeito e duas a vice. Sendo candidato a prefeito pela primeira vez em 1972, não obtendo êxito.
De 1983 a 1988, Paulo Ferreira exerceu o cargo de vice-prefeito e em seguida foi eleito duas vezes prefeito, entre os anos: de 1989 a 1992 e de 1997 a 2000.
6ª – Que a vereadora Josefa Eliane Bezerra, a Fofa, foi a primeira mulher a presidir o Legislativo santanense.
7ª – Que o vereador Luciano Gaia é o vereador com maior número de mandatos. Em janeiro de 2013 deverá exercer o cargo pela nona vez. Desde a primeira vez em que foi eleito vereador, em 1971, Luciano só não exerceu o mandato nos exercícios de 2001 a 2004 (Marcos Davi) e de 2005 a 2008 (Renilde Bulhões).
8ª – Que o Coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão foi eleito o primeiro deputado estadual para representar Santana do Ipanema, em 1950. Seguido de Siloé Tavares, ex-vereador, e do ex-prefeito Adeildo Nepomuceno Marques.
9ª – Que as cidades de Major Izidoro, Olho d’Água das Flores, Olivença, Carneiros, Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Banco e Senador Rui Palmeira, já foram distritos de Santana do Ipanema.
10ª – Que a emancipação política de Santana do Ipanema é comemorada no dia 24 de abril, apesar de o Município só ter passado à condição de cidade no dia 31 de maio do ano de 1921, isso porque, antes da proclamação da república, as povoações eram elevadas a vilas de acordo com o sistema português.
No Brasil colonial a data correta da fundação de municípios era a da criação da vila. Com a vila, o arraial ou freguesia, adquiria a sua autonomia político administrativo, podendo escolher o seu intendente (prefeito) e conselheiros (vereadores). Santana do Ipanema, ainda Santana da Ribeira do Panema, passou à sua condição de cidade (vila) emancipada politicamente, através da Resolução nº 681, de 24 de abril de 1875, se desmembrando da Comarca de Traipu.
Prefeitos de Santana do Ipanema, eleitos pelo voto popular:
Joel Maques 1936/1938
Coronel Lucena Maranhão – 1948/1951
Adeildo Nepomuceno Marques – 1951/1955
Hélio Cabral do Nascimento – 1956/1960
Ulisses Silva – 1961/1065
Adeildo Nepomuceno Marques – 1966/1969
Henaldo Bulhões Barros – 1970/1972
Adeildo Nepomuceno Marques – 1973/1976
Genival Wanderlei Tenório – 1977/1982
Isnaldo Bulhões Barros – 1983/1988
Paulo Ferreira de Andrade – 1989/1992
Nenoi Pinto – 1993/1996
Paulo Ferreira de Andrade – 1997/2000
Marcos Davi Santos – 2001/2004
Renilde Silva Bulhões Barros – 2005/2008
Renilde Silva Bulhões Barros – 2009/2012
*Referencia da pesquisa: Livro Santana do Ipanema conta a sua História; Floro de Araujo Melo e Darci de Araujo Melo.
Cidade de Santana do Ipanema, de ruas e praças espraiadas no tabuleiro inconstante do rio. As casas, teclado vivo de um órgão descomunal, melodiavam uma melodia diuturnamente, intensa, incansável. Ora suave e relaxante, ora extravagante e profusa. Ainda assim sonoridade semi Vivaldiana.
Magníficas elevações serranas circundantes lembravam, aos deslumbrados contempladores, ursos hibernantes. E o povo como que em êxtase, dormia um sono acordado, e o mais que sabiam, era ouvir e contar histórias. Reais ou inimagináveis, de sujeitos e pátria desimportantes até. Porém criam.
Glauco e Otávio ali se haviam um dia. Num tempo, que a gente jamais esquece. Tempo em que os trovões eram roucos de se ouvir. E o céu de toda manhã se abria como fenda de fogo vivo que aparece. Tempo, em que Deus estava ainda terminando de fazer o mundo. E ao separar as águas do elemento terra, acabou por ficar tão escasso ali. Glauco era homem do campo. Amava o cultivo do solo. Ainda bem cedo, quando os primeiros raios de fogo tocavam-lhe as faces, punha-se de joelhos. E fincando suas duas mãos no solo do sertão, pedia a benção, a mãe terra. Elevando os olhos aos céus, atirava um punhado de pó ao vento, e agradecia a Deus. E nas festas da Padroeira Senhora Santana, não importava se o ano fora seco ou de fartura, não faltaria com a oferenda, ao templo de Jerusalém, remanescente de Israel. Tantas sacas de feijão e milho doaria para o leilão. Pra o compadre Ermíndio, dono da farmácia, certamente não faltaria um peru gordo cevado, no natal. Doutor Cleófanes médico obstetra, ganharia um queijo, uma galinha, um dúzia de ovos de capoeira. O prefeito que atendera seu pedido de limpar o açude seco, planear a estrada, pra ele uma marrã de ovelha, que ele mandaria matar, e com os amigos comeria, regado a bom uísque.
Otávio, nosso outro personagem, vivia vida de gado, um povo marcado, um povo feliz. Porque gado aquela gente marcava, a ferro e fogo. Mas com gente, não era muito diferente. E o mundo vivia girando sob as patas de seu cavalo. O elemento água também essencial era ali. E Otávio trouxe até sua propriedade um mago. Um homem sábio de lugar longínquo veio. Conhecedor das ciências ocultas, deitava orações para afastar maus-olhados, curava doenças. Livrava da morte certa animais picado por bichos peçonhentos. Pras os confins da terra afastava pragas da palma, enxames de abelha, cupim da madeira, mosca do chifre, maleita, macacoa e sezão. Tudo isso fazia. E tinha outro dom especial, sabia os locais onde havia água no subsolo. De olhos vendados, portando uma forquilha, de um pau que ele sozinho ia buscar no mato, localizou água quase na divisa da propriedade com o vizinho Glauco. Em parceria cavaram um poço, e ambos utilizavam a água. Assim o fizeram. Otávio também doava seu dízimo na festa da padroeira Senhora Santana. Tantas cabeças de gado. E os dois eram como aqueles irmãos, tementes a Deus, narrado no livro sagrado. Suas casas louvavam ao senhor todos os dias. E os filhos pediam a benção, em três momentos no período de um dia: Ao levantar-se, após as refeições, e ao deitar-se.
Um dia, ao cair da tarde Otávio pastoreava seu rebanho, pitando um cigarro de palha. E eis que foi se encontrar, olhando pras bandas do fim do mundo. Justamente do lado oposto da sua propriedade e de seu amigo, que apontavam rumo ao sol nascente. E caiu em si, numa pergunta. O que haveria pra além do que seus olhos alcançavam? Sem dizer nada a ninguém, quis ele mesmo tirar suas dúvidas. Na manhã seguinte partiria, assim o fez. E Otávio sumiu no oco do mundo. Os seus entes queridos deram-no como morto. Seus filhos e esposa tocaram a vida, como se órfãos e viúva fossem. Porém Otávio morto não estava, e depois de sua longa jornada voltou. Voltou pelo outro lado do mundo. Pois uma volta completa sobre a terra ele dera. E chegou justamente na propriedade do amigo Glauco. Por aquele, teria sido muito bem recebido. Como a um filho pródigo. Recebido com honras e festa, assim o fora. Porém notou que o amigo havia voltado com outro semblante. Os cabelos tornaram-se grisalhos, cultivara uma longa barba igualmente branca. Assemelhava-se a Moisés, depois que descera do monte Horebe. O amigo adquirira sabedoria. E passada a euforia do reencontro, quis o amigo viajante ter uma conversa com o amigo arraigado. Eles que, desde que se entendiam de gente, nunca, jamais haviam deixado suas propriedades. Otávio afinal havia rompido com aquele interdito, imposto por eles mesmo. Deus não tinha participação naquela decisão deles.
E tiveram um diálogo. Disse Otávio: – Glauco! Quero lhe falar do que vi nessa viagem que fiz. Imagine um muro bem alto, separando o mundo de fora, desse nosso mundo. Pra que você entenda melhor, chamarei de caverna. A caverna é o mundo onde só existimos nós, a minha e a sua propriedade, a minha e a sua família. Todos os dias chega um raio de luz, o sol que nasce a cada manhã. Como aqui permanecemos desde que nascemos e crescemos, só conhecemos essa realidade. Apesar de ter uma vida livre, de poder ir e vir por toda extensão de nossas propriedades, vivemos como que acorrentados. Sem poder nos movermos, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna. Não deixa de ser um belo cenário que aprendemos, desde de pequenos, a contemplar, amar e se sentir feliz. Ali no firmamento, todos os dias, vemos projetadas sombras de outros homens que estão para além do muro, separando o fim do mundo. E aqueles mantêm acesa uma fogueira. A luz projeta uma imagem que julgamos real, porém não passa de imagem. A realidade Glauco, está para além do fim do mundo. Ao fazer essa viagem em torno da terra, eu rompi com esse eterno estado de sonho, um mundo fantasioso, não real, em que vivíamos. Acatar tudo que nos é imposto, leis, proibições, governo, religiões. O sistema perverso hierarquizado, saúde, educação para todos, direito a ir e vir, liberdade de expressão. Tudo conversa pra boi dormir, um eterno faz de conta. E nós isolados do resto do mundo achando que assim éramos felizes.
Otávio, disse que, o que tinha pra dizer já havia dito. E que o amigo agora também passara a conhecer a realidade, cabia a ele continuar aceitando tudo como dantes. As correntes que nos prendem, fomos nós mesmos que a criamos. Ninguém está livre delas, resta-nos pelo menos entendê-las. Somos todos atores, partícipes duma grande encenação. “E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial, que está contribuindo com sua parte para o nosso belo quadro social”.
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