A TURMA DO FUNIL

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2014

Nº 1.217

Turma+do+Funil+-+carnaval+20101Lá nos idos da era 60, surgiu uma marchinha de Carnaval, entre tantas outras, simpática e que deixava eufórico o participante da brincadeira. Numa composição de Mirabeau, M. de Oliveira e E. Castro, a música carnavalesca chamava-se “A Turma do Funil”. Na minha terra foi formado um bloco com esse nome, tendo a marchinha como carro-chefe. Desfilando pelas ruas e entrando nas casas dos influentes, lá ia à rapaziada:

Chegou à turma do funil

Todo mundo bebe

Mas ninguém dorme no ponto

Ai, ai, ninguém dorme no ponto

Nós é que bebemos e eles ficam tontos (BIS)

Como jovem adolescente eu pensava como seria bom fazer parte da Turma do Funil. A maioria fantasiada, alguns com os rostos cheios de farinha de trigo, todos conduzindo garrafas e funis. Sempre havia um trio musical composto, geralmente, à base de sanfona, pandeiro e triângulo. Aquela latomia pelas ruas e avenidas da cidade iniciava cedo e se prolongava até às 13 ou 14 horas quando a turma começava a se dispersar.

Não tinha quem não acompanhasse a musiquinha;

Eu bebo, sem compromisso

Com meu dinheiro

Ninguém tem nada com isso

Aonde houver garrafa

Aonde houver barril

Presente está à turma do funil.

Ao ver o jogo Grécia X Costa Rica, o sofrimento dos latinos, veio imediatamente à imagem do funil do vestibular, o objeto de zinco mais temido da época. E o bloco de Carnaval da “Rainha do Sertão” também veio à tona.

As etapas da copa se afunilam e, só os privilegiados rompem a parte delgada do instrumento infundíbulo.

Queiramos ou não, todos nós pertencemos À TURMA DO FUNIL.

A CORAGEM DE JOÃO PUÇÁ – Um conto na esteira de caboclo

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de junho de 2014

“Crônica Nº 1.216”

Cangaceiro Marcello e seu cachorro guarani (Foto: Edson Vieira)

Cangaceiro Marcello e seu cachorro guarani (Foto: Edson Vieira)

João Puçá não mais suportava a pressão do coronel Cantídio Fula. Homem direito, trabalhador e pobre, Puçá vivia quase escondido receoso das ameaças do coronel. Além de não conseguir deixar a penúria, por falta mesmo de sorte, João meditava em como escapar à pobreza desse mundo. Fora acusado de furto nas terras do coronel, pelo próprio ladrão, jurara inocência, porém, Cantídio Fula, entre a verdade e a dúvida, preferia ir jurando o trabalhador braçal.

Não podendo mais continuar daquela maneira, João inspirou-se num sonho, resolveu deixar os esconderijos e falar diretamente com o fazendeiro Cantídio. Fora enviado um portador à fazenda do homem que dava às ordens em uma grande extensão de terras. Voltou o estafeta dizendo a João Puçá: “O homem tá disposto a recebê-lo, João”.

João partiu para a fazenda do poderoso senhor encontrando-o numa antiga cadeira de balanço, rodeado por vinte enfarruscados capangas. Com poucas palavras, João chamou o coronel para uma aposta. Cantídio Fula só faltou engolir o charuto com a surpresa apresentada por João. “Mas o que é mesmo que você estar me propondo, homem?!”.

E Puçá, resoluto disse: “Hoje Brasil joga com a Argentina, não é? Eu aposto num palpite, o Brasil ganha. O senhor aposta em dois palpites: vitória da Argentina e o empate”.

O coronel, conhecido matador de gente, arregalou os olhos diante daquela ousadia. Puçá continuou: “Se o Brasil ganhar o senhor me paga, isso aqui”, e lhe mostrou a quantia escrita num papel e que não era tão alta assim. Cantídio puxou uma tragada longa e, rodeado pela curiosidade dos jagunços, indagou como ficaria se o Brasil perdesse ou empatasse.

“Eu deixarei de viver escondido, venho aqui para o senhor me matar. Só peço que não me judie e mate de bala”.

O coronel Fula jamais havia ouvido coisa semelhante e, ainda surpreso indagou: “E se o Brasil ganhar, você acha mesmo que eu lhe darei essa quantia? Veja esses homens aí, tudo sedento de sangue…”.

João respondeu que sim, “pois eu nunca ouvi dizer que o senhor faltasse com a palavra e eu também, não”.

Um silêncio enorme aguardava o sim ou não do coronel Cantídio Fula. Mais de dez minutos se passaram como se não houvesse um só vivente por ali.

Por fim, o coronel levantou-se, entrou em casa deixando a expectativa lá fora. Um cabra alto, moreno e enfarruscado, chamado Marcello Fausto, aproximou-se de Puçá e cochichou: “Não dou destões por sua vida”.

Quando o coronel retornou à varanda trazia uma chave na mão e foi dizendo a Puçá:

“Tome essa chave. É da fazenda Serrote Preto que das dez que eu possuo é a melhor; está sem morador. Ela é sua com tudo que tem dentro e ainda hoje vou providenciar a documentação. Não precisa fazer aposta. Um homem que tem uma coragem desta veio enviando das coisas do outro mundo. Quando você tiver na sua fazenda quem vai lhe chamar de coronel sou eu”.

E assim, até os cordelistas enfeitaram o mundo com A CORAGEM DE JOÃO PUÇÁ.

ACEITA UMA MORDIDINHA?

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de junho de 2014

Crônica Nº 1.215

Foto: Ilustração

Foto: Ilustração

Diz o mestre alagoano que mordida é uma dentada. Aurélio escrito tem razão e o seu dono deve ter pensado numa dentada supimpa na hora de catalogar a coisa. Dentada é caso interessante, pois todos mordem, tanto os animais quanto os humanos. A mordida pode ter vários significados dependendo do momento e da vítima. Morde-se por amor, por ódio, pelo prazer sexual, pela ternura e muito mais.

O jumento morde a jumenta, o homem morde a amante, Mike Tyson morde Holyfield e por que o Soares, uruguaio, não poderia plantar o par de queixos 32 em seu adversário de Copa do Mundo? A pior dentada, todavia, é a do rei dos animais. Dentadas das “mile peste” que são capazes de desmontar qualquer devedor de imposto de renda e, que logo depois, fica com os “quartos” desmantelados.

O mundo inteiro mostrou, através da mídia o flagrante equino de Soares. Não temos autoridade para dizer se a dentada do homem foi bonita ou feia. Para os comentaristas, o ato medonho do jogador teria sido condenado como fora do desporto no geral. Mostraram a nódoa da investida e, se não deu para notar as marcas dos dentes, pelo menos estava lá no ombro da vítima o vermelhão. Um vermelhão que parecia um beijo com batom de propaganda.

Que tipo de mordida teria sido aquela, meu amigo leitor? Uma mordida de desespero? Uma mordida de fúria? Uma dentada de admiração? Um grito disfarçado de: “Eu te amo, seu peste, por que não presta atenção em mim?” Só sabemos que a incomum botada de Soares, causou grande sucesso no mundo. Se o ato foi positivo ou negativo para a FIFA e para a Terra, o brado retumbante deixou o atleta sul-americano em evidência, gerando inúmeras oportunidades de sucesso.

Quantas dentadas ainda vão aparecer na copa? É que se a moda vinda do Uruguai pega, iremos terminar como A Copa das Mordidas.

Estar pensando em quê, você que vai curtindo uma geladinha nos bares da cidade? Ao chegar a casa ou à esquina, quando sua namorada ou esposa perguntar: “ACEITA UMA MORDIDINHA?”. Aceite logo, seu besta, que o negócio é bom.

E O TIRA-GOSTO, MANÉ?

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2014

Crônica 1.214

PARA O ESCRITOR FÁBIO CAMPOS

Foto: Ilustração

Foto: Ilustração

Bons tempos aqueles em que trabalhamos juntos no Encarte Jornal de Alagoas. Com as redações feitas, escolhia a que interessava e pedia ao companheiro Roberval Ribeiro que desenhasse a charge da matéria, sempre dando a ideia. A inteligência privilegiada do desenhista (hoje, empresário dono da ROBRAC) saía sempre como as melhores de Alagoas, superando veteranos da capital.

Fez-me falta no momento o Jornal e o chargista, pois iria pedir ao artista plástico que desenhasse São Pedro vestido de verde e amarelo com a bola do Brasil debaixo do braço e mais os acessórios de expressões e vitória. Como a goleada do Brasil foi à véspera de festa do santo “nordestino”, várias outras situações imaginárias por certo iluminariam a equipe do encarte.

Mesmo assim poderemos dar um mote ao amigo Fábio Campos, desenhista e escritor “mentiroso” para mais uma das suas crônicas de ficção a que ele chama de contos: Um sujeito estava assistindo o jogo Brasil x Camarões, estressado e roendo as unhas. Na hora em que Neymar foi chutar a gol, faltou energia. Lá fora, o cabra da Companhia Energética, descia do poste, pois cortara a sua luz por falta de pagamento. O resto da história fica por conta do amigo escritor, o estressado e a foice que estava atrás da porta.

Admirando muito o futebol africano, pois ele é alegre, veloz e parecido com o futebol brasileiro, não tive como torcer em favor daquele continente. Temos a impressão de que o futebol africano tem tendência sul-americana e não vai à frente porque é treinado por técnicos europeus.

De qualquer jeito, perante a vitória maiúscula do Brasil, vamos à confraternização geral em procura de alguma coisa forte para beber. Como dizia um galego, até aguarrás serve. Mas nesse dia arretado de São João a resposta para os donos de bar é uma só após a pergunta safada que se esconde por trás da ironia: E O TIRA-GOSTO, MANÉ?

SÃO JOÃO, UM SANTO NORDESTINO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2014

Crônica Nº 1213

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Entre os quatro santos mais populares do Nordeste brasileiro, está São João, celebrado hoje em todos os nove estados dessa banda do mundo. Para a Igreja católica ele foi o último profeta; para o Espiritismo, a encarnação de Elias, para o Nordestino, o santo da preferência geral.

“Com satisfação lembramos a santidade de São João Batista que, pela sua vida e missão, foi consagrado por Jesus como o último e maior dos profetas: ‘Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João, o Batista… De fato, todos os profetas, bem como a lei, profetizaram até João. Se quiserdes compreender-me, ele é o Elias que deve voltar’. (Mt 11,11-14)”

“Filho de Zacarias e Isabel, João era primo de Jesus Cristo, a quem ‘precedeu’ como um mensageiro de vida austera, segundo as regras dos nazarenos.

São João Batista, de altas virtudes e rigorosas penitências, anunciou o advento do Cristo e ao denunciar os vícios e injustiças deixou Deus conduzi-lo ao cumprimento da profecia do Anjo a seu respeito: ‘Pois ele será grande perante o Senhor; não beberá nem vinho, nem bebida fermentada, e será repleto do Espírito Santo desde o seio de sua mãe. Ele reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus: e ele mesmo caminhará à sua frente… ‘ ( Lc 1, 15)

São João Batista desejava que todos estivessem prontos para acolher o Mais Forte por isso, impelido pela missão profética, denunciou o pecado do governador da Galileia: Herodes, que escandalosamente tinha raptado Herodíades – sua cunhada – e com ela vivia como esposo.

Preso por Herodes Antipas em Maqueronte, na margem oriental do Mar Morto, aconteceu que a filha de Herodíades (Salomé) encantou o rei e recebeu o direito de pedir o que desejasse, sendo assim, proporcionou o martírio do santo, pois realizou a vontade de sua vingativa mãe: ‘Quero que me dês imediatamente num prato, a cabeça de João, o Batista’ (Mc 6,25)

Desta forma, através do martírio, o Santo Precursor deu sua vida e recebeu em recompensa a Vida Eterna reservada àqueles que vivem com amor e fidelidade os mandamentos de Deus”.

Com a vitória do Brasil, hoje, vamos todos curtir SÃO JOÃO, UM SANTO NORDESTINO.

Fonte: Canção Nova.

DONDE VAIS ESCREVEDEIRA DE GARGANTA PRETA?

João Baptista, e André Soares constituíam-se amigos. João Baptista morava na Quinta da Vinha. Província de Vieira do Minho, proximidades da cidade de Braga, norte de Portugal. O outro, era brasileiro, nascera no nordeste brasileiro, porem desde muito jovem morava no Rio de Janeiro. O que os unira, o fato de serem ambos naturalistas. Em plena selva amazônica, num congresso sobre fauna e flora tropical, conheceram-se.

Milhares de quilômetros de céu marinho, debaixo de águas oceânicas separavam-nos. Um pequeno obstáculo geográfico, talvez fosse só um detalhe. Não se constituindo jamais empecilho pro amigos. Mantinham portanto constante correspondência. E a cada dia, lá ia o funcionário do correio, vermelho e verde na farda, uma estrada, uma casa de pedras. O frio madrugador se dissipando sob o sol. E os galináceos em sua variada linhagem jamais indiferentes os intempérie da friagem, cumpriam sua missão de acordar o dia. De ciscar o terreiro de além açores, de alçarem vôos até pelo menos dois infinitos. Em todo seu esplendor de luz e calor, de dar vida ao mediterrâneo. Enquanto ia o sol predestinado, espreguiçando-se sobre a Europa. De tanto se esticar em luminosidade, acabava vindo esbarrar na América. Só quem via e sentia, sabia o quão era bom, ter a posse de tudo aquilo. De acordar todos os dias, e ter diante de sua existência, montanhas deslumbrantes, recoberta pela plumagem da floresta arbustiva. E o céu de Deus vinha vindo, e descia sobre o céu dos homens, num constante indo e vindo. O rio Ave, a ponte. A ponto de não mais distinguir-se o que era cenário, ou se cenáculo. Enquanto bovinos lá longe, biscuits estáticos, a gramearem grama verdinha, verdejante somente muito longe. E aquele, tinha o propósito de vir ao Brasil num monomotor, do tempo da segunda guerra mundial.

“E o Senhor me perguntou: “O que você está vendo, Amós?” “Um prumo”, respondi. Então disse o Senhor: “Veja! Estou pondo um prumo no meio de Israel, o meu povo; não vou poupá-lo mais. Amós 7-8”

João Baptista, do vale do Cávado, de origem camponesa. Estudou na Universidade Católica Portuguesa na “cidade da juventude”. O Centro de Cooperação Cultural possuía diversos albergues, o que tinha de velha, vibrava na população universitária tão jovem. Assim era Braga. E no mês de maio tinha a tradicional festa do “Enterro da Gata” por três dias os jovens vivenciavam competições de rua, ralis nas cercanias da cidade, corridas de bicicletas, nas estradas rupestres, pelas ruas, o ponto máximo era a escolha da rainha da festa, a premiação dos competidores campeões. Desde o tempo de ensino médio interessou-se pelo trabalho de Lineu e Darwin, formou-se biólogo. Pretendia um dia fazer o caminho do Beagle, só que uma viagem aérea. Do Brasil iria a Patagônia, a ilha de Fernando de Noronha e Gálapos. Amava o campo e o cultivo agrícola a criação pastoril. Seus avós e pais contavam histórias de como haviam chegado à região, de serem ancestrais provenientes do povo Celta, duma linhagem chamada “Castros” que travaram lutas contra os “Bácaros” do qual originaria o nome da cidade. Num tempo ainda mais antigo que estavam vivendo,quando da fundação do vilarejo, os romanos teriam invadido a província e forçado a população a descer o vale. A sua descendência vinha dali. Daqueles que foram expulsos pros campos.

“Acaso correm os cavalos sobre rochedos? Poderá alguém ará-los com bois? Mas vocês transformaram o direito em veneno, e o fruto da justiça em amargura. Amós 6-12”

Bom mesmo era quando chegava o mês de junho, quando o povo comemorava na frente das igrejas Santa Sé de São Pedro, em Bom Jesus, Sameiro e falperra, santa Maria Madalena e santa Marta das Cortiças, reunidos se confraternizavam. Não havia entre eles a tradição das fogueiras. Armavam-se imensas mesas com muita comida e bebida, vinhos produzidos nas redondezas, todos tinha adegas em casa e pães enormes. Queijos de fabrico artesanal, e vinho muito vinho. Jovens casais executavam a “Dança do Rei Davi”, embora sendo bem mais modesta, lembrava as danças na corte imperial do século iluminista. As lavradeiras faziam em casa velas de parafinas e cera. Ficariam conhecidas como velas votivas de Braga, as camponesas levavam pra missa para serem consagradas, após a celebração eucarística, benzidas. De tanto viver este ritual, virou tradição, os turistas tomando posse da lenda, passariam a comprar pra levarem de lembrança. Maria Ondina de Braga tinha devoção com a alma da irmã Maria Estrela Divina, que dera sua vida na guerra dos mouros e visigodos na tomada da cidade, seu corpo martirizado, fora sepultado na Santa Sé. Quando chegava o mês de junho era costume depositar uma coroa de flores, amarrar diversas fitas coloridas no gradil da igreja e acender pelo menos três velas, para venerar o antepassado. Em junho era verão, e as aves estavam na fase de reprodução, em abril e maio do acasalamento e logo se davam as ninhadas, como nasciam. Escrevedeira de garganta preta multiplicavam de sons e cores os céus lusitanos, as árvores, o outono, as eiras e beiras, as entrâncias e reentrâncias das chaminés das casas da vila de Braga de Portugal.

“Quando acabará a lua nova para que vendamos o cereal? E quando terminará o sábado para que comercializemos o trigo, diminuindo a medida, aumentando o preço(29), enganando com balanças desonestas e comprando o pobre com prata e o necessitado com um par de sandálias vendendo até palha com o trigo?. Amós 8-5,6”

No lado de baixo do equador era verão. O carteiro trajado num camisão cáqui cheio de bolsos, na cabeça um boné bufante, e calças dotadas de suspensórios. Com sua imensa sacola a tiracolo, percorria a Quinta da Boa Vista, bairro de São Cristovão. Buscaria a residência de André Soares. Arvoredos e muito verde entremeados de imponentes construções do período imperial enchia de graça seu espírito. A paz e o encanto proporcionado remetiam ao tempo que a família imperial portuguesa habitou ali. A bela casa da marquesa de Santos, de linhas neoclássicas, a casa do Barão Drummond que depois de uma viagem a França, inspirou-se a construir o Jardim Zoológico. Para arrecadar fundos criou a loteria dos bichos, todos os dias, um animal de médio porte era colocado numa jaula coberta com um pano. Os visitantes mediante o pagamento de uma pequena taxa de entrada no jardim apostavam que bicho estaria dentro da gaiola misteriosa. No fim do dia revelava-se e os acertadores recebiam um espólio do rateio. Estava criado o “jogo do bicho”.

“Respondeu a Amazias: Eu não sou profeta nem pertenço a nenhum grupo de profetas(26), apenas cuido do gado e faço colheita de figos silvestres. Amós 7-14.”

André Soares acordou por volta das sete horas, seguia pela alameda das sapucaias, respirando ares da nobreza. Imaginava que a qualquer momento fosse encontrar o imperador Pedro segundo, a brincar. Sorriu ao imaginar um menino de longa barba, a correr pelo parque. A poucos metros do Paço Imperial. Ali nascera a princesa Isabel. Eternizada no nome da vila. Admirava o magnífico projeto do arquiteto francês Glaziou. As aves perpetuadas, trazidas do antigo Campo de Santana, atual Praça da República, palco da proclamação. De repente viu um pequeno pássaro nu alto de um oitizeiro, percebeu nele as características duma escrevedira de garganta preta, ora mas aquela espécie só existia lá no Trás-Montes, terra do amigo João. Sim! Sem dúvida era a ave!

Serelepe buscou um fotógrafo lambe-lambe, tinha que captar aquela imagem. Enquanto isso um teco-teco monomotor sobrevoava a enseada de Botafogo, e o Cristo Redentor, até então taciturno, fez menção de sorrir.

Fabio Campos

1994: ano para ser lembrado!

Em 1994, o Brasil e o mundo foi marcado por diversos acontecimentos que até fazem parecer que o ano durou uns 30 meses. Já que está acontecendo uma Copa do Mundo no Brasil, vamos começar a lista por este assunto:
Neste ano, Dunga e companhia ergueram a taça de campeão do mundo, taça que seria a quarta do Brasil quebrando um jejum de 24 anos. A copa foi nos Estados Unidos.
Em 1994, foi lançado o filme que todas as crianças já assistiram, filme que marcou muito a infância de todos que assistiram e se emocionaram a música tema, “O ciclo da vida”. Por cerca de 20 anos, foi a animação de maior bilheteria da história, com quase 800 milhões de dólares de bilheteria.
No dia 5 de abril de 1994, Kurt Cobain, o líder e vocalista da banda Nirvana foi encontrado morto em sua casa, nos Estados Unidos. Uma das maiores bandas americanas que ainda nos dias atuais faz fãs pelo mundo.
Outro filme também lançado em 1994 que marcou muito esse ano foi “Um Sonho de Liberdade”. Filme baseado na obra de Stephen King, vencedor de prêmios de Melhor Filme.
Para muitos brasileiros, esse ano foi marcante especialmente pela morte de duas pessoas que eram especialistas no que faziam. Mussum, no humor e Ayrton Senna, no esporte. Depois da morte destes dois, a turma do Didi (e/ou os trapalhões) e a Formula1 perderam boa parte de sua graça e brilho.
Outro filme que foi lançado em 1994 e até hoje desperta interesses é Jurassic Park. Filme que consagrou o Steven Spielber, como um dos maiores diretores do mundo. Os efeitos visuais e especiais ainda enchem os olhos de qualquer um que o assista.
Por último, e não menos importante, 1994 é marcante pela chegada dos Cavaleiros do Zodíaco ao Brasil. Pessoalmente, considero o melhor anime da história. Por mais que eu só tenha o conhecido em meados dos anos 2000. Qual criança nunca sonhou em ser o Seya salvar o mundo?!
Um motivo que me faz considerar o ano de 1994 como muito importante, é fato de ser o ano em que nasci. rsrs. Bem, esse ano foi muito importante para muita gente. E cada pessoa tem seus motivos particulares para considerar 94 como um grande ano. Esses fatos que coloquei aqui, deve ter marcado cada um de uma forma especial. E assim, 1994 foi um ano gravado na memória de muitas pessoas.

 

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AGRIPA PARTICIPARÁ DO COMDEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de junho de 2014

Crônica Nº 1.212

Ariselmo, Manoel, Ferreirinha e Clerisvaldo, Guardiões do Rio Ipanema (Foto: Agripa/Assessoria)

Ariselmo, Manoel, Ferreirinha e Clerisvaldo, Guardiões do Rio Ipanema (Foto: Agripa/Assessoria)

Em Santana do Ipanema, Alagoas, estar sendo criado o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente ─ COMDEMA. A organização tem no comando o senhor Manoel Messias F. Santos, que ocupa hoje o cargo de Diretor do Meio Ambiente e que faz parte da Secretaria de Agricultura.

A AGRIPA, convidada a participar, indicou um dos seus guardiões para ocupar um dos doze lugares do futuro COMDEMA. Informou ainda o senhor Manoel Messias, que após a fundação do Conselho, será criado o novo código ambiental do município, atualizado e eficiente. Daí em diante, continuou Manoel, “Santana será forte em defender a natureza”.

Na última sessão da AGRIPA, realizada quarta-feira (18), também foram apresentados sete desenhos de logomarcas, representando a AGRIPA, para a escolha pelos guardiões, confeccionadas por artistas da terra. Uma delas foi escolhida por unanimidade.

A sessão da quarta foi presidida pelo guardião Clerisvaldo Braga das Chagas, pela ausência do titular Sérgio Soares de Campos. Vários assuntos foram tratados, inclusive reunião especial para estudar os caminhos que levarão ao registro da AGRIPA no Ministério da Justiça.

Diversos setores da sociedade têm procurado a AGRIPA para palestras e pesquisas sobre o rio Ipanema, a estrutura e os objetivos da Associação. Após os festejos de junho e julho, no município, a AGRIPA terá que parcelar seu pequeno contingente para atender a demanda do mês de agosto, inclusive, além fronteiras municipais.

O interesse em defender a natureza vai tomando conta das escolas de diversos níveis e começando a influir nas opiniões de adultos, antes destruidores e agora defensores dos nossos recursos naturais. Todos os objetivos da AGRIPA serão alcançados mais cedo ou mais tarde, concordam todos os Guardiões do Rio Ipanema.

A AGRIPA já tem patrono, símbolo e logomarca, faltando apenas um “slogan” que poderá sair da cabeça dos nossos leitores.

Devido aos festejos, do mês, os guardiões estarão reunidos novamente em sessão ordinária no próximo dia 26, às 17 horas, na Escola Professora Helena Braga das Chagas, Bairro São José.

MORDIDA NAS NÁDEGAS

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de junho de 2014

Crônica Nº 1.211

Foto: Getty image / G1

Foto: Getty image / G1

Antes do grande embate de Fortaleza, bem que o técnico da Seleção Brasileira de Futebol, dizia da partida difícil que o Brasil teria que enfrentar. Claro que nenhum brasileiro ligado em futebol poderia dizer o contrário. O México, nos últimos anos, parece que resolveu tomar o lugar da Argentina como o nosso principal adversário nas Américas.

Todos aceitaram o prenúncio de dificuldades. E mesmo sabendo que jogo é jogo, que são onze contra onze, que a zebra anda sempre em busca de oportunidades, o empate com o México teve sim um sabor de derrota, o gosto acre da frustração. Não adiantou nada a filosofia inteligente do técnico do Brasil em dizer que os outros também querem ganhar.

O Brasil não esteve coeso na parada, pareceu entrar de salto alto sem disciplina e tática. Vimos um monte de jogadores correndo desordenadamente, talvez acreditando apenas na individualidade, dessas que caracterizam as peladas de várzea. Lances individuais do craque Neymar já eram esperados, a garra característica dos zagueiros também, mas nada disso convenceu.

Um time milionário cheio de estrelas e repleto de mordomias, jamais poderia empatar com o México. Nessas alturas, amenize o empate quem quiser amenizar com o chavão do povo: “Me engana que eu gosto”. Mas, o Brasil não está matematicamente assegurado para a próxima fase.

Do jeito como as coisas andam, Felipão tem que descobrir como fazer para que não passemos vexame diante do mundo. As suas substituições durante a partida não funcionaram. E também não poderiam ter funcionado se não havia segurança nenhuma no plano tático. É como se o técnico tivesse dito: “Vou jogar vocês em campo, cada um se vire como puder”.

O brasileiro tem um negócio de dizer que “o bicho vai pegar”. Podemos até dizer, compadre, que o bicho não pegou de cheio, mas que fez estrago fez. Não adiante nem passar a mão na cabeleira. Se o bicho não pegou em cheio, mas pelo menos abocanhou carne à vontade com voraz MORDIDA NAS NÁDEGAS DA SELEÇÃO.

ALTO SERTÃO QUASE MATA ESCRITORES

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2014

Crônica Nº 1.210

Foto: Edson Vieira

Escritores Marcello e Clerisvaldo no Cava Ouro (Foto: Edson Vieira)

Cangaceiro Marcello e seu cachorro guarani (Foto: Edson Vieira)

Cangaceiro Marcello e seu cachorro guarani (Foto: Edson Vieira)

Tudo aconteceu no último sábado (14), no bioma caatinga do alto sertão alagoano. O cenário do verde exuberante ao pé da serra do Talhado e a paisagem de fundo com a famosa serra do Taborda formaram um quadro perfeito para um dia triunfal da cultura nordestina. Ali, no sítio Cava Ouro, lugar acostumado a eventos de amor a terra, foram homenageados os escritores “lampiônicos”, Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto, autores do livro “Lampião em Alagoas”.

Numa iniciativa do fazendeiro Edson Vieira, diretor de escola e, seu filho Edson Vieira Júnior, professor, essa fazenda do Sítio Cava Ouro, município de Senador Rui Palmeira, lançou o livro citado acima, quando dezenas de exemplares foram vendidos e autografados pelos autores santanenses. Logo cedo teve início os festejos com muita música pelos convidados cantores Ferreirinha e Manezinho, o “Imperador do Forró”. Familiares, parentes e amigos do senhor Edson Vieira, demonstraram que a área rural do município de Senador Rui Palmeira está completamente integrada à cultura e aos diversos movimentos sociais que mobilizam a região.

Secretário da Agricultura, Edimário Rodrigues entre os escritores (Foto: Edson Vieira)

Secretário da Agricultura, Edimário Rodrigues entre os escritores (Foto: Edson Vieira)

Após o lançamento do livro “Lampião em Alagoas” e saboroso almoço com cardápio típico regional, a festa prolongou-se pelo dia inteiro com viola, triângulo, pandeiro e zabumba zoando pelo raso de caatinga, lembrando as paradas festivas do cangaço.

Entre os presentes estava o senhor Edimário Rodrigues, secretário da Agricultura do município que antes se chamava Riacho Grande.

O livro apreciado por todos, também descreve um episódio acontecido quando o povoado Riacho Grande pertencia a Santana do Ipanema. A investida do bandoleiro Virgulino Ferreira, o Lampião, sobre a família Wanderley que habitava o povoado, a fuga dessa família e o assassinato por Lampião do vaqueiro Pedro Breba.

No mês de agosto os escritores também lançarão livros na própria cidade de Senador Rui Palmeira, capitaneados por Edimário Rodrigues, o secretário de Agricultura.

Autores em dia de autógrafos (Foto: Edson Vieira)

Autores em dia de autógrafos (Foto: Edson Vieira)

Diante da impagável recepção dos Vieira, elogios, páginas musicais e sinceridade por um dia completo, o alto sertão de Alagoas quase mata os escritores de carinho e emoções.

Durante o retorno, à boquinha da noite, somente muito tempo depois de cruzarmos o Riacho Grande ─ ribeira criativa irmã do nosso rio Ipanema ─ foi que a ficha caiu.

O sítio Cava Ouro sai na vanguarda rural da realidade literária.