Nos últimos anos a cidade de Arapiraca cresceu de forma assustadora, deixando a evidência de que os gestores não se preocuparam em investir num sistema de engenharia de trânsito adequado e que pudesse acompanhar o ritmo de desenvolvimento da cidade. O resultado é um trânsito caótico, com ruas estreitas, falta de semáforos em diversos cruzamentos, estacionamentos públicos e, principalmente, pouca educação por parte de alguns condutores.
Durante a última campanha eleitoral, o trânsito de Arapiraca foi um dos temas mais abordados nos debates e guias eleitorais o que, conseqüentemente, tornou-se um dos maiores desafios a serem solucionados pela prefeita eleita Célia Rocha (PTB) e os 15 vereadores que comandarão a segunda maior cidade de Alagoas nos próximos quatro anos.
Uma das maiores preocupações quando se fala no trânsito de Arapiraca são as mais de 40 mil motocicletas que, diariamente, circulam na cidade. Muitos desses condutores pilotam suas motos de forma irresponsável, colocando em risco a vida dos pedestres e, principalmente, a deles. O grande termômetro desta guerra urbana é a Unidade de Emergência do Agreste que, ano a ano, vem registrando um aumento gradativo nos atendimentos de vítimas deste tipo de acidente. De janeiro até meados de novembro, já foram atendidos pela UE do Agreste cerca de 9 mil pessoas, geralmente vítimas de quedas, colisões e atropelamentos sobre duas rodas.
A lei da física que diz “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço” é desafiada diariamente nas estreitas ruas do centro de Arapiraca. Veículos disputam cada metro quadrado com motocicletas, carros de mão, carros de som em baixa velocidade, carroças de tração animal, bicicletas, pedestres e, às vezes, até algo impossível de se imaginar. Para piorar ainda mais a situação, motoristas estacionam dos dois lados da via e o que já era estreito, torna-se praticamente intransitável.

Apesar dos tempos modernos, as carroças de burro ainda dividem espaço com os outros veículos (Foto: Adalberto Custódio)
Outro problema de Arapiraca é a falta de áreas de estacionamentos públicos no centro da cidade. Em alguns locais existem tantas motos estacionadas em fileiras que o pedestre que atravessa a rua não consegue ter acesso à calçada. Enquanto a Prefeitura não toma providências, vários empresários começam a investir no ramo de estacionamentos privados, onde o período de utilização varia de R$ 2 a R$ 4 para motos e de R$ 3 a R$ 5 para carros de passeio.
Fica então a pergunta: “Por que tantos carros no centro da cidade?”. A resposta é fácil. A cidade, com população superior a 200 mil habitantes, não possui um sistema eficiente de transporte coletivo. Nos locais onde existem linhas de ônibus, o intervalo entre eles chega a superar uma hora. Uma das saídas são os mototaxistas que, segundo a SMTT, representam o número de 700 cadastrados, ou seja, um número muito inferior à demanda de passageiros. Conseqüentemente, surgiram os mototaxistas clandestinos que, mesmo sendo uma válvula de escape para amenizar o problema, acabaram se transformando em outro problema, uma vez que vivem fugindo da fiscalização da Prefeitura.
Resta aos arapiraquenses usarem seus próprios veículos para trabalharem, irem à escola, ao comércio, enfim, tumultuar mais ainda o já caótico trânsito arapiraquense.
Por Adalberto Custódio / Minuto Arapiraca