PM afasta policiais que aparecem em vídeo agredindo moradores de favela

29 nov 2012 - 08:44


Reprodução (TV Globo)

Em nota divulgada à imprensa na noite desta quarta-feira (29), a Polícia Militar de Alagoas anunciou o afastamento dos oito militares que aparecem em um vídeo, divulgado no início da semana, agredindo moradores da favela. Eles foram suspensos da atividade nas ruas e cumprem tarefas administrativas.

As imagens, feitas por um cinegrafista amador, foram registradas na semana passada e divulgadas com exclusividade pelo Jornal Nacional. De acordo com a nota da PM, à imagens foram encaminhadas à Corregedoria da corporação, que deu início “a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e um Inquérito Policial Militar (IPM), os quais terão por objetivo avaliar a conduta dos policiais militares à luz do Regulamento Disciplinar da corporação, bem como do próprio Código Penal Militar Brasileiro.”

A nota também se refere à morte de Genival Quirino Alves, de 31 anos, na madrugada de terça-feira (27), durante uma abordagem feita por integrantes do 1º Batalhão de Polícia Militar no bairro de Jaraguá.

Na abordagem, o suspeito teria tentado tomar a arma de um militar e acabou sendo morto pela guarnição. Segundo a nota da assessoria da PM, todos os integrantes da guarnição foram detidos preventivamente, por um período de 72 horas, para que o incidente seja apurado.

Gravação

A gravação já começa com dois suspeitos rendidos de frente para um muro. Desarmados, eles não esboçam reação. Ainda assim, um policial chuta duas vezes o rapaz que está sem camisa. O amigo dele, de blusa alaranjada, pede calma e é repreendido.

Outro policial também agride o suspeito. Duas mulheres são trazidas ao encontro do grupo, enquanto os policiais apontam uma arma para eles. Mais uma vez, o homem sem camisa apanha e não reage. A ação da polícia revolta uma das mulheres.

Em seguida, chegam mais cinco policiais e um estouro é ouvido. As agressões continuam e os outros suspeitos também passam a apanhar. Um dos policiais tira do colete uma arma de choque, não letal, e usa contra um dos homens, que estava ajoelhado.

Leia abaixo a íntegra da nota da PM:

A Polícia Militar de Alagoas, por meio de sua Assessoria de Comunicação, por oportuno, vem a público esclarecer as providências adotadas relacionadas aos fatos veiculados na mídia local e nacional nesta última semana.

Destarte, com relação ao vídeo filmado por um cinegrafista amador divulgado na noite desta segunda-feira (26), onde oito policiais militares agridem cinco cidadãos durante uma abordagem, todos os policiais se apresentaram espontaneamente ao comando da Unidade onde fazem parte, assim que tiveram conhecimento da divulgação do vídeo. Sendo assim, foram todos imediatamente afastados das suas atribuições operacionais concernentes ao policiamento ostensivo, sendo designados a partir de então para o serviço administrativo.

As imagens foram encaminhadas à Corregedoria Geral da PMAL, que por sua vez ensejaram a abertura concomitante e independente de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e um Inquérito Policial Militar (IPM), os quais terão por objetivo avaliar a conduta dos policiais militares à luz do Regulamento Disciplinar da corporação, bem como do próprio Código Penal Militar Brasileiro.

No tocante ao episódio ocorrido nesta terça-feira (27), aonde em decorrência da reação de um cidadão mediante a abordagem policial perpetrada por uma guarnição da PMAL durante o atendimento de uma ocorrência, houve um disparo de arma de fogo, e como consequência este cidadão veio a falecer, surgiram novos fatos, os quais acarretaram na detenção administrativa dos componentes da guarnição por 72 horas para averiguação, conforme preconiza regulamento próprio da PMAL.

Também para este caso, a Corregedoria Geral adotará o mesmo posicionamento relacionado à abertura do PAD e do IPM de forma concomitante e independente.

Salienta-se, entretanto, que em ambos os casos, serão oferecidos aos policiais militares o direito à ampla defesa e ao contraditório mediante o devido processo legal, onde na oportunidade, todas as partes serão ouvidas com vistas a se adotar as medidas mais justas possíveis dentro do Estado Democrático de Direito que ora vige em nossa Nação Brasileira.

Outrossim, a Polícia Militar de Alagoas, uma corporação com 180 anos de história, alicerçada em seus pilares básicos, a hierarquia e a disciplina, alcançou ao longo dos anos o respeito e a confiança do povo alagoano, não admitindo ter seu nome maculado por conta de ações isoladas que não representam o comportamento de mais de 7.500 homens e mulheres que se esmeram e sacrificam diuturnamente em prol da paz e do bem estar de nossa sociedade.

Ademais, com a redemocratização do Brasil, principalmente após a promulgação da Magna Carta, em 05 de outubro de 1988, o policial militar alagoano é formado e orientado com base nos princípios que norteiam a filosofia da polícia cidadã, que cumpre e faz cumprir o pacto social celebrado na forma da legislação vigente e nos consagrados princípios inalienáveis dos direitos humanos.

Por fim, a Polícia Militar de Alagoas não coaduna com qualquer comportamento hostil adotado por parte do seu policial militar em desfavor do cidadão, o qual por certo, juramos defender.

Por Tribuna Hoje com assessoria PM

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