Não há nordestino que se preze que não tenha experimentado, pelo menos uma vez na vida, o simples e delicioso cuscuz. Originário da África, o famoso bolinho de milho é alimentação comum no Nordeste, principalmente no café da manhã, onde é servido com leite e ovos. Mas, em Alagoas, uma pequena empresária reinventou a tradicional iguaria.
Cansada de trabalhar na rotina de um hotel em Maceió, a empreendedora Manuela Magalhães pensava em montar, junto com o marido, o engenheiro agrônomo Heric Tenório, um Laboratório de Controle de Qualidade. No entanto, o investimento seria alto, e a ideia terminou tomando outro rumo. Em uma viagem a Recife (PE), sua cidade natal, Manuela viu um cuscuz sendo vendido nas ruas pernambucanas. Foi quando pensou que o negócio poderia ser incrementado e fazer sucesso em Maceió, local que escolheu para morar há 15 anos.
“Aqui, as pessoas costumam comer nas esquinas churrasquinhos e outros lanches. Mas em Recife, é comum ser vendida nas ruas comida pesada mesmo, como macaxeira, charque e cuscuz. Eu vi um cuscuz à venda com aparência de ressecado, mas o rapaz colocava leite, e o prato fazia sucesso. Foi aí que tive a ideia de montar um negócio”, explica Manuela.
Vender o tradicional cuscuz feito da farinha de milho não era suficiente para a empreendedora de sorriso largo e conversa fácil. Com vocação natural para o mundo dos negócios, Manuela sabia que era preciso inovar. Foi quando pensou que as tapiocas recheadas eram iguarias muito apreciadas em Alagoas e aliou a tradição do recheio ao bolo de milho. Estava feito o negócio: cuscuz recheado com 18 sabores diferentes, entre salgados e doces. Nasceu, assim, em 2010, um cuscuz mais saboroso, apetitoso e com aparência mais sofisticada – um verdadeiro prato gourmet.
“Fiz testes com diversas massas e recheios. Até que deu certo e montamos a Cuscuzeria Café. Há dois anos e meio, alugamos nosso primeiro ponto e nos cadastramos como Microempreendedor Individual. Nos primeiros quinze dias, trabalhamos sozinhos, apenas eu e meu marido. Mas logo sentimos a necessidade de contratar o primeiro funcionário”, explica.
Passados pouco mais de dois anos, a Cuscuzeria Café é o que podemos chamar de “grande negócio”. Na contramão das histórias do empreendedorismo do Brasil, onde os primeiros dois anos são o período mais crítico das micro e pequenas empresas, o empreendimento de Manuela conseguiu, neste curto espaço de tempo, se transformar em microempresa e se firmar no mercado competitivo da gastronomia em Alagoas.
O local, que no início era simples e improvisado, com cadeiras na calçada, precisou ser trocado por um novo endereço, mais confortável e agradável. Hoje são 80 cadeiras distribuídas num espaço climatizado e com decoração tipicamente nordestina. Do primeiro funcionário até hoje, já são 10 colaboradores com carteira assinada e uma cartela de clientes que saem das diversas partes da cidade para experimentar o cardápio da Cuscuzeria Café, que fica localizada na Avenida Dr. Antônio Gomes de Barros, no bairro da Jatiúca, em Maceió.
“Hoje nossa cartela de clientes aumentou. Para alugar nossa segunda casa, precisamos pegar uma linha de financiamento. Ainda estamos pagando os investimentos, mas atingimos as metas antes do esperado. Aconselho a quem quer montar um negócio, que insista, acredite no que está vendendo e trabalhe. Ficar em casa bancando o empresário não dá certo”, orienta.
Manuela não quer saber de vida mole e fiscaliza de perto todas as receitas, desde as mais pedidas, como o cuscuz de carne do sol, até as mais exóticas, como o cuscuz petit gateau. Recheado com trufa de chocolate, o bolinho de milho se transforma em sobremesa servida com sorvete de creme e calda. Tem recheios para todos os gostos, e o preço médio do prato fica em torno de R$ 8. Das panelas da Cuscuzeria Café, também saem escondidinhos de macaxeira, omeletes, sopas e carneiro guisado. “A gente quer que o cliente se sinta em casa. Essa é a nossa ideia: fazer da Cuscuzeria Café a cara da casa de todo mundo”, explica Manuela.
Por Agência Alagoas