O Mito brasileiro
3 setembro 2018
A definição de mito no Dicionário Aurélio é “coisa só possível por hipótese”. Ou seja, algo que existe somente em forma de suposição. A margem da verdade. Podemos encontrar ainda no mesmo dicionário, a definição de mitologia como “conjunto de fábulas”. Definição essa que fala por si só.
Considerar algo ou alguém como mito é literalmente como colocar à prova a sua veracidade, a sua existência de fato. Ou no mínimo, considerar que o indivíduo se encaixa em um conto fabuloso.
O Mito brasileiro em questão está longe de um conto fabuloso feliz ou utópico, na verdade se encaixa perfeitamente em um conto de terror angustiante. Fazendo uma analogia a mitologia grega, podemos comparar o Mito brasileiro com Érebo, o deus da escuridão. Ele é a personificação das trevas e é considerado um dos maiores inimigos de Zeus.
Ainda continuando essa divertida analogia com a mitologia grega, podemos citar outra narrativa, o mito de Sísifo, um camponês simples – como a maior parte do povo brasileiro – que certo dia tentou ser mais esperto que os deuses.
Por isso então, Sísifo, recebeu a punição de rolar uma pedra gigante até o topo de uma montanha. E quando chegava ao topo, a pedra rolava novamente até o chão, devido seu peso e o cansaço dele. E no dia seguinte, Sísifo teria que repetir toda a atividade até o fim de sua vida.
Albert Camus, em seu livro O Mito de Sísifo, usa o conto para explicar que a condição humana é basicamente seguir uma rotina diária, sem sentido próprio, determinada por algumas instâncias. Onde os “camponeses simples” continuarão sempre repetindo atividades.
Porém, podemos sim continuar numa condição humana simples sem imitar a esperteza de Sísifo. Basta tentar pensar um pouco sobre o que nos reserva o futuro se o Mito brasileiro tornar-se o senhor dos camponeses. É melhor não abrir essa Caixa de Pandora!