Talvez o Guia do Mochileiro das Galáxias não estivesse tão errado assim. A resposta pra tudo pode não ser 42, mas parece que existe um número – sim, um número – que permeia e regula todas as coisas que existem no mundo: de ecossistemas inteiros a células microscópicas. É o que afirma o físico britânico Geoffrey West.
Tudo que é vivo um dia vai morrer. Não é nenhum exagero dizer que essa é a única verdade com V maiúsculo. Agora, identificar um padrão que se aplique a todas essas vidas é outra coisa: seria possível então afirmar quando um ser vivo vai morrer? Sim. Não um elefante, mas todos os elefantes.
Quanto maior você é, mais devagar as coisas acontecem. O oxigênio se difunde sem pressa pelas membranas e você se oxida – ou envelhece – mais lentamente, “mas tudo de um jeito sistemático, matemático e previsível”, diz o estudo de West. Para saber a taxa metabólica de um animal ou planta é só pegar a massa e elevá-la a uma potência que seja múltiplo simples de ¼. Apesar de variar um pouco, esse expoente quase sempre será o ¾.
Devido aos avanços técnicos da medicina, talvez a única exceção seja nós, “mas há 50 mil anos nós provavelmente éramos parte do padrão”, diz o estudo. Há uma hipótese para explicar essa fórmula. Um elefante tem trilhões de células a mais que um rato, seu organismo tem muito mais tarefas pra manter tudo funcionando nos trinques. Isso é muito desgastante então, e essa é a hipótese, a evolução tenha dado aos elefantes células mais eficientes. Todo animal tem uma cota de um bilhão e meio de batidas do coração ao longo da vida, mas o coração de uma baleia é bem menos acelerado que o de um beija-flor. Bem provável que estejamos no auge da parceria filosofia-matemática. Bem provável que isso seja só o começo.
Por Revista Galileu