Clerisvaldo B. Chagas, 16 de agosto de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.717
As nossas chuvas de outono/inverno vão até a primeira quinzena de agosto, como tradição. E como dizia o meu sogro, poeta Rafael Paraibano: “estamos nos últimos tamboeiros do inverno”. Aproveitando a estiagem fomos perambular no sábado, pela feira de Santana do Ipanema. Nessa época, sempre foi assim, a população rural resume a visita à feira. Ao invés de levar toda a família, vai apenas um representante quando o restante fica cuidando da lavoura e do criatório. A isto, muita gente chama de feira fraca, principalmente o pessoal do comércio fixo. E começando pelo Curral do Gado, esta parte da feira funciona atualmente entre o Aterro da BR-316 e o riacho Camoxinga. Antes tinha o nome de Matança onde atualmente está assentado o Bairro Artur Morais. O gado era abatido ali, à golpes de machado, em campo aberto sobre folhas de catingueiras.
Não deu para visitar e comparar a feira do porcos, aonde os bacurinhos chegam em engradados de madeira; nem examinar se ainda existe a venda de artigos de palha como esteiras, abanos e chapéus. Do Mercado de Carne, me esquivo desse açougue medieval. Vejo o muro altíssimo do Super Todo Dia, que tomou o lugar do matadouro clandestino e instantâneo aos sábados, dos bodes e cabritos para abastecer o mercado. E por entre bancas em fileiras apertadas descubro que ainda existe o doce “tijolo” de jaca, da raiz de imbuzeiro e broa da minha infância. Agora a broa feita na hora e exposta em saquinhos de plástico transparentes.
E vou para a seção dos temperos, das frutas, dos cereais e esqueço da feira da panelas com as peças vindas do Alto do Tamanduá, povoado quilombola do Poço das Trincheira. As obras de reforma da Delegacia de Polícia incomoda o trânsito, mas nem sequer afeta a feira do troca-troca com inúmeros produtos de origens duvidosas. A pracinha, construída acima da delegacia alguns anos atrás, prosperou e pessoas usufruem das sombras das árvores ali plantadas. Aproveito o ponto para fotografar a serra do Poço, a serra do Tigre com seus dois montes e partir para o grande movimento da antiga Praça da Bandeira.
Tendo feito a minha inspeção de sertanejo, escapulo ainda cedo daquele encontro com o povo mestiço da minha terra.