Caso Gil da Funerária: Tribunal do Júri ouviu testemunhas e réus no 1º Dia Trabalhos devem ser concluídos nesta quarta-feira (19), com a fase de debates entre acusação e defesa.

Lucas Malta / Da Redação

18 jul 2023 - 21:21


Família do empresário Gilmário fez presença no Júri (Fotos: Caio Loureiro / Ascom TJ-AL)

Teve fim, no início da noite desta terça-feira (18), a primeira parte do Tribunal do Júri dos réus José Henrique Queiroz e Bruno Barbosa, acusados de matar o empresário Gilmário Alencar dos Santos, popularmente chamado de Gil da Funerária, crime ocorrido em fevereiro de 2021.

Os trabalhos foram suspensos pelo juiz Antonio Iris da Costa Junior, após todas as testemunhas serem ouvidas, bem como o depoimentos dos réus. O magistrado já previa essa paralisação, pois, segundo ele, a próxima fase trata-se dos debates das teses do Ministério Público e da defesa, devendo durar em torno de 9h.

Neste primeiro dia de júri popular, o plenário foi tomado por dezenas de pessoas, a maior parte deles amigos e conhecidos da vítima, que levaram uma faixa e usavam camisetas com a foto de Gil, no qual  chamava a atenção para a frase: “Justiça Por Gil”.

Testemunhas

Entre as pessoas ouvidas no Júri, a primeira delas foi o delegado Gustavo Xavier, responsável pela investigação e captura dos réus. Ele reforçou aspectos da investigação e respondeu perguntas do membro do MP, advogados de acusação e dos advogados de defesa.

Delegado Gustavo Xavier foi a primeira testemunha (Fotos: Caio Loureiro / Ascom TJ-AL)

Em seguida, dois parentes da vítima foram prestar seus depoimentos, o primeiro deles, o empresário Gilmar, pai da vítima. Em diversos momentos ele relembrou que seu filho era uma pessoa pacata e bem quisto por muitos na cidade.

A ex-mulher de Gilmário Alencar, chamada Alana dos Santos também trouxe seu testemunho e muito emoção para o Tribunal. Ela declarou que seu ex-companheiro tinha um relação muito próxima com o réu José Henrique, mas que a própria nunca gostava dessa amizade e inclusive se queixava para ele.

A terceira testemunha foi Cheila Pereira, ex-funcionária de José Henrique, que trabalhava no Lava Jato onde ocorrera o crime. Numa participação virtual, ela afirmou que não presenciou o crime, pois horas antes seu patrão pediu para ela sair e encontrar uma outra pessoa que pagaria algum tipo de dinheiro. Apesar da espera, ela voltou sem nenhuma quantia, horas depois.

Na sequencia viria uma testemunha importante, uma das pessoas que no começo das diligencias da polícia havia sido alvo de investigação, mas que acabou não sendo denunciada. Trata-se do Edson Matias, mais conhecido por Lula Som. No Júri, ele confessou que buscou o Henrique em Arapiraca e somente lá soube do crime contra Gilmário.

Plenário do Júri ficou lotado (Fotos: Caio Loureiro / Ascom TJ-AL)

Em seu testemunho, Lula Som enfatizou que se sentiu coagido por José Henrique, desde que ele revelou o crime. Após o depoimento desta testemunha, o magistrado fez uma breve pausa para o almoço.

Por volta das 15h o Júri foi retomado e a próxima testemunha ouvida seria Fernanda Machado, mulher de José Henrique. Também bastante emocionada. “Ele é um pai muito carinhoso, marido muito brincalhão. Nunca vi ele em qualquer situação suspeita”, disse em parte.

Fala de Bruno

Bruno Barbosa, um dos réus (Fotos: Caio Loureiro / Ascom TJ-AL)

Terminada as testemunhas, chegava a vez dos réus falarem, e o primeiro deles foi Bruno Barbosa, acusado que trabalhava para José Henrique no Lava Jato. Ao ser questionado sobre sua participação no crime, ele disse que voltou do seu horário de almoço e se deparou com o corpo do Gil sem vida, além de uma discussão entre José Henrique e Caetano (terceiro envolvido no homicídio, que morreu em confronto com a polícia).

“Nesse dia trabalhei até meio dia, vi quando o Gilmário entrou com José Henrique numa sala [do Lava Jato], que eu num tinha acesso nenhum, depois entrou o Caetano. Após uns 20 minutos o Henrique veio e me liberou para o almoço”, disse ele.

Em todo momento da sua fala Bruno negou ter participado do homicídio, confessando que após a descoberta da morte foi coagido pelos outros dois comparsas e por isso participou da destruição do cadáver de Gil da Funerária.

Versão de José Henrique

Réu José Henrique (Fotos: Caio Loureiro / Ascom TJ-AL)

O segundo acusado do crime que chocou o Sertão de Alagoas trouxe também sua defesa, inclusive com a possível motivação que culminou com a morte de Gil. José Henrique alegou que teria acordado com a própria vítima um falso sequestro, com o fim de sua família pagar um resgate e com esse dinheiro se livrar de uma suposta dívida que ele teria com uma pessoa da cidade de Arapiraca.

Essa versão, trazida pelo réu neste dia do júri popular, é diferente da contada em depoimento à Polícia Civil, no dia em que ele foi capturado. Dias antes da sessão de hoje, circulou um vídeo de Henrique falando essa mesma história, numa audiência de instrução do processo. O réu diz que foi coagido e forçado a dar a primeira versão, devido a pressão da polícia. 

Henrique sustentou que o suposto sequestro teria dado errado porque Gilmar contou para Caetano, que decidiu por fim a vida da vítima. Henrique declarou que Gil pediu para ele levar sua caminhonete até a cidade de Arapiraca e que quando ele voltou já encontrou a vítima sem vida. O ex-dono do Lava Jato confessou, assim como Bruno, a destruição do cadáver.

Família do Gilmário esteve em todo momento no Júri (Fotos: Caio Loureiro / Ascom TJ-AL)

Sobre o Tribunal do Júri

O Tribunal do Júri é comandado pelo magistrado Antonio Iris da Costa Junior. Representando o MP-AL estará o promotor João de Sá, que terá os advogados Adauto Filho e Raimundo Palmeira como assistentes de acusação.

Na defesa, Bruno é representado pela advogada Keyla Machado e o advogado José Lucas, enquanto o réu José Henrique tem como defensor o advogado Diego Marcus Costa Mousinho e Herófilo Ferro.

O crime

O caso da morte de Gilmário Alencar dos Santos foi apurado pela Divisão Especial de Investigações e Capturas (DEIC) da Polícia Civil. Segundo as investigações, Gilmário foi rendido e asfixiado até a morte dentro do Lava Jato de José Henrique.

Seu corpo foi jogado na carroceria do veículo Fiorino, pertencente ao proprietário e para tentar simular um sequestro, Henrique levou o carro da vítima para o município de Arapiraca, tendo o abandonado num posto de combustíveis.

Na sequência, conforme explicou a Deic, Henrique, Caetano e Bruno foram até uma propriedade da família de Henrique, na zona rural de Olho d’Água das Flores, e teriam jogado Gilmário “dentro de uma espécie de cisterna, onde foi carbonizado”.

Quando as equipes policiais chegaram ao local, “o corpo estava praticamente apenas cinzas, pois a cisterna foi tampada, funcionando com um forno, potencializando a cremação”, indica o relatório da PC.

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