A Coca-Cola dessa vez foi longe! e os “ratos” também…

“O relojoeiro de Goiás, Wilson Batista de Rezende, de 46 anos de idade, estaria processando a fabricante da bebida Coca-Cola aqui no Brasil por dano moral, por ter ficado doente após ingerir um refrigerante contaminado. Em contato com a fabricante do refrigerante por telefone, as informações que nos foram passadas são: A empresa tem ciência do processo e está aguardando a determinação da justiça; Sobre o corante caramelo IV: Em maio de 2012, o Center for Science in the Public Interest (CSPI – Centro para a Ciência a Favor do Interesse Público) realizou testes de análises químicas nos refrigerantes consumidos nos Estados Unidos e detectou a presença de 4- metilmidazol (4-MEI) em níveis bastante altos em duas marcas da bebida: A Pepsi e a Coca-Cola.” (Fonte: www.e-farsas.com/R7).

No tempo da “guerra fria” capitalismo, representado pelos EUA, versus socialismo, encabeçado pela extinta URSS (União Soviética da Rússia), quem vivia viu, venceu o capitalismo. Caiu o muro de Berlim e tudo mais. Isso abriria um precedente para as empresas capitalistas se instalarem nos países, antes fechados para o mundo. A Coca-cola viu nisso, um interessante jogo de marketing. Propagandeava a chegada desse produto em lugares, os mais inóspitos. Só não esperávamos que ela fosse tão longe!

Zé Lezin (o humorista Nairon Barreto) conta em um de seus trabalhos, que saiu com a família lá do interior de Picos no Piauí foram pra feira em Terezina. Entraram na bodega de seu Lunga e estava lá uma propaganda enorme: “Coca-cola é isso aí!” embaixo tinha uma peça de xita. Ele não contou conversa pediu: _Ô Lunga! Corta aí 10 metros de Coca-cola! Embrulha que eu vou mandar fazer um vestido pra mãe, de Coca-cola! Uma camisa pra mim, de Coca-cola…”

Na hora da descontração, da mesa do bar, da festinha entre amigos, o que não falta é criatividade, com relação a essa marca de refrigerante:

“-Você aceita dois dedinhos de coca?” (coca: corruptela de cócoras, claro!)

“Na falta de Fanta um “litraço” de coca vai bem?” ( Lhe traço de cócoras!)

Ratos e Coca-cola, duas coisas que não combinam. Agora ficou claro porque o fabricante desse refrigerante preferiu instalar uma grande fábrica desse produto em Sergipe, ao invés de Alagoas. É que aqui está cheio de “ratos” (taturanas, gabirus,etc.). A Assembléia Legislativa que o diga.

E lá estava eu dando minha aula, de repente parei e comecei a rir. Ninguém entendeu nada. É que lá no fundo, haviam vários cartazes colados, um trabalho sobre charges. Num deles aparecia um político, num discurso inflamado dizia:

-Esses bolsos aqui nunca viram dinheiro público!

Um gaiato na platéia emenda:

-De calça nova em deputado!

Fabio Campos 02.10.2013

No fabiosoarescampos.blogspot.com Breve o Conto inédito: “Lembranças por trás de Um Grito”

Salve Setembro e São Jerônimo “Luz para meu caminho”

Setembro, com o passar do tempo, vai se tornando cada vez mais eclético, se nos mostrando um mês cada vez mais multifacetado. Se a gente for olhar a história vamos encontrar coisas tenebrosas por aqui ocorrendo. O “setembro negro” de 1972 nas olimpíadas de Munique, embora só doze anos tínhamos naquele ano, a lembrança vem com veemência. Sete de setembro de 1822, o “Grito do Ipiranga” o grito do engodo, transmutando-se no “Grito dos Protestos”, amplamente vivido pelas avenidas do país. A América e o mundo relembrou o 11 de setembro, a ferida que jamais cicatriza, completou 12 anos .

Setembro é mesmo um mês especial, particularmente para quem assim o considera. Se bem que para considerá-lo especial é preciso que algo de diferente dos outros meses, aconteça somente nele. Motivos, temos de sobra para nos alegramos, aqui começa a primavera. Nele nasceram minha amada Mara Rúbia, e há um ano apenas, minha netinha Aika, filha de Monaly.

Setembro do “velho” Bruce Espringsteen, se destacando no meio de tantas, novas celebridades no “Rock’in Rio – 2013”. Muitas delas nem eram nascidas quando Bruce e outras estrelas de quinta grandeza, se reuniram pra gravar “We are The World” “We Are The World foi uma canção composta por Michael Jackson e Lionel Richie, gravada em janeiro de 1985 por 45 dos maiores nomes da música norte-americana, no projeto conhecido como USA for Africa. O single, o LP e o clipe renderam cerca de 55 milhões de dólares. We Are the World apresentava 44 vocalistas diferentes, incluindo Michael Jackson, Lionel Richie, Harry Belafonte, Tina Turner, Bruce Springsteen, Billy Joel, Kenny Rogers, Bob Dylan, Cyndi Lauper, Diana Ross, Ray Charles e Stevie Wonder. (fonte: wikipédia.com.br).

Para a igreja de Cristo, setembro é considerado o mês da Bíblia. “Tua palavra é lâmpada para os meus pés e Luz para o meu caminho” Salmo 119,105. Este mês foi escolhido pela igreja, porque o dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo (ele nasceu no de 340 e faleceu em 420 d.C.). São Jerônimo traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e Grego) para o latim. A Bíblia é hoje o único livro traduzido em praticamente todas as línguas do mundo. Serve de “alimento espiritual” para a igreja e para as pessoas, e ajuda o povo de Deus na sua caminhada, em busca de construir um mundo melhor.” (fonte: católicos.vialumina.com.br).

Ser um padre, à frente de uma paróquia no interior do sertão, sem desmerecer os demais que se encontram em grandes centros, é dar o ombro com muito mais fervor na condução da cruz de Cristo. O povo humilde e desprovido de tudo, vê na figura daquele homem de batina, a oportunidade de renovar sua fé e sua esperança. Um colega nos contou que um desses servos de Cristo, chegando à igreja de sua paróquia, encontrou uma ruma de matuto participando de uma aula de catequese para o matrimônio. Escolheu um daqueles futuros nubentes, e tacou-lhe uma pergunta:

-Você sabe quem são as três pessoas da Santíssima Trindade?

-Sei sim seu “páde”! É tudinho da minha família: Ói! Esse aqui é Pedro Trindade. Aquela, Maria Trindade, e tem Chiquinha Trindade que num tá aqui porque está viajando.

Fabio Campos 24.09.2013

Breve no Blog fabioscampos.com.br o Conto inédito; “Labirinto”

O MEU CORAÇÃO É DE JESUS

Uma vez que estou tendo quinzenalmente aulas de Libras (Língua Brasileira de Sinais) resolvi praticar justo com meus alunos. E propus fazermos um ditado diferente, não pronunciaria uma só palavra, só com gestos. E não é que deu certo! Aproveitamento de quase cem por cento! Estariam comprovando uma outra teoria que preocupa pedagogos de plantão: Cada vez mais, no dia a dia, estamos substituindo a oralidade pela linguagem verbal, ou de sinais. Uma reportagem na TV dos Marinhos, dizia que cada vez mais pessoas estão preferindo enviar mensagens pelo celular ao invés de simplesmente tentar completar uma ligação onde comodamente poderiam usar a oralidade, a fala.

Os sites de relacionamento é uma prova cabal de que o crescimento desse tipo de comunicação já é mais preferido que aquele, em que se utiliza o aparelho fonador, ou simplesmente a oralidade. O facebook que traduzido “ao pé da letra” Livro na cara! É uma prova concreta disso. Os internautas estão preferindo estar com as palavras na ponta dos dedos, em detrimento de tê-las na ponta da língua! Que seja. Daí, daremos de ver, se multiplicar por estas plagas, e pelo mundo todo, mais poetas, mais escritores, mais cronistas, mais filósofos. Com a palavra (literalmente) a criatividade! Santana tem angariado para si o pomposo título de “Terra de escritores” em detrimento da crescente onda em voga. Torcemos para que na mesma proporção seja também terra de leitores. Afinal quem escreve, lê, mas também quer ser lido.

Dicas do meu ditado; Polegar para cima = Legal!; Polegar para baixo = vai mal!; polegar esfregando no indicador = dinheiro!; polegar em riste, apontando em direção as costas = pedido de carona; indicador e médio em “v” = vitória! Ou paz e amor!; as duas mãos formando um coração sobre o peito esquerdo = amo você!; polegar e indicador formando um círculo = ok! Este sinal é americano, criado na 2ª grande guerra, significava zero killer (zero número de mortes ou baixas no front); juntando os dedos como que piscando = está cheio!; dedo indicador passado rapidamente no pescoço de um lado ao outro = está ferrado! Mas é preciso que se diga que isso nada tem haver com Libras.

Outro caso clássico no que refere-se sinais verbais e tentar entender a mensagem nas portas de banheiros, de lugares públicos. Eles oferecem uma gama de possibilidades de interpretações, dependendo da leitura que fazemos dos símbolos que são utilizados para distinguir. O w.c. masculino, por exemplo: Um bonequinho com a cabeça solta. Bem que poderia ser considerado “bullying” se alguém resolvesse interpretar que aquele signo estaria dizendo: banheiro pra negro, ainda mais drogado, vive com a cabeça voando! Já o feminino: A bonequinha estaria dizendo: Levanta a saia e mija aí no chão mesmo!

Neste domingo, andei “navegando“ pelos canais de tevê, e encontrei Rolando Boldrin, aquele do saudoso, “Som Brasil” antigamente no canal dos Marinhos, acontece que agora ele apresenta o “Senhor Brasil” corruptela daquele, noutro canal. E contava um causo de procissão, no interior de Minas, que contaremos aqui. Lá iam as beatas rezando e cantando, na procissão ladeira a cima. Os fiéis concentrados na cantiga da reza. Nada tirava sua atenção, cabeça baixa, iam cantando:

-Os anjos! Todos os anjos… Cantava a fila dos homens.

-Os anjos! Todos os anjos… Repetia a fila das mulheres.

E o padre lá na frente com a vela na mão também repetia:

-Os anjos! Todos os anjos…

Nisso o padre dá fé de um ônibus (naquele interior ônibus era chamado de jardineira) vem descendo a ladeira, desembestado, sem freio!

O padre se vira pro cortejo e grita:

-Gente! A jardineira! E todos numa só voz:

-Ô jardineira porque tais tão triste!

Por falar em cantiga de igreja, por estes dias estávamos ensaiando, uns cânticos pra um encontro que teremos. Entre, mais de dez pessoas, só um é fumante. Como sempre tem um gaiato no meio. A cantiga começou:

-O meu coração é de Jesus…

-E o teu pulmão é da Souza Cruz!

Fabio Campos 18.09.13 No fabiocampos.blogspot.com Breve Conto inédito: “O Jardim dos Desencantos”

PASSE O CARTÃO!

São muitos os cronistas de plantão, colaboradores em inumeráveis tablóides, sensacionalistas no web espaço. Bem como, incontáveis são os deslumbrados internautas, a debulharem quilométricas listas de ditos populares, provérbios e frases de efeito nos sites de relacionamento social. E saber que centenas de milhares pessoas tão envolvidas com o mundo virtual a ponto de dedicarem mais de um terço de suas vidas, em detrimento de um mundo real. Ocorreu-me agora criar um dito popular baseado nesse tipo de filosofia intergalática: “Internauta é como baiano, passa a maior parte da vida dentro da rede.”

Aliás neste instante, reportar-me a uma curiosa notícia divulgada através da Rádio Milenium FM(Santana do Ipanema-AL). O competente radialista, Flávio Henrique, âncora do programa matutino “Liberdade de Expressão” noticiava que um baiano iria entrar com Ação Judicial, por danos morais, contra um cantor de pagode, por ter dito, creio que num show, que “os baianos eram preguiçosos”. E o radialista remendava: “ninguém gosta, nenhum povo gosta de ser tachado disso ou daquilo (além do que isso é bullying). Porém ir ao extremo de acionar o ministério público é exagero! E nós alagoanos? Sabemos que no sul do país somos tachados pela classe política que temos.”

Visualizando esse mundo cibernético, vamos nos deparar com a humanidade vivendo vida dúbia, uma virtual que se funde e se confunde com a real. Lembro nitidamente quando à doze anos atrás, o mundo perplexo, chocado, extasiado, assistiu, ao vivo e a cores, pela TV, uma cena de filme hollywoodiano que virou realidade. O ataque terrorista as torres gêmeas do World Trade Center.

O mundo viu, nascer um novo século, e um novo milênio. Nesse ínterim descobriu-se a mais terrificante de todas as criações humanas: o PVC (policloreto de vinil) o plástico. Aliás, a palavra “nylon” (se pronuncia náilon) vem de dois termos: Nova Yorque e Londres. Dele claro, nasceria o “dinheiro de plástico” o cartão de crédito (que pode ser também de débito).

Cartões vão acompanhar a gente a vida toda: Desde o cartão de vacina quando nascemos, até o cartãozinho de lembrança no dia do sepultamento. Passando pelo cartão de apresentação, cartão de aniversário, casamento, bodas nupcial. Cartão de loteria, cartão de natal! Cartão da previdência social, Tem o cartão do Bolsa Família. O cartão poupança e o conta corrente. Cartão de registro do ponto no trabalho. Cartão do crediário, o “Green Card” é o cartão verde pra entrar na América. cartão do cadastro de pessoa física o CPF. Ultimamente o governo já cogita a possibilidade de criar o CU: Cartão Único! Que substituiria todos os citados. O problema é que as pessoas iriam ter que andar por aí com o CU na mão o tempo inteiro! Ou sair mostrando o CU a toda hora, pra todo mundo!

Meu amigo Alberto Laranjeiras, o popular “Benga” outro dia contava-me que nosso vizinho Marcos Davi, ex-prefeito de nossa cidade. Certa ocasião, recebeu um telefonema duma dessas operadoras de telemarketing oferecendo um determinado cartão. A moça passou meia hora explicando as vantagens. O amigo se fez de desentendido:

-E serve mesmo pra quê?

Mais uma hora de explicação. E o cliente quis saber:

-Tem haver com cartão de natal?

-E mais hora e meia de lenga-lenga. Pra tentar convencer o cliente, a telefonista apelou:

-Pra ter todas as vantagens basta que o senhor me passe o número do CPF e do RG!

Afinal o cliente se decidiu:

-Ô mulher me dá aí aquele CPF e RG de enganar os bestas que ficam ligando pra gente…

E ouviu o som do telefone sendo desligado no outro lado da linha.

P.S. Comunicamos aos nossos leitores e amigos, que nosso primeiro livro, previsto para ser lançado no próximo dia 13 de setembro (sexta-feira) na Câmara de Vereadores Tácio Chagas (S.I.), não mais irá ocorrer. Oportunamente divulgaremos a data deste evento.

Fabio Campos 12.09.2013

Breve no fabiosoarescampos blogspot.com o Conto inédito: “Quando morre uma Canção”

ESTRANGEIROS EM TONS DE BRANCO

Havia um anjo, que se punha sentado no pináculo da igreja. Sereno, de pernas cruzadas. Sim, eu o via, estava lá. Aonde os frisos e arcos arquitetônicos arrematavam, entre a cruz e a torre da campânula. De onde estávamos não dava pra ver suas asas. Não precisava, era um anjo, eu sabia. Além de mim, ninguém mais o via. Também ele olhava a rua, o movimento daquela tarde. Para nós tudo era novo, nunca tínhamos visto. Estrangeiros éramos ali.

As casas. Sem elas não haveria cidade, não haveria a rua que olhávamos. Estavam lá, ainda que desfalcadas, estavam lá. Carregadas de tragicidade víamos as que sobreviveram. Como se nada, nunca tivesse acontecido, lá estavam. Como se nunca tivessem passado pelo que passaram. Convidados que fomos a seguir adiante, fomos olhar o rio. Os visitantes precisavam conhecer o vilão. O fantástico ser monstruoso, a que, num tempo não tão remoto, destruíra a vida de tantos. Era preciso que soubéssemos dos que haviam padecido, e se foram. Saber dos que padeceram e ficaram. O rio, agora um fantasma, de tudo e de todos. Bastariam as nuvens empardecem, e os trovões roncarem pras bandas da sua cabeceira. Assustava a plena luz do dia. O rio que tragara a felicidade e a cidade, e os destinos que levou pro mar. Íamos ver aquele que detinha o poder de decidir quem devia e não, ser feliz. Não sabiam como, nem porque, mas isso era parte de seu poder. Continuávamos andando na rua, de repente uma ponte e o vimos. E lá estava. E se nos mostrou um rio pacato, manso. Tão relegado a rio, tão submisso feito nosso “Panema”. Diferente daquele que pintaram, de uma época não tão pra trás assim. Enquanto captavam os ouvidos atentos os relatos, daquele dia fatídico, os olhares iam lá longe. Os olhos como se quisessem virar rio. Como se os cílios dos observantes, de um momento para outro, se transformassem em tentáculos, ou em imensos cordões, que talvez tentassem fazer daquela cidade um descomunal presente, embrulhado com o papel do tempo enlaçado com as lágrimas dos que sobreviveram. As serras eram paisagens novas, e diziam novos relevos, e exigiam que nossos sentidos assimilassem aquela realidade. Paisagem renovada, vistosa, resquícios do que um dia fora: mata atlântica.

E tudo era úmido. Nada, ou quase nada, remetia ao nosso sertão como de fato o conhecemos. Acontece que pra onde quer que vamos, vai nosso legado conosco. A encosta escarpada ameaçava vir interditar o passeio. Quem sabe naquele dia, uma barreira interrompeu o trânsito? Árvores frondosas, exibiam ventres volumosos de raízes lenhosas, que não conseguiram entranhar a terra escura. A força da enxurrada havia arrastado a porção de terra que as circundavam. E punham a mostra o esqueleto retorcido de carnes expostas, de celulose e lignina lustrosa, feito músculo de negro açoitado, fugidio pro quilombo, logo ali. Castanhais, pinheiros, caramboleiras, tamarindos, felizes pela tarde de sol tímido, anuviado, tarde chuvosa, revestiam de verde os olhares. Ruas dançantes, num bailado como a um piano que fora estraçalhado, tornado desiguais os paralelos, que subiam e desciam numa sinuosidade desconexa, como nunca quisesse se encontrar. Uma casa, um terreno baldio. Casa, espaço vazio, casa, escombros, casa, ruína de uma casa encostada noutra casa, que de tanta umidade ameaçava desabar. Tudo refletia umidade. O sol refletia as gotículas de chuvas, faziam reluzentes as folhas verdes. As paredes das edificações choravam sangue de barro vermelho. Descendo desde a cumieira, ou traziam uma linha de molhação, dizendo até onde as águas haviam subido. Infelizmente não conseguiram livrar-se do excesso de água. Depois que submergiram nas águas do rio, nem o tempo conseguira dissimular.

Decidimos que era preciso conhecer o lugar onde éramos estrangeiros. Enquanto íamos andando, a professora ia contando, recordando os fatos que lhe ficaram marcados na alma, naquele dia dantesco. Lembrava dos fatos à medida que ia passando nos lugares onde eles ocorreram. Se lá longe, ela apontava mostrando. O rio tomou a cidade em questão de minutos. Os que conseguiram se salvar largaram tudo pra trás, não dava tempo salvar nada. Os que se salvaram, lá de cima, da encosta viam uma haste negra e fina tremulando no meio do mar de água barrenta apontando pro céu. Depois que as águas baixaram descobriu-se o que era: os trilhos do trem, retorcidos. A Biblioteca Municipal, A Estação Rodoviária, A quadra poliesportiva, o Juizado das Pequenas Causas, agora só havia o terreno vazio, foi o que restou. Os ônibus, os carros de passeio desceram na correnteza, feito barquinho de papel que os meninos de nossa infância em dia de chuva, punha na sarjeta pra água levar.

“-O rio tomou muita água! -Ligeiro! -Depressa minha gente! -Salvem a si mesmo! Não dá tempo levar nada!” O rio foi até a prefeitura, não respeitou o segurança prostrado a entrada. Molhou e sujou de barro a farda Branquinha do contínuo. Subiu pelas pernas do chefe de gabinete, entrou na sala onde o prefeito despachava. Invadiu, sem pedir licença, que atrevimento! O prefeito e a primeira dama tiveram que escalar os móveis, subiram ao teto da prefeitura. Também até a escola, foi o rio, feito menino danado tomou lápis e os cadernos dos pequeninos, se apossou dos livros da professora, apagou a anotação no quadro de giz. A professora não podia por o rio de castigo. Fez o que pode, pela janela escalaram o teto da escola, ali se sentiam a salvo. Rezando para que as águas não subissem mais. O dono do armazém de secos e molhados, agora só tinha molhados. Com seus empregados tentaram por a salvo a mercadoria. Em vão, o rio estava faminto, sedento, e vorazmente foi engolindo, sacas de feijão, arroz, fubá, charque e grades de refrigerante. De repente um monstro de ferro no meio das águas, sendo arrastado pela correnteza, somente parte dele dava pra ver: Era a Descia rápido, tragicamente a gigantesca parafernália de aço acenava, fornalha da usina de açúcar! levada sabe Deus pra onde.

Dona Maria morava sozinha, na beira do rio. Bem ali, ao lado da ponte, construíra sua morada, de dois pavimentos. Dona Maria percebeu a água entrando de casa adentro. Sabia o que estava acontecendo, rapidamente pegou dinheiro e documentos. Já na porta ia saindo, lembrou-se da sua cachorrinha Lili. Não podia deixar Lili. Voltou, tinha que dar tempo! Onde estaria Lili? No primeiro andar, subiu. Achou Lili, estava na cama! Sua danada! Pronto agora era só descer e salvar, a si e a Lili. Cadê a escadaria? Não tinha mais degraus, só água. Tempestuoso, deseducado o rio subiu, e invadiu o quarto. Dona Maria não teve outra alternativa, a não ser alcançar o telhado do sobrado. Mas o rio foi em seu encalço. E o rio abraçou dona Maria e Lili, e arrastou pro turbilhão de água. E nunca mais dona Maria, nem a cachorrinha Lili voltariam ao sobrado.

Pra professora a imagem que ficaria marcada pra sempre, era a de uma menininha, resgatada por um pescador, toda molhada, envolta num cobertor, tremia de frio. Perplexa, olhava fixo pra monstruosa serpente ameaçadora que passava, devorando tudo que interpunha seu caminho. Os olhinhos molhados não tirava-os das águas turbulentas, talvez alimentasse a esperança de ver surgirem dali, seus irmãos, sua mãe. A professora confidenciou que por muitos dias, após o sinistro acontecido, nas muitas noites insones, saía de casa, perambulava pelas ruas desertas, escuras e tristes. As vagações nas madrugadas culminavam com idas até a beira do rio, agora domado. Ali passava horas, fitando as águas calmas e escuras. Chorava, e chorava e perguntava: “-Por que?”

Mais uma vez, volvemos nosso olhar pra fachada da igreja, que o rio lavou. Naquele dia, apenas a cruz ficara emersa. A linha d’água divisava dois tons de branco: branco seco, branco molhado. O anjo continuava lá, encimado no pináculo. Um olhar mais acurado, mais profundo, mais transcendental e conseguiríamos ver, em cima dos telhados, meninas e meninos alados, brincando de “pega”, brincando de soltar pipas azuis celestiais, e se deliciavam com algodão doce, feito de nuvens em dois tons de branco.

Fabio Campos

Sinos Dobram? Sinos Falam! E isso não é metáfora

Foto: Ilustração

Foto: Ilustração

Noutro dia numa aula de biologia, tentei convencer meus alunos que a simples deslocação do acento de uma vogal para outra, em determinadas palavras, que nomeiam estruturas de uma célula, comprometem totalmente o entendimento do vocábulo. Por exemplo: mitocôndrias, vacúolos, centríolos. Na boca de quem não adquiriu intimidade com a tonicidade vocabular, podem virar monstrengos como: mitocondrias, vacuólos ou váculos , centriôlos e por aí vai. Pra explicar a gravidade do erro, escandalizei:

-Experimentem deslocar o acento tônico da palavra coco! Coitado! Vai virar cocô! Ou seja, uma coisa que serviria de alimento, por conta de um simples acento ortográfico, fora do lugar, vira dejetos humanos!

Sobre outros vocábulos famosos: Você sabia que a batata inglesa não é inglesa? Isso mesmo a batatinha é do Peru. E a chave inglesa? Na Europa é conhecida como chave Sueca! Aliás, as intromissões dos ingleses, naquilo que é de outros vem de longe: Gandhi os expulsou das índias. Já nossos “hermanos” argentinos, não tiveram a mesma sorte, as Ilhas Malvinas, os britânicos tomaram e batizaram-nas de Falkland islands. Agora deram de reter material de jornalista brasileiro, quanto atrevimento!

Já há algum tempo, as escolas públicas recebem algumas publicações, que servem de suporte para nós professores. Ajudam na formação, na otimização da preparação das aulas. Gosto particularmente de duas delas: Revista da Língua Portuguesa, e Revista Cálculo. Vejam só que pérolas de uma e outra:

“A origem de @: O sinal tipográfico de arroba já existia antes de virar uma espécie de síntese visual da internet. Era sinônimo de peso, equivalente a 15 quilos, e veio do árabe ar-rub (“a quarta parte”). Ociosa nas máquinas de escrever, a tecla de @ foi associada aos endereços de e-mail por obra de Ray Tomlinson, da BBN Technologies, em 1971, como forma de separar o nome do usuário do nome do servidor. Em inglês, o sinal pronuncia-se “at”, que remete ao latim “ad” sinônimo de “em”, “para”. (fonte: revista da Língua Portuguesa, edição 93, ano 8, pág. 19).

“Premonição de Morte: Um brasileiro sonha com a morte de uma amiga. No dia seguinte, num acidente de carro, ela morre. Ele ficará chocado com a experiência, e provavelmente dirá que recebeu um aviso de Deus. Se for estudante de matemática, contudo, não se surpreenderá ao perceber que fez parte de uma coincidência, passível de explicação com fórmulas simples.” (fonte: revista Cálculo, ano 3, nº27,abril 2013, pág. 38).

Por falar em dormir, sonhar e matemática etc. e etc. Contaremos outra de Shyco Farias, o professor de Educação Física da Ufal, irmão de Capiá. Pra nós santanenses, o popular “Tamankinho”. Ainda, lá na Escola Mileno Ferreira, na hora de acertamos os relógios, recordava com muito carinho, do relógio da Matriz de Senhora Santana, que badalava seu sino no alto da torre da igreja para assinalar as horas. Contou-nos que, um certo cidadão boêmio, de nossa cidade. Sempre dado as farras. Certa vez, voltou pra casa altas horas da noite, justo na hora que a campânula tocou apenas uma badalada, que anunciava: uma hora da madrugada. No dia seguinte sua companheira quis saber:

-Que horas tu chegou esta noite, homem?

-Dez da noite.

-Deixe de mentira! Eu ouvi, o sino tocou só uma vez!

-Ôxente! E tu queria que o sino tocasse o zero!

Fabio Campos 23.08.2013

No blog fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito em breve!

VENDEM-SE PRÉDIO (OU) TROCA-SE POR HIDRELÉTRICA!

Vou sugerir a Revista da Língua Portuguesa, o estudo de um tema interessante: A língua Lusófona e o mundo do crime. Pano pra manga tem muito. Vez outra, ficamos sabendo através das reportagens televisavas, de casos interessantes em que bandidos enviam mensagens, através do celular, e as vítimas um pouco mais atentas, descobrem que se trata de ação ilícita, justo porque o meliante “escorrega” na língua, na hora de redigir seu texto:

“VoÇê acaba de sÊ conteNplado com um prêmio de um carro. Basta depoZitÁ R$…”

Tipo assim, basta dominar um pouco nossa língua pra entender que empresas idôneas, não costumam ter no seu quadro de funcionário pessoas semi-analfabetas que saiam por aí enviando mensagens cheias de falhas escabrosas feito essa.

Ainda mais nas causas forenses, erros de português podem libertar como podem condenar. Lembro que quando estudei 8ª série (lá pelo ano 78) no livro da Língua Portuguesa tinha uma piada, em que numa cidadezinha do interior de Minas, o delegado havia prendido uma quadrilha de perigosos assaltantes, composta de um chinês, um peruano e um português. Daí o homem da lei envia um telegrama pra Belo Horizonte contando a façanha:

“Nóis prendeu os hômi. São trêis: um chinêis, um piruano, e u outro portuguêis.”

O chefe da polícia da capital, respondeu:

“Muito bem delegado. Mantenha-os presos. Amanhã iremos buscar, mas corrija o português.”

Resultado: O delgado mandou baixar o cacete no pobre do português.

Jô Soares sempre inicia seu programa da madrugada, com algumas piadas, a maioria sem graça, mas a gente com boa vontade ri, até pra libertar o espírito, pra ir dormir como a alma mais leve. E o próprio Jô falava outro dia que os portugueses entraram com uma ação contra nós brasileiros por essa discriminação em contar piadas, depreciando a inteligência dos nosso irmãos lusitanos. De modo que agora se a piada for de português mude para um argentino. Pois então lá vai uma:

“Um argentino veio de férias pro Brasil, lá ia ele numa autopista quando uma placa de sinalização o avisou: “DEVAGAR! QUEBRA-MOLA.” Nosso incauto condutor não se fez de rogado, acelerou o máximo o carro. A porrada foi tão grande na lombada que quebrou toda suspensão. O argentino, pegou tinta e acrescentou na placa: “CORRENDO TAMBÉM!”

Ainda ontem estivemos na Escola Mileno Ferreira, pra fazer parte da equipe dos fiscais da COPEVE, no concurso pra Pós-graduação da Ufal. Nosso comandante, de novo era ele, refiro-me ao carismático Shyco Farias, o popular “Tamaquinho” irmão de Capiá. De maneira singular, que somente um membro da família “sorriso” sabe, passou-nos as instruções. E pra descontrair entre uma história e outra, contou algunss fatos pitorescos:

“Quando alguém fala: “Ah! Você é da cidade que o povo colocou um jumento na praça! Meu amigo, pelo menos lá nós colocamos na praça, pior é na terra onde colocaram na prefeitura!”

E sugeriu diretamente a nós que colocássemos aqui. O saudoso vulto histórico dos fatos pitorescos de nossa cidade: “Lulu Felix, foi a capital paulista. Estava lá bem no centro de São Paulo começou a olhar pra um dos prédios mais alto. Um malandro aproximando-se lhe abordou:

-E aí “paraíba”! Quer comprar?

-Comprar, comprar não… mas troco na Cachoeira de Paulo Afonso!

Fabio Campos 19.08.2013

No fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “A Menina Júlia”

 

Consertam-se palavras (já era tempo)

Já teria dito um dia, que sou fã de “carteirinha” de seminários. Tem um fabricante de colchões que propaga que “passaremos um terço de nossas vidas sobre eles…” Eu diria que, ao cabo de minha existência terei vivido outro terço justamente em salas de simpósios, seminários, palestras, cursos e outros eventos de tal natureza. Faz parte.

Um tipo de treinamento, surgido, no novo milênio foram as Oficinas. Não poderíamos de deixar de achar interessante a ponto de dar imaginação as nossas asas, e pensar de que mente brilhante surgem essas ideias! Ora oficina é um vocábulo que remontam em nossa mente algo que necessita de reparos: Oficina mecânica.

Já imaginou um professor da Língua Portuguesa, que desse aulas de reforço e resolvesse inovar colocando um cartaz na porta de casa anunciando: “CONSERTAM-SE PALAVRAS”

“O oficina da Palavra foi criada em 2004, como atividade do estágio curricular em “Atenção Pssicossocial na Saúde Coletiva” do curso de Psicologia da UNESP/Assis com o objetivo geral de estimular a circulação da palavra, através da discussão de contos, histórias, “causos”, piadas, poesias e produções jornalísticas.(fonte: www2.assis.unesp.br)

“(…) Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas e para brincar com elas é preciso intimidade primeiro. É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado para dizer o que quer, dar sentimentos às coisas, fazer sentido,[…] A palavra nuvem chove. A palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra carro corre. A palavra palavra diz. O que quer. E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito e pronto. As palavras são sinceras, as segundas intenções são sempre das pessoas […] As palavras também têm raízes mas não se parecem com plantas, a não ser algumas delas, verde, caule, folha, gota. As células das palavras são as letras. Algumas são mais importantes do que as outras. As consoantes são um tanto insolentes. Roubam as vogais para construírem sílabas e obrigam a língua a dançar dentro da boca. A boca abre e fecha quando a vogal manda. As palavras fechadas nem sempre são as mais tímidas. A palavra sem-vergonha está aí de prova. Prova é uma palavra difícil. Porta é uma palavra que fecha. Janela é uma palavra que abre. Entreaberto é uma palavra que vaza. Vigésimo é uma palavra bem alta. Carinho é uma palavra que falta. Miséria é uma palavra que sobra. A palavra óculos é séria. Cambalhota é uma palavra engraçada. A palavra lágrima é triste. A palavra catástrofe é trágica. A palavra súbito é rápida. Demoradamente uma palavra lenta. Espelho é uma palavra prata. Ótimo é uma palavra ótima. Queijo é uma palavra rato. Rato é uma palavra rua. Existem palavras frias como mármore. Existem palavras quentes como sangue. Existem palavras mangue, caranguejo. Existe, palavras lusas , Alentejo. Existem palavras itálicas, “Ciao”. (…) Existem palavras que são um palavrão. Existem palavras pesadas chumbo, elefante, tonelada. Existem palavras doces, goiabada, “marshmallow”, quindim, bombom. Existem palavras que andam, automóvel. Existem palavras imóveis, montanha. Existem palavras cariocas, Corcovado. Existem palavras completas, elas todas. Toda palavra tem a cara do seu significado. A palavra pela palavra perde o seu significado fica estranha. Palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, não diz nada, é só letra e som. (fonte: Adriana Falcão “Peq. Dicion. De Palavras ao Vento” tirado do livro “Tecendo Linguagem”, Ibep-2012- pág. 15/16).

Pra descontrair vamos finalizar com duas piadas. Uma de mentira a outra real, porém sem graça as duas:

Lá vinha um bêbado atravessando a rua. O fusquinha que quase o atropela, dispara:

-Bibiiiiii!!!

E o bebum:

-Eu também.

Nunca mais tinha visto Abílio Marques. Cumprimentei efusivamente:

-Fala Abílio! Onde tem andado?

-Labutando!

Fabio Campos 13.08.13

Fabio Campos no fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto “O Visionário”

Vagabunda aqui abunda!

Hoje quero fazer crônica sem compromisso com nada. Crônica, assim feito borboleta vagabunda, esvoaçante da crônica do saudoso Ruben Braga. Aliás “vagabunda” é palavra bem interessante. Notadamente este termo linguístico deva vir de dois radicais: “vaga”; espaço, delimitado ou infinito. Mas… E de onde será que vem “bunda”? (se preferir) Pra onde vai a bunda?

“Na época da escravatura(…) foram trazidos de Angola escravos de origem Ambundos. Naquela época a palavra bunda não existia. Os portugueses quando queriam falar a respeito das nádegas de uma cachopa, diziam exatamente isso, nádegas ou região glútea. Escravos eram chamados de quimbundo (ou Kimbundu). O quimbundo é uma língua com grande relevância, língua tradicional da capital e do reino dos N’gola. (…)Os ambundos, mais conhecidos por bundos, em especial as mulheres, bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada e globosa. Os portugueses, que ao contrário do que se acredita, não são bobos, logo encompridaram os olhares para as nádegas das mulheres bundas. Quando as escravas bundas passavam diante de uma turma de portugueses, eles comentavam: “-Que bunda!” Em pouco tempo a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinônimo de nádegas! Assim nasceu a bunda moderna. Bunda também é cu-ltura!” (Fonte: facebook.com.br).

“Vagabunda, deriva da palavra vagal, que é correlacionada com desocupada. Sem profissão, ou não tem dono. Possui uma estreita relação com a palavra vadia, PIS tem significado igual, ou complementar. A história relata sua primeira aparição a + ou – 2500 anos atrás, quando Júlio Cesar, imperador pediu a cabeça de Fabíola, uma cortesã que na época era conhecida como a mais popular “vagal” de todo império romano.” (Fonte: Yahoo.com/respostas?Simone Casanova)

“O dicionário Aurélio da língua portuguesa traz Bunda como nádegas e até como ânus. Já o dicionário de Kimbundu-Português traz mbunda como traseiro, nádegas e saracoteio. O acréscimo de “M” e “N” antecedendo a palavra tem função de nasalidade da palavra. A palavra Bunda também existe em Portugal, porém é menos usada que no Brasil. Em Portugal usa-se mais “traseiro” e “cu”. Existe até a famosa expressão “tomar uma pica no cu” para dizer que vai tomar uma injeção na bunda. Para se ter uma ideia o dicionário PT-BR do Mozilla Firefox não traz a palavra Bunda, você é que tem que adicioná-la” (Fonte: linguaportuguesabyrogerio marques.blogspot.com.br).

Ontem precisei entrar na “Casa O Ferrageiro”. Aliás ambiente do qual não deixo de elogiar, diretamente aos funcionários (quando ali estou) pela presteza, a cordialidade, a polidez com a qual tratam os fregueses indistintamente. Isso faz com que criemos um vínculo de amizade e um clima de descontração com os atendentes, na hora de efetuar compras ali. Ao dirigir-me para receber o que havia comprado, presenciei uma conversa calorosa, entre um cliente e o rapaz da sessão de embalagens que entre risos geral reclamava:

-Me diga professor! Pode uma coisa dessa? O dia inteiro tenho que aguentar os caras me pedindo pra dar a “rosca”, a “ruela”, esse aqui, agora mesmo está me pedindo o “anel”!

Fabio Campos 09.08.2013

No fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “Ruínas na Avenida Coronel Lucena”

É O CÚMULO!

Cúmulo quer dizer o máximo

O máximo é estar por cima

No mais alto patamar

Com as palavras vou brincar

Vou rimar rima com rima

O CÚMULO DA INTELIGÊNCIA

Não é uma frase poética

Tomar sopa de Letrinhas

E depois dar bem certinha

Uma Cagada em Ordem Alfabética

O CÚMULO DO ENGANO

Esse não é imoral

Uma minhoca enganada

Entra numa Macarronada

Pensando que é um Bacanal!

O CÚMULO DA INGRATIDÃO

Não quer dizer coisa alguma

O filho gozar num pote

E dizer: Pai ói meu dote

Não devo mais pôrra nenhuma!

Tem o CÚMULO DO BARULHO

Feche a porta e passe o trinco

Duas Caveiras transando

Osso com osso se amando

Encima duma folha de Zinco!

O CÚMULO DO DESPERDÍCIO

Vão dizer eu já sabia

Uma Kombi cair num abismo

Dentro dela dois Políticos

Quando Doze nela cabia!

Existe o CÚMULO DA DOR

O Masoquista é tiéte

Num tanque de Álcool mergulhar

Só depois de deslizar

Num Tobogã de Gilete

O CÚMULO DA MAGREZA

Veja só se adivinha

Se deitar num alfinete

Se esticar pra cacete

E se cobrir com a Linha

O CÚMULO DA LERDEZA

Não dá nem pra acreditar

Botar fé em Joguinho

Você apostar sozinho

E ficar em segundo lugar

O CÚMULO DA ESPERANÇA

Esse não está com nada

Um Travesti já meio velha

Tomar suco de groselha

Só pra ficar Menstruada

O CÚMULO DA MALDADE

É coisa meio patética

Na hora de executar

O Carrasco colocar

Tachinhas na Cadeira Elétrica

O CÚMULO DA RAPIDEZ

Não desejo ao inimigo

Ir ao enterro de um Parente

Sair assim tão urgente

E ainda encontrá-lo Vivo!

O CÚMULO DA REBELDIA

Esse eu não suporto

Mesmo morando sozinho

Sair e deixar um recadinho:

“Vou e não sei se volto!”

Veja o CÚMULO DA SORTE

É de suma importância

É você meio “Ramado”

Ser na rua atropelado

Logo por uma Ambulância!

Tem o CÚMULO DO AZAR

Num dia só ser roubado

Ver a mulher com o Patrão

E o filho com um Negão

Todos dois sendo enrrabados!

O CÚMULO DA IGNORÂNCIA

Esse está fora de linha

É um Cara Picareta

Desmontar uma caneta

Pra procurar as Letrinhas!

O CÚMULO DA VAIDADE

Vai bem fundo do seu Âmago

A mulher sair do Tom

E engolir um Baton

Pra pintar a Boca do Estômago!

O CÚMULO DA NULIDADE

É levar uma vida Nula

No Campo de Futebol

A posição é uma só

Ser “reserva” de Gandula

O CÚMULO DA TRAIÇÃO

Eu vou citar essa bosta?

É alguém se suicidar

Tentar você mesmo se matar

com uma facada nas Costas

O CÚMULO DA BOA VISÃO

Chega a ser grande conquista

Um Judoka ir lutar

Dez Faixas-Pretas derrubar

Só com um Golpe de Vista!

Veja o CÚMULO DA SEDE

Do Deserto você vem

Mas vem com tanta sede

Já ficando quase verde

Que chega a tomar um Trem

Tem o CÚMULO DA FEIÚRA

Pior que esse não há

É você se olhar no espelho

E ele quebrar no meio

Te dando Sete anos de Azar

Tem o CÚMULO DA POBREZA

Dessa vez um Mudo fala

É Vender a própria Camisa

Porque o dono precisa

Comprar sabão pra Lavá-la

O CÚMULO DA PACIÊNCIA

Tem que ter “Saco” não négo

É chupar um parafuso

Sugar tanto que o uso

Vai fazer virar prego

O CÚMULO DO EXAGERO

É coisa meio maluca

No Rio de Janeiro passear

E resolver ir passar

Manteiga no Pão de Açúcar!

O CÚMULO NO FUTEBOL

Nem sei se é cúmulo essa joça!

É você chutar no “Gol”

Mas o que você acertou

Foi a droga de um “Corsa”!

Tem também CÚMULO DO VÔLEI

Deixa a gente meio Bobo

Dar na bola um Sóquete

Rebater com uma “Manchete”

E acertar na “Rede Globo”

O CÚMULO DA AVAREZA

Sovina não leve a mal

Atravessar um rio à nado

Levando na mão trancado

Sem nem molhar um Sonrisal

Veja o CÚMULO DA SENSURA

De besteira já estou farto

A parturiente Renega

Proibida de abrir as Pernas

Mesmo na hora do parto

O CÚMULO DA CONFIANÇA

Maluco também tem Nome

Confia tanto no amiguinho

Que até jogam palitinho

Todos dois por Telefone

O CÚMULO DA DESCONFIANÇA

Quando o cabra é trambiqueiro

No Supermercado ir comprar

Mas ninguém vai confiar

Nem ele pagando a Dinheiro!

O CÚMULO DA EDUCAÇÃO

Os Viados desse gosta

Quando o dito cujo é enrabado

Se desculpa encabulado

Por ter que ficar de Costas!

O CÚMULO DA EJACULAÇÃO PRECOCE

A mulher já dando Pôpa!

O cara já se vestindo

Pergunta: – “Foi bom?” Sorrindo

E ela nem tirou a roupa!

O CÚMULO DA FRIGIDEZ

Não é difícil Entender

Depois de fazer Amor

Ele pergunta: Gostou?

E ela pergunta: De quê?

O CÚMULO DA DISTRAÇÃO

O Cara em Lua-de-Mel

No Motel curte demais

De manhã toma um chuveiro

E ao lado do travesseiro

Sai e deixa vinte Reais!

O CÚMULO DO EGOISMO

Esse vai muito mais além

Sua curiosidade aguçar

Só que pode se Aquetá

Eu não conto pra ninguém!