ZUP NA ESTRADA

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de março de 2014.

Crônica Nº 1144

Foto: Clerisvaldo Chagas

Foto: Clerisvaldo Chagas

O automóvel roda tranquilamente pelo litoral maceioense. Nem parece sábado de Zé Pereira na pista dupla entre os manguezais. Vamos fotografando as belas paisagens alagoanas entre o mar e a lagoa. Barracas às margens com suas guloseimas típicas, Massagueira, Barra Nova, Barra de São Miguel… Vai passando o mundo do mangue e entramos pelos canaviais que nos levam a São Miguel dos Campos. Nada de Carnaval. Resolvido o motivo da ida à cidade miguelense, após farto almoço na Zona da Mata, vamos seguindo rumo a Santana do Ipanema, encontrando o trânsito comportado como o de início da viagem, em Maceió.

Foto: Clerisvaldo Chagas

Foto: Clerisvaldo Chagas

A tarde ia caindo quando iniciamos uma sessão de fotos de crepúsculo, espetáculo entre a Mata e o Agreste sempre caprichado em amarelo vivo. No povoado Belo Horizonte, perto de Campo Alegre, nos deparamos com uma figura inusitada: um avião em cima de um poste. Lá vai máquina! Mas todos queriam mesmo era chegar ao Pé Leve, povoado que vende as comidas típicas populares, em barracas. Mas os barraqueiros haviam evoluído e transformaram as barracas em ótimas casas de alvenaria. Procuramos o tradicional ponto “Barraca da Galega” para comprarmos bolo de milho, broa, má casada, pé de moleque cozido na folha da bananeira e outras iguarias. Mas a galega não estava mais sozinha. Outros moradores tiveram a mesma ideia e o local tornou-se ótimo ponto de negócios devido ao intenso movimento por ali. Tocamos para Arapiraca. Queria anoitecer quando cruzamos o núcleo e continuamos rumo ao Sertão.

Nas imediações de Batalha, já noite firme, víamos relâmpagos assustadores ao norte. Calculamos que estivesse acontecendo trovoadas pesadas entre Palmeira dos Índios, Cacimbinhas e Pernambuco. Enquanto isso as guloseimas cheiravam que era uma beleza e não víamos a hora de chegarmos a Santana do Ipanema, para um cafezinho fresco com aquelas coisas trazidas do Pé Leve. Tudo consolidado. Nada de chuva em Santana e nem Carnaval pelas rodovias.

Pois é, enquanto uns pulavam o frevo por aí, nós ZUP NA ESTRADA.

A MEDIDA QUE MEDE O CANTADOR

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2014

Crônica Nº 1146

 

A cabeça produz todo o repente

Dia e noite azeitando o maquinário

A produção independe do horário

Mas não pode ser isso tão somente

Vez em quando vem algo diferente

Escapando à rotina e o padrão

Nesse instante se rompe a vibração

E a estrofe triplica o seu valor

A medida que mede o cantador

É a cuia que mostra a criação

 

Não gosto de cantar uma cidade

Trânsito, avenidas e concreto

Baladas, teatros, mar aberto

Escolas, presídios, faculdade

Prefiro o furor da tempestade

A voz temerosa do trovão

O corisco que desce e fura o chão

A onça acuando o caçador

A medida que mede o cantador

É a cuia que mostra a criação

 

O verdume da mata é um calmante

A paisagem da seca é dor atroz

Carcará quando desce é mais feroz

O orvalho nas folhas é diamante

É mais ouro o sopé do horizonte

Os serrotes vigiam o meu sertão

Rasga-beiço protege o azulão

Entre galhos de espinho serrador

A medida que mede cantador

É a cuia que mostra a criação

 

Depois de um dia bem chovido

O sol pinta seus raios no poente

Pula o sapo no olho da vertente

O mocó passa as unhas no ouvido

O galho da jurema, retorcido

Baixa o dorso e balança o gavião

Um peba fugitivo cava o chão

O preá distancia o predador

A medida que mede o cantador

É a cuia que mostra a criação

 

Nas chapadas bonitas, colossais

Dobram hinos canários sem prisões

As serpentes protegem os paredões

Borboletas esvoaçam triunfais

Os macacos se coçam nos umbrais

Nas quebradas relincha o garanhão

O bico cortante do cancão

Silencia pra ver o sol se por

A medida que mede o cantador

É a cuia que mostra a criação

 

Vem à brisa varrendo o pó da terra

Semeando balidos de ovelhas

O zumbido nervoso das abelhas

Vai levando ferrões, lanças de guerra

O guará ardiloso desce a serra

Ergue ao vento o focinho de carvão

A cobra no terreiro morde o cão

Passa o ramo o velhinho curador

A medida que mede o cantador

É a cuia que mostra a criação

 

FIM

GUARDIÕES E GAZETA OUVEM O POVO

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de fevereiro de 2014

Crônica Nº 1143

Guardiões e repórter próximos ao matadouro (Foto: Assessoria Agripa)

Guardiões e repórter próximos ao matadouro (Foto: Assessoria Agripa)

Mais uma vez os guardiões voltaram ao rio Ipanema, a convite da TV Gazeta de Alagoas. A reportagem da afiliada da Globo, procurava os problemas que impedem melhor qualidade de vida para os habitantes ribeirinhos e os danos causados ao meio ambiente. O centro da cidade, local conhecido popularmente como Ponte do Urubu, foi alvo das poderosas lentes da TV.

A Associação Guardiões do Rio Ipanema – AGRIPA, representada pelo tributarista Sérgio Soares Campos e pelos escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto, descreviam o histórico de cada ponto tocado pela reportagem, sem no entanto, apontar culpados pelo que está acontecendo com o rio Ipanema e seus afluentes.

Sérgio Campos debulha antigos problemas ambientais (Foto: Agripa)

Sérgio Campos debulha antigos problemas ambientais (Foto: Agripa)

O Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues, situado na Cajarana, também foi alvo da reportagem da Gazeta. A região da Cajarana (por trás do hospital gigante) é a mais desprezada de Santana do Ipanema, onde a população vive sem água, sem calçamento, sem coleta de lixo e receptora de fezes e até de sangue que descem da fossa e lavanderia do hospital. Os moradores que vivem atolados na miséria reclamam constantemente, mas as soluções não conseguem descer a ladeira do Bairro Floresta.

A Secretaria do Meio Ambiente quer resolver o problema, porém, esbarra no serviço mal feito do saneamento de Santana e a CASAL não consegue coletar o material. Enquanto isso, o Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues cura os pacientes na frente e adoece os moradores por trás. Seus dejetos descem atravessando o casario da Cajarana rumo ao riacho Salgadinho que despeja no rio Ipanema.

Escritor Clerisvaldo B. Chagas fala à Gazeta (Foto: Assessoria Agripa)

Escritor Clerisvaldo B. Chagas fala à Gazeta (Foto: Assessoria Agripa)

Ainda foi alvo da reportagem Gazeta de Alagoas, o matadouro público, grande poluidor do rio e que não oferece as mínimas condições de higiene.

Os guardiões do rio Ipanema sabem que esses problemas vêm se arrastando por décadas, mas que a partir do mês de março, vão intensificar suas vozes e suas efetivas ações junto às autoridades até que todos os problemas básicos do rio e de seus afluentes sejam resolvidos. Os guardiões prometem não dar sossego a quem estiver errado sobre os assuntos acima e os omissos que têm o dever de fazer e nunca fizeram.

Vamos todos, autoridades e sociedade lutarem juntos e mostrar ao mundo nosso exemplo em busca de vida sadia.

AGRIPA NA JORNADA PEDAGÓGICA

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2014

Crônica Nº 1138

Foto: Assessoria Agripa

Foto: Assessoria Agripa

Convidada pela Secretaria Municipal de Educação, a Associação Guardiões do Rio Ipanema, fez-se presente ontem no Tênis Clube, em Santana.

Para falar sobre o rio Ipanema e apontar itens que poderiam ser trabalhados pelas escolas sobre esse acidente geográfico (o mais importante do Sertão alagoano) a AGRIPA enviou ao Tênis Clube Santanense, local onde está sendo realizada a Jornada Pedagógica para o ano de 2014, quatro guardiões.

 2º dia de Jornada Pedagógica no Tênis Club. Foto/Agripa.

Diante de uma plateia de quatrocentos educadores, os guardiões, didaticamente, dividiram a apresentação em quatro momentos, a saber: O guardião escritor Marcello Fausto falou, em síntese, sobre o rio Ipanema com informações gerais e rodou um filme bem ilustrativo sobre as duas faces do Ipanema, trecho urbano focando as belezas naturais ainda conservadas e a parte triste provocada pelo homem.

O guardião também escritor, Clerisvaldo Braga das Chagas, disse sobre a divisão da parte urbana do rio. Os seis trechos em que a AGRIPA dividiu o Ipanema para melhor ser trabalhado, vai desde o Poço Grande ou Poço do Boi (acima da grande barragem assoreada) até as Cachoeiras, após o Bairro Bebedouro.

Clerisvaldo, Renalda, Rafaela, Vilma, Ferreirinha e Ariselmo. Foto/Agripa.

À professora Maria Vilma de Lima, guardiã, coube falar sobre um projeto de arborização realizado pela Escola Estadual Professora Helena Braga das Chagas, quando a própria Vilma de Lima era diretora daquela unidade do Bairro São José. Esse projeto foi premiado pelo estado de Alagoas, provando assim que é possível socorrer o rio Ipanema nessa situação difícil em que ele se encontra.

Na sequência apresentou-se o poeta, cantor, mateiro e guardião Cícero Ferreira Barbosa, descrevendo as propriedades medicinais de ervas, arbustos e árvores encontradas no leito seco do rio Ipanema ou às suas margens.

Marcello Fausto convida os professores para a luta ambiental. Foto/Agripa.

A guardiã Maria Vilma, ainda retornou para oferecer à plateia vinte e dois itens como opções de trabalho sobre o rio, pelas escolas de Santana.

Ainda fez parte da equipe como apoio, o guardião Ariselmo Melo e a mais nova guardiã, professora Lúcia Barbosa (Lucinha).

Enquanto isso, Manoel Messias, (atual Diretor Municipal de Meio Ambiente e também guardião) participava de encontro na Câmara de Vereadores, com o IMA, sobre resíduos sólidos.

O presidente da AGRIPA, Sérgio Soares Campos, não podendo comparecer aos trabalhos no Tênis, Foi representado pelo vice-presidente, Clerisvaldo Braga das Chagas.

Vale destacar a recepção e carisma da Coordenadora do evento, Rafaela, o empenho da equipe da Secretaria de Educação e a presença da Secretária Renalda Martins da Silva.

A HISTÓRIA BRASILEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de fevereiro de 2014

Crônica Nº 1138

 

Quando D. Pedro Segundo

Chegou com Matusalém

Compraram um jegue em Belém

Passaram um cheque sem fundo

Bem perto de Passo Fundo

Obama fazia a feira

Judas tinha tremedeira

Quando Lampião chegava

Minha avó tudo ensinava

Da história brasileira

 

Noé matou uma ema

Para comer com Jesus

O Papa fez uma cruz

Do miolo da jurema

Dilma pulou no Panema

Pelé viu a bagaceira

D. João caiu na ladeira

Pelas pingas que tomava

Minha avó tudo ensinava

Da história brasileira

 

Moisés chegou ao Brasil

Foi morar em Maceió

Herodes dançou forró

Levou bala de fuzil

Pilatos comprou três mil

Galinhas de capoeira

Enfrentando Zé Pereira

Felipe Massa tombava

Minha avó tudo ensinava

Da história brasileira

 

Sansão morava nos morros

Negociava com burros

Deu mais de seiscentos murros

Matou quinhentos cachorros

Lula comprou negros forros

Foi vender lá na Mangueira

Tiradentes na pedreira

Quebrava pedra e fumava

Minha avó tudo ensinava

Da história brasileira

 

 

Getúlio Vargas morreu

Pertinho do São Francisco

Foi um tiro de Corisco

Na hora que lhe prendeu

Bateram em José Dirceu

Com talo de macaxeira

Floriano a guerra inteira

Torrado do bom tomava

Minha avó tudo ensinava

Da história brasileira

DIA DO RIO IPANEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de fevereiro de 2014

Crônica Nº 1136

Coordenadora Katiúsia Mineli (Vigilância Sanitária) recebe presidente e vice-presidente da AGRIPA,  Sérgio Soares Campos e Clerisvaldo Braga das Chagas. (Foto: Assessoria / Agripa)

Coordenadora da Vigilância Sanitária, Katiúsia Mineli recebe presidente e vice da AGRIPA, Sérgio Campos e Clerisvaldo das Chagas (Foto: Ascom Agripa)

Guardiões com a Secretária da Saúde, Maria Petrúcia de Matos (Foto: Assessoria Agripa)

Guardiões com a Secretária da Saúde, Maria Petrúcia de Matos (Foto: Assessoria Agripa)

Coordenador da Vigilância Ambiental, Romenito de Melo e os guardiões (Foto: Assessoria / Agripa)

Coordenador da Vigilância Ambiental, Romenito de Melo e os guardiões (Foto: Ascom Agripa)

A TV Gazeta no seu programa Bom Dia Alagoas, edição de ontem (6) causou frisson em todo o município de Santana do Ipanema e região. O motivo foi uma reportagem sobre as Cachoeiras, paraíso ecológico no leito e margens do Ipanema, a cerca de três quilômetros do centro da cidade. As belezas das Cachoeiras foram descobertas pelo escritor Clerisvaldo B. Chagas e registradas no seu diário de viagem a pé das nascentes até a foz do Panema, em 1986. Em 2011, o Escritor Símbolo de Santana do Ipanema publicou o seu diário em livro com o nome “Ipanema, Um Rio Macho” complementando assim a identidade daquela cidade sertaneja. Recentemente as “corredeiras” foram mostradas aos seus colegas que se tornaram guardiões e guardiãs do rio e daí foi um pulo para serem divulgadas por todos os meios de comunicação.

Coordenador de Núcleo da CASAL, Paulo Jorge, explica o saneamento aos guardiões Manoel Messias, Sérgio Campos e Clerisvaldo (Foto: Assessoria / Agripa)

Coordenador de Núcleo da CASAL, Paulo Jorge, explica o saneamento aos guardiões Manoel Messias, Sérgio Campos e Clerisvaldo (Foto: Ascom Agripa)

Os Guardiões do Rio Ipanema, após a reportagem da TV Gazeta de Alagoas, e que também será motivo no Alagoas Rural, passaram a manhã de ontem atendendo celulares de inúmeras partes do município, povoados e de várias cidades do estado, com a palavra parabéns à frente. Entretanto, os membros da AGRIPA estão cônscios de que a responsabilidade da proposta social aumentou em gênero, número e grau. Tanto é que as visitas às autoridades continuam como cortesia, apresentação e entendimento prévio para o grande encontro que acontecerá entre AGRIPA e autoridades no mês de março. Daí em diante, toda Santana do Ipanema unida nos mesmos objetivos, poderá resgatar 6 quilômetros de lazer (rio Ipanema e afluentes) e agir em todos os setores para uma Santana ecologicamente correta.

Apoio assegurado da Câmara pelo presidente Zé Vaz (Foto: Assessoria  / Agripa)

Apoio assegurado da Câmara pelo presidente Zé Vaz (Foto: Assessoria / Agripa)

Anteontem e ontem a AGRIPA recebeu muito mais apoio dos órgãos públicos e da população em geral. É bom revelar que uma proposta foi levada pela Associação até à Câmara de Vereadores Tácio Chagas Duarte para que seja instituído o dia 21 de abril como “DIA DO RIO IPANEMA”.

Novos sócios e visitas da Agripa

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de fevereiro de 2014 –Crônica Nº 1135

Nilma

Nilma França, Secretária de Ação Social, Recebe os Guardiões Clerisvaldo e Sérgio (Foto/Assessoria Agripa)

Reunida em sessão extraordinária na última segunda-feira, a Associação Guardiões do rio Ipanema ─ AGRIPA, preparou-se para participar da Jornada Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, cuja palestra ficou para a próxima terça-feira. Agradecida pelo honroso convite feito por aquela Secretaria, a AGRIPA fica satisfeita pelo primeiro grande exemplo social santanense de apoio sobre o resgate do rio Ipanema e seus afluentes, um dos temas que será trabalhado pelas escolas durante o ano de 2014. A Associação irá enviar dos seus quadros os professores Marcello Fausto, Maria Vilma de Lima, Clerisvaldo Braga das Chagas e o conhecedor empírico da flora medicinal do rio Ipanema, cantor Ferreirinha. Os três primeiros, especialista em Geo-História, estarão ali muito mais como guardiões de que como professores.

Comercio

Josinaldo Soares (Associação Comercial) ouve Clerisvaldo, Ferreirinha e Sérgio Campos.( Foto: Assessoria/Agripa)

Durante a Ordem do Dia, novos candidatos a sócio da AGRIPA foram apresentados pelos seus respectivos “padrinhos”. O plenário discutiu, votou e aprovou o ingresso dos seguintes aspirantes: Antônio Manoel da Silva, Maria Lúcia Barbosa, Luiz Carlos dos Santos e o conhecido poeta Charles.

Adenenilson

Como os outros, Adenilson, Secretário de Obras promete apoio irrestrito (Foto: Assessoria/Agripa)

Ontem, terça-feira, uma comissão da AGRIPA, formada pelos guardiões Sérgio Soares Campos, Clerisvaldo Braga das Chagas e Cícero Ferreira Barbosa, foram designados para efetuar algumas visitas de cortesia aos órgãos públicos e sociais visando o encontro com as autoridades que ficou para o mês de março. Após o encontro, definido as estratégias, toda a sociedade irá participar sobre o resgate do rio Ipanema e seus afluentes, cuja manutenção após, será contínua. Todos os problemas do rio virão à tona como construção avançada, pocilgas e estábulos, lixo doméstico e comercial, entulhos, cercas no leito e avançadas, esgotos, fossas, óleo combustível e extração de areia.

É bom aguardar o que vem por aí. E quem estiver errado no rio Ipanema, é melhor colocar as barbas de molho. Rio e riachos limpos, cidade ecologicamente correta, tolerância zero e melhor qualidade de vida, assim espera há bastante tempo, o santanense.

Escritor não é de ferro

Foto: Ilustração

Foto: Ilustração

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de fevereiro de 2014.

Crônica Nº 1134

Todo mundo tem seus momentos de solidão, lembranças fortes do passado e melancolia. Sendo poeta ou com veia romântica, muito mais, como dizia o repentista Zezinho da Divisão: Todo poeta é sistemático. Então vêm aqueles momentos em que você canta no banheiro, escolhe um CD com música que lhe marcou, lembra até de acender um cigarro e sonhar ouvindo as suas prediletas. Quantas e quantas vezes a insônia toca em nossos nervos e coração! E lá dentro das horas mortas, enquanto os da casa dormem, vamos conversando com ela, a insônia, com cigarro ou sem cigarro no cinzeiro. Lá na geladeira escolhe-se a cerveja que está no ponto, o copo especial e, ouve-se o clique do abridor que acompanha uma dor-de-cotovelo dos anos 60. A cabeça vai à janela inspecionar o tempo, ver o quarto da lua, o desenho das nuvens, o reluzir das estrelas na madrugada. A música roda espremendo o coração, os olhos enchem-se d’água e uma saudade amarga e doce invade a alma.

Foi numa hora dessas que resolvi selecionar as 12 músicas preferidas, diante dessa zoadeira que tocam hoje, sem letra, sem melodia, sem inspiração, somente à base do barulho. Uma vez gravado o meu CD das 12 favoritas, para preencher as horas acima, distribuirei para os amigos mais chegados. Quase todas são músicas de serestas cantadas em Santana por mestres e mestras como Juca Alfaiate, Linda, Omir, Miguel Chagas, Cícero de Mariquinha e outras conhecidas feras santanenses. Vamos adiantar o CD: A PÉROLA E O RUBI, Cauby Peixoto; ABANDONO, Altemar Dutra; AI QUE SAUDADE DE OCÊ, Elba Ramalho; EU NUNCA MAIS VOU TE ESQUECER, Moacir Franco; LAMA, Núbia Lafayete; NINGUÉM CHORA POR MIM, Moacir Franco; NOITE DE INSÔNIA, Nelson Gonçalves; PENSANDO EM TI, Nelson Gonçalves; PERFUME DE GARDÊNIA, Waldick Soriano; RISQUE, Nelson Gonçalves ou Linda Batista; TARECO E MARIOLA, Flávio José; e VINGANÇA, Lupicínio Rodrigues.

O amigo curte essas coisas? Quer um CD? Desculpe aí, compadre, mas ESCRITOR NÃO É DE FERRO.

A marca do Prefeito

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de fevereiro de 2014

Crônica Nº 1133

Foto: Clerisvaldo

Foto: Clerisvaldo

Finalmente, após décadas de espera, as máquinas começaram a roncar no Largo do Urubu. O citado lugar, assim denominado pelo povo cujo nome já diz tudo, fica localizado em ponto estratégico de Santana do Ipanema. Terreno grande e arredondado que faz fronteira com o comércio e os Bairros Artur Morais e Camoxinga, o largo é uma baixada, autêntico anfiteatro cortado ao meio pelo riacho Camoxinga, alguns metros antes da sua foz.

O Largo do Urubu, atualmente, serve de válvula de escape para estacionamento de vans que fazem linhas diárias para Santana, proveniente de mais de 30 cidades do sertão e de outros estados. Aos sábados, caminhões, carros pequenos e motos complementam esse estacionamento improvisado, motivando até um pequeno comércio de ambulantes.

Não tem mais como Santana do Ipanema suportar festas obstruindo ruas e avenidas. A transformação do Largo do Urubu em lugar decente para grandes eventos e desvios do fluxo pesado de veículos passou a ser prioridade para o santanense. Portanto, o roncar dos tratores na área, mantém a esperança de que em breve teremos um lugar agradável e moderno que irá, em muito, auxiliar na organização do centro.

Foto: Clerisvaldo

Foto: Clerisvaldo

Não sabemos se ainda para a atual gestão, mas após a inauguração dessa obra, a cidade vai precisar abrir novos becos e construir viadutos, num estudo brabo de engenharia para desafogar o trânsito no centro da cidade. Muitas indenizações terão que acontecer no futuro.

Por enquanto, o prefeito Mário Silva vai fazendo sua parte, recuperando aquela área degradada para transformá-la numa paisagem urbana valorosa.

Dizem também que o prefeito pretende fazer um canal no riacho Camoxinga e cobri-lo. Muito certo, desde que haja muro de arrimo para evitar o “fenômeno das terras caídas” ─ como acontece hoje com as cheias do riacho intermitente ─ e um filtro no início do canal.

Nada mais bonito do que ouvir e ver as máquinas trabalhando. Sem dúvida alguma, o futuro espaço multe eventos será a marca histórica do prefeito Mário Silva.

Rádios divulgam trabalho da Agripa

Clerisvaldo B. Chagas, 1º de fevereiro de 2014.

Crônica Nº 1132

Foto: Assessoria Agripa

Foto: Assessoria Agripa

Entrando na luta de conscientização sobre o meio ambiente local, as duas mais importantes rádios do semiárido alagoano, engajaram-se na luta da AGRIPA para resgatar o rio Ipanema.

Pela segunda vez, através de convite do famoso e veterano radialista Rânio Costa, a Rádio Correio do Sertão AM, a Pioneira, convidou os Guardiões do Rio Ipanema para falarem mais sobre seus movimentos em pró do meio ambiente, com prioridade para o rio Ipanema trecho urbano e seus tributários que cortam a cidade. A AGRIPA, então, através do seu presidente Sérgio Soares Campos, enviou seus guardiões: professor de Geografia, romancista, historiador, cronista e poeta Clerisvaldo B. Chagas (Escritor Símbolo de Santana do Ipanema) e o famígero Ferreirinha, pescador, mateiro, compositor e cantor para esse momento importante oferecido pelo solícito radialista em seu tradicional programa: Microfone Aberto, na última sexta-feira.

Foto: Assessoria Agripa

Foto: Assessoria Agripa

Além da valorosa cooperação do nobre radialista em favor do resgate do mais importante acidente geográfico do Sertão alagoano, nessa entrevista tão esclarecedora da situação do Panema, Rânio Costa lançou em primeira mão o “Xote dos Guardiões”, canção do próprio Ferreirinha e Clerisvaldo B. Chagas, que exalta as qualidades e a situação difícil do rio em questão. A AGRIPA abraçou esse trabalho dos dois guardiões que hoje funciona como uma espécie de hino e está presente em todos os seus momentos festivos e de lutas. Não precisa falar da imensa procura pelo “Xote dos Guardiões”, mesmo antes desse lançamento no Rádio.

Hoje, dia 1º de fevereiro, foi à vez de A AGRIPA atender o convite da Rádio Milênio FM através do radialista Jucerlan em seu programa Ponto de Encontro. Outra vez, o presidente Sérgio Soares Campos designou os mesmo guardiões e mais o professor Ariselmo Melo, Orador da Associação.

Foto: Assessoria Agripa

Foto: Assessoria Agripa

Jucerlan, através da sua ampla criatividade, conduziu a entrevista a três, conclamando a população ribeirinha, a postura de um novo modo de pensar em favor do rio Ipanema, riachos Salobinho, Bode, Camoxinga e Salgadinho. Tudo que foi perguntado pelo radialista, foi respondido satisfatoriamente pelos guardiões.

Tendo como símbolo uma cabocla sertaneja conduzindo água do Panema em pote de barro com rodilha ─ como era até os anos 60 – como patrono o ambientalista Padre Cícero Romão e firmando o dia 21 de abril como dia do rio Ipanema, a AGRIPA, poderá estender-se em núcleos pelos povoados e cidades de Alagoas e Pernambuco, tendo como exemplo o povoado Capelinha de Major Izidoro que deverá anexar-se a Central em Santana, com a professora Diva e os aguerridos Guardiões da Mata.

Segunda-feira, dia 3, às 15 horas, na Escola Estadual Professora Helena Braga das Chagas, no Bairro São José, acontecerá à primeira sessão de fevereiro, cujo andamento dos trabalhos será cristalino e divulgado.