FATOS SEM FIGURÕES

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.709

Foto: Agência Alagoas

Sem querer elogiar político nenhum, por ser independente e por motivos óbvios, algumas coisas em Alagoas, são dignas de notas. Os fatos representam progresso para a terra e não reconhecê-los é ser cascão. A obra federal que estar sendo realizada entre o povoado e entroncamento Carié – Inajá, além dos grandes benefícios para a integração de Alagoas, registra mais desenvolvimento para o Nordeste, uma vez que se vão interligando trechos importantes interestaduais de rodovias. Isso representa a vez dos interiores que procuram vias competentes entre si e entre si e o litoral. E ainda segundo informações abalizadas, Carié – Inajá é o único trecho do Brasil com 50 quilômetros, sem asfalto.

Já o viaduto da Polícia Rodoviária que vai ser iniciado é altamente relevante para Maceió que procura alternativas ao número crescente de seus veículos. Como o trecho – há cinquenta anos prometido – Carié – Inajá, foi iniciado, diminui bastante a desconfiança de que a obra não seja realizada. Pressão de capital não é igual a parafuso de interior.

Quanto a duplicação da Rodovia BR-101, não ficou muito clara a explicação das autoridades. A BR-101 corta Alagoas norte-sul ligando o nosso estado a Pernambuco pelo município de Novo Lino e, a Sergipe pelo município de Porto Real de Colégio. São, portanto, cerca de 239 quilômetros de extensão. Nesse caso a propaganda é falsa, pois na verdade só serão duplicados 46 quilômetros, pelo que se entende após divulgação. O trecho nos parece que vai de Rio Largo ao entroncamento com a BR-104. Mas os políticos no geral bota logo a boca larga para diminuí-la nos retalhos: “Vamos duplicar a BR-101”. Depois de impressionar o público, a duplicação será apenas de 46 quilômetros. Essas manobras são típicas dos demagogos que acham facilidade em viver de política. Mesmo assim a trecho que será duplicado é relevante, pelo tráfego intenso da região.

Estamos aguardando também a realidade do asfalto no trecho sertanejo Batalha – Belo Monte, para retirar este último município do isolamento e da pobreza ora existente.

É lá onde se encontra a foz do rio Ipanema.

NA TERRA DE CORISCO

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.708

Foto: Reprodução / Livro Lampião em Alagoas

Mais uma opção para os cabras andadores desse Brasil, compadre. Para esfriar a cabeça, aumentar a cultura e se divertir bastante, surge o Festival de Inverno de Água Branca, em sua 14 edição. O evento acontecerá no decorrer dos dias quatro, cinco e seis, deste mês de agosto. Como o nosso inverno costuma chegar até o final da primeira quinzena deste mês, é aproveitar a beleza da neblina na parte serrana do Sertão. Participar do festival é conhecer a outra face sertaneja marcada eternamente pelas longas estiagens nordestinas. Distante apenas 304 quilômetros de Maceió, Água Branca possui quase vinte mil habitantes e está situada a 570 metros acima do nível do mar. Antes chamada Matinha de Água Branca, teve destaque no século passado, tanto pela sua influência política quanto pelos primeiros passos de Virgolino Ferreira em seu território, antes e depois de virar Lampião.

Aproveitando suas montanhas, o município vive da Agricultura e da Pecuária com produções de algodão, banana, cana-de-açúcar, feijão, laranja, mamona, milho, manga e mandioca. Seus roçados e criatórios se estendem pelos verdejantes vales entres serras com paisagens de tirar o fôlego. Sob a égide de Nossa Senhora da Conceição, cuja igreja foi construída pelo Barão de Água Branca, oferece o município um festival que faz o restante do estado lembrar a sua existência. Isso porque, estando na chamada contramão e no extremo oeste do mapa, precisa mostrar sua arquitetura, tesouros da cultura e os belos cenários que a todos encantam.

Água Branca é a terra do seu mais conhecido filho, infelizmente voltado para o mal, nascido ali na serra da Jurema. Corisco foi o mais famoso cangaceiro do bando de Lampião, tanto quando estava junto ao cabeça quanto nas suas atuações independentes em subgrupo de seis a oito comparsas.

Quem pretende aprofundar-se nos temas municipais de Água Branca vai encontrar um leque de opções, facilitado por boas estradas que ligam o município à capital.  O frio da região serrana sempre foi motivo de comentários em todos os veículos de comunicação. Ultimamente começou a ser destaque do mundo sertanejo os cenários de inverno da urbe, cuja neblina imita a região Sul e Sudeste do País.

O que você ainda espera que seja dito para “picar a mula” rumo a Água Branca, meu senhor?

GREVE DA GOTA SERENA!

Clerisvaldo B. Chagas, 03 de agosto de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.707

Maceió sem ônibus (Foto: Clerisvaldo B. Chagas)

Estão em nossa “Repensando a Geografia de Alagoas”, os principais problemas da cidade grande. E se fôssemos falar como os desbocados do nosso Sertão, “foi para lascar”, terça-feira última em Maceió. Capital com mais de um milhão de habitantes com a maioria dependendo de ônibus urbanos, não poderia ter sido diferente. Bastou um dia para gerar desesperos em todas as organizações sociais do povo maceioense. Sem dúvida alguma os maiores aperreios estavam nos necessitados de saúde e os empregados particulares que não conseguiam chegar ao local de trabalho. As vans e as motos aproveitaram-se da miséria alheia, os preços ganharam asas e se não alcançaram os céus, chegaram aos dois dedos lembrando safada anedota brasileira.

O que normalmente custava três reais subiu a escada ligeiro como perna de ema para cinco, dez, vinte e até mesmo trinta reais para o trabalhador sacrificado, liso e refém da ambição humana. Onde só cabia quinze, houve milagre da física e da matemática que acolheram trinta. E quem ainda tinha o pudor de defender a traseira, nem sequer podia mover o “bumba” dentro das vans sardinhas e fedorentas. Idoso e deficiente ou chegaram a casa sem camisa ou desistiram no ponto dos espertos antes do embarque na aventura. Pela precisão, grande número de automóveis voltou às ruas, cujo trânsito não alisava ninguém na chuva, nos buracos e nas pragas. Qualquer radinho peba que falasse em greve de ônibus fazia grande sucesso onde diabo fosse ligado, mesmo aqueles chamados “consolos de cornos” da velha China.

No embate entre patrões e empregados foi preciso a Justiça intermediar acordos em posições endurecidas. Sabe-se que trabalhadores de empresas particulares em todos os setores se sentem como escravos diante dos salários pagos no estado. Inúmeros empregados falam mal dos próprios sindicatos acusando-os de conchavo. Mas os que trabalham em ônibus reclamam direto dos salários escravagistas.

Por sua vez empresário não coloca ônibus suficientes para a população e em lugar de três põe um só na rua. O coletivo demora a circular para juntar mais gente nos pontos e andar lotado. O que acontece que os prefeitos se curvam quanto ao ar condicionado nos coletivos para a altíssima temperatura de Maceió? O que está por trás disso? Os abrigos para os usuários são verdadeiras piadas de gosto azedo diante de um serviço de terceira categoria? E esse terceiro mundo vai se arrastando para gestor nenhum dá jeito, seja ele velho ou novo. Precisamos de mais cinquenta anos à frente para que os serviços viários coletivos se igualem aos do Canadá, por exemplo.

E sobre o que aconteceu na terça-feira, àquela velhinha da boca mole que havia escapado do caos dominante, falou querendo puxar conversa: “O senhor viu? Foi uma greve da gota serena!”.

FARÓIS DE ALAGOAS

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.706

Foto: Ailton Criuz / Agência Alagoas

Há certo tempo passado, subi para o Jacintinho em busca de rever o farol que marcou parte da minha infância em Maceió. Não cheguei a entrar porque estava interditado na ocasião, mas deu muito bem para matar a saudade das faixas azul e vermelha projetadas para o oceano. Agora vejo bela reportagem completa em site de Maceió sobre os velhos faróis de Alagoas em número de seis. Eles estão localizados no Jacintinho; Pontal do Peba, perto da foz do rio São Francisco em Piaçabuçu; Pontal de Coruripe; Praia do Gunga em Roteiro; Praia de Ponta Verde em Maceió e em Porto de Pedras.

O responsável pelo funcionamento de todos os faróis instalados em Alagoas tem como responsável o sargento Alessandro, da Marinha do Brasil. Ele diz que apesar das tecnologias, o mundo inteiro ainda mantêm seus faróis funcionando por causa da eficiência na segurança aos navegantes.

Hoje, com 26 metros de altura, o Farol de Maceió é um dos mais eficientes do país e está a 68 metros do nível do mar. Sua luz tem alcance de 43 milhas (80 quilômetros), na luz branca, e 36 milhas (60 quilômetros) na luz encarnada. Depois de construído entrou em funcionamento em 10 de janeiro de 1857. O local deixou de ser chamado Alto da Jacutinga para Alto do Farol e que originou o nome do bairro. Quando em 1937 o farol recebeu luz elétrica passou a ser o primeiro do Brasil.

Os faróis são charmosos e pontos de referência para habitantes, turistas e banhistas, embarcando sempre suas imagens nas mochilas de visitantes. Funcionam em condições normais à base de energia elétrica, mas estão em segundo lugar baterias que podem manter o equipamento na sua função. Explica novamente o sargento Alessandro que ainda acontece à terceira opção, que é um funcionamento mecânico que parece complicado.

E para completar as informações, o farol da Ponta Verde possui cerca de 15 metros de altura, faz parte do cartão postal daquela praia e adverte sobre os recifes na região.

O maior de todos, porém, é o Farol do Peba, erguido na foz do rio São Francisco, em torre de metal, com 46 metros de altura.

Cada um dos seis faróis de Alagoas tem sua história própria e um montão de inúmeras outras para ser contado.

MEIO AMBIENTE

Clerisvaldo B. Chagas, 01 de agosto de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.705

Fotos: Divulgação

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), existem mais de 1.000 espécies de animais em risco de extinção no Brasil. Entre eles estão a ararajuba, arara-azul, ariranha, baleia-franca-do-sul, cervo-do-pantanal, gato- maracajá, lobo-guará, macaco-aranha, mico-leão-dourado, muriqui-do-norte, onça-pintada, saíra-militar, sapo-folha, soldadinho-do-araripe, tamanduá-bandeira, tartaruga-de-couro, tartaruga-oliva, uacari-branco e o udu-de-coroa-azul.

Principais causas da extinção de espécies no Brasil: tráfico de animais, desmatamento, queimadas, construções de hidrelétricas, caça predatória e poluição.

Ararajuba ou guaruba. Somente na Amazônia. Sofre com tráfego e desmatamento. Arara-azul, na Amazônia, Pantanal e em sete estados mais a outra espécie do oeste da Bahia. Esta já foi motivo de várias reportagens na televisão. Ariranha ou lontra, encontrada no Pantanal e Amazônia. Ameaçada pela pesca predatória, caça ilegal e poluição de mercúrio pelos rios.  Baleia-franca-do-sul: sofre a caça, a pesca e a poluição no litoral brasileiro. Cervo-do-pantanal: Vive no Pantanal, Amazônia e Cerrado: Desmatamento, caça ilegal e construções de hidrelétricas estão na lista das ameaças. Gato-maracajá: Desmatamento e caça pela sua valiosa pele. Lobo-guará: em vários lugares do Brasil, ameaçado pelo desmatamento e a caça. Macaco-aranha ou macaco-aranha-de-cara-preta: Encontrado na Amazônia: enfrenta tudo como desmatamento, caça ilegal, tráfico, hidrelétrica, rodovias, linhas de transmissão e até a caça pelos índios.

A história é a mesma para os outros animais.

No sertão de Alagoas, Com o incentivo do governo para desmatamento nos anos 60, tudo se foi acabando. Os animais maiores foram os primeiros a desaparecer. Começou com a onça-pintada, depois a onça-parda ou suçuarana, tamanduá, ema, preguiça, veado, lobo-guará, macacos, inclusive o guariba. Desses maiores, esporadicamente, se encontram ainda: Raposa, gato-do-mato (em outras regiões, chamados jaguatiricas), saguim, tatu, peba, cassaco e teiú (tiú ou tejo).

Quanto aos pássaros, nem podemos calcular as dezenas desaparecidas em nosso território.

Continua uma luta desigual entre defensores e destruidores da Natureza.

 

O CARRO DE ZÉ LIMEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 31 julho de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.704

Foto: Paraíso

Havia a ximbra, pinhão, ioiô, carrapeta, gangorra, nota de cigarro, bola e carro de pau. Todos esses brinquedos pareciam obedecer a um cronograma natural do tempo. Ninguém ordenava a brincadeira com isso ou com aquilo. Todas as formas lúdicas surgiam espontaneamente ocupando as ruas mais centrais e o Bairro São Pedro. Tempo de bola, de pinhão, de ximbra… Mas a época do carro de madeira dependia do fabrico. Quando eles surgiam eram rudes, sem freio e mal cabia o condutor para as descidas nos declives dos becos; e por isso mesmo eram chamados carros de ladeira.

As duas ladeiras mais famosas eram a do Seu Carrito e a do Fomento. A do Seu Carrito era mais curta e servia para os primeiros treinos dos carros desengonçados. Recebia esse nome porque o cidadão assim conhecido negociava com bodega na esquina. A segunda ladeira iniciava no edifício do Fomento Agrícola, no Bairro São Pedro e seguia até o rio Ipanema. Na verdade, já era a rodagem que por ali seguia até Olho d’Água das Flores. Ai de quem se arriscasse naquela ladeirona com o carro se freio!

Certo dia surgiu o carro de Zé Limeira, rapaz comprido, fabricante e vendedor de malas, filho da professora Adercina Limeira. O carro de pau era completo e sofisticado. Causava admiração a todos, inclusive, o dono levava suas malas para a feira na carroceria e ainda mais dirigindo. A meninada ou mesmo adultos empurravam o carro com Zé Limeira na direção. Sendo sofisticado e profissionalizado, ninguém podia com ele dá uma voltinha e nem vê-lo se exibindo a toda hora. Mas, de vez em quando Zé Limeira levava o bichão para a ladeira do Fomento quando se juntava a meninada. Aí sim, todos queriam apreciar aquele carro bonito a descer com velocidade, fazendo poeira até o Minuíno, trecho do rio Ipanema.

Depois surgiu carro semelhante de dois anões, irmãos, no Bairro Cachimbo Eterno, do outro lado do rio.

Da casa de Zé Limeira e imediações formou-se o time São Pedro, representando a terceira força do futebol santanense, logo após Ipanema e Ipiranga. Foi moda durante certo tempo. E por trás da casa, surgiu a sapataria do senhor Elias, cujos empregados sapateiros eram todos bons de bola e, fora os sapatos fabricados não se falava em outra coisa. Jogavam todas as tardes nas areias do rio perto do já extinto prédio da Perfuratriz. Posteriormente, a sapataria mudou-se definitivamente  para a Rua São Pedro. Defronte havia um poste com alto-falante que transmitia o programa “A Voz do Município”, com informações e músicas. Havia sido criado na gestão Hélio Cabral e tinha sede no primeiro andar da Cooperativa – CARSIL.

Foi uma comoção a notícia do falecimento precoce de Zé Limeira, filho da professora Adercina, colega e amiga da minha mãe Helena Braga.

São lembranças que afloram sobre o rico histórico da minha rua, entre elas o carro de Zé Limeira.

LAMPIÃO, LUCENA E O CHAPÉU DE COURO

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de julho de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.703

Foto: Divulgação

Sendo hoje aniversário de morte de Lampião, lembramo-nos das palavras do combatente Eduardo, depois sargento: “Quando víamos de Maceió como membros do batalhão que fora criado em Santana do Ipanema, em 1936, tivemos que conter o ímpeto de Lucena. Ele pediu que ao passarmos de Palmeira dos Índios todo cabra encontrado com chapéu de couro à cabeça era para entrar no cacete. Mas fizemos ver a ele que a coisa não era bem assim. O trabalhador rural gosta bem de um chapéu de couro e se fosse para bater em todos os usuários, seria bater no sertão inteiro”. O major Lucena Maranhão aquiesceu.

Interessante é que desde o início da década de vinte que Lucena combatia bandidos no sertão e ele próprio usava chapéu de couro e alpargatas. De onde teria vindo tanto furor assim contra o chapéu de couro, principalmente na época, usado pelo vaqueiro pegador de boi no mato e o tirador de leite das fazendas?

O próprio sargento Eduardo conta: “No cerco a Angicos era tão cedo que os cabras de Lampião ainda estavam tirando as ramelas dos zoi”. E o seu companheiro de farda Otacílio Bezerra – também combatente em Angicos – dizia: “Muitos cabras escaparam na neblina e na fumaça do tiroteio pronunciando para os soldados: ‘companheiro’, ‘companheiro’, tendo já colocados os longos cabelos dentro do chapéu de couro”.

A impressão de quem não conhece é de um chapéu muito quente para o verão. Mas assim como o chapéu de palha da palmeira Ouricuri, ele é leve e mantém uma temperatura agradável.

Os cangaceiros apenas criaram o estilo próprio do cangaço, usando o mesmo chapéu de couro de abas longas dobrando-o e enfeitando abas, barbicachos e testeiras em couro desenhado, coloridos e metais. Havia muitos artesãos do couro no semiárido, inclusive cangaceiros e o próprio Lampião.

E se por um lado o chapéu de couro identificava o vaqueiro pegador de boi no mato e o tirador de leite, o chapéu de palha marcava o homem do eito, trabalhador da enxada e do machado.

O chapéu de massa era usado pelos das classes média e alta.

Como os veados foram extintos – preferência de luxo para chapéus e alpargatas macias – ficaram os bodes que permitem couro flexível para todos os modelos de chapéu.

Meu compadre, já viu sertão nordestino sem chapéu de couro!

ACHAMOS QUE VOCÊ QUER SABER

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.702

Stévia. Foto: Wikpédia

Geralmente quando as pessoas são aconselhadas pelo médico a trocar o açúcar pelo adoçante, existe uma enrolação. Muitos deles mastigam o assunto que não sai nada, entra numa perna de pinto e sai numa perna de pato. O cliente deixa o consultório sem nenhuma segurança na informação fajuta.  Portanto, uma explicação convincente é tão rara que resolvemos reproduzir alguns trechos da nutricionista islayne Nogueira, do site Tribuna Hoje, edição de ontem.

A citada profissional diz quais são os tipos de adoçantes do mercado: “Assim como o açúcar o adoçante possui classificações. Eles são definidos por artificiais, que são ciclamatos de sódio, sacarina sódica, acessulfame, sucralose e aspartame; e os naturais: estévia (glicosídeos de esteviol), xilitol, maltitol e sorbitol”.

Veja a recomendação: “Os adoçantes artificiais devem ser totalmente evitados, porque são constituídos por substâncias que ‘enganam’ o cérebro gerando uma determinada compulsão alimentar, e também possuem um efeito tóxico e cumulativo ao organismo”.

Veja ainda: “(…) Os naturais são os únicos recomendáveis, pois conferem sabor doce sem causar uma resposta glicêmica relevante”.

Olhe o adoçante indicado:

“Para a utilização de adoçante em receitas, se houver necessidade pode utilizar o adoçante em receitas no geral. Mas, o único adoçante recomendado para esse fim é o estévia, não haverá nenhuma alteração na sua composição pela mudança de temperatura”.

A nutricionista fala que existem algumas recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes, onde a quantidade recomendada é calculada através do peso do indivíduo. “Porém, o ideal é sempre utilizá-lo em pouca quantidade ao longo do dia”.

Stevia é um pequeno arbusto perene nativo do Brasil e do Paraguai. É mais doce do que o açúcar doméstico, aproximadamente 10-15 vezes. Na sua forma mais comum de pó branco extraído das folhas da planta, chega a ser de 70 a 400 vezes mais doce que o adoçante natural.

Esperamos que essas importantíssimas informações tenham sido útil para a sua saúde e a dos seus familiares.

SANTANA: O CASO BARRAGEM

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de julho de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.701

Ponte da barragem em uma das suas cheias (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Já mostramos aqui a importância da açudagem para o semiárido. Foi no início da segunda metade do século passado quando o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS construiu a chamada Barragem de Santana do Ipanema, Alagoas.

O Departamento aproveitou a construção da rodagem que levaria o nome de BR-316 e ali na periferia da cidade deixou uma ponte – ainda hoje utilizada. Atualmente a ponte não oferece segurança para pedestres, possui duas passarelas em relevo que não passam de 60 centímetros cada e balaústres até o quadril do transeunte. Os veículos sopram as pessoas que podem cair no vazio em ambos os lados.

Sob a ponte, sete bocas altas garantiam o espelho d’água formado com mais ou menos 01 km de comprimento. Não era titã, mas dava gosta de se vê. Essa barragem iria ajudar no abastecimento d’água da cidade. Com a chegado da água encanada em Santana em torno de 20 anos depois, o abandono tomou conta do açude.

Hoje a barragem nada mais sustenta, acha-se assoreada. A partir da sua construção formou-se o Bairro Barragem que se expandiu e deu origem a outro bairro por trás chamado Clima Bom. A pobreza impera em ambos.

Apesar de um amigo nosso está sempre reclamando das barragens de Pernambuco no leito do rio Ipanema, fica aqui a nossa defesa em favor dos pernambucanos. O tempo enorme com falta de cheias no Ipanema alagoano, foi devido as mudanças climáticas e não  em decorrência  dos reservatórios do estado do norte. A prova está aí, o rio Ipanema com muita água no lado de Alagoas.  Outrossim, fomos nós santanenses que desprezamos a barragem feita pelo DNOCS, permitindo que a mesma chegasse ao ponto em que ora se encontra. Reclamar de quê? Assim está desprezado também o Açude do Bode construído pelo mesmo Departamento e com as mesmas finalidades, no lado oposto periférico.

A priori, O trecho do rio Ipanema que vai da Barragem à “ponte dos canos”, trecho urbano, recebe das casas marginais imediatas, todos os dejetos, pois elas despejam diretamente no rio. Na Ponte Padre Bulhões o rio Ipanema completa essa carga nojenta com os outros dejetos das casas que margeiam o riacho Camoxinga que também não possuem banheiro.

As sucessivas gestões municipais nunca fizeram um projeto para construções de fossas nas casas da pobreza para despoluir o rio Ipanema. E ainda dizem como deboche: EU AMO SANTANA.

Sem essas providências ou as da CASAL que não consegue sanear a cidade, não tem AGRIPA, nem IMA, nem IBAMA do diabo que dê jeito no trecho urbano do rio Ipanema.

1.700 CRÔNICAS

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.700

Foto. Autor estilizado por computador (Clerisvaldo)

Na passarela do tempo elas desfilaram com seus tipos classificatórios: Crônica descritiva, narrativa, dissertativa, narrativo-descritiva, humorística, lírica, poética, jornalística e histórica. Termo originário do latim: “Chronica” e do grego “Khrónos” (tempo), nesses mais diferentes tipos elas se apresentam no blogclerisvaldobchagas.blogspot. com, no site Santana Oxente, no blogdomendesemendes.blospot.com.br e no sitealagoasnanet.com.br das segundas às sextas.

Essa narração curta produzida para ser veiculada pelos diversos meios de comunicação situa-se entre o jornalismo e a literatura com linguagem simples entre a oral e a literária. Geralmente expõe o dia a dia registrado pela ótica do autor, um poeta da narrativa. No início do Cristianismo era um registro cronológico dos acontecimentos. No século XIX a crônica passou a fazer parte dos jornais, iniciando na França. Tempos depois tomou características próprias no Brasil.

Escolhemos a crônica lá atrás para matar o ócio entre a publicação de um romance e outro. O romance é complexo cheio de fantasias, frases de efeitos, linguagem e observações espetaculares. A parte mais nobre da literatura. Sair dessa rotina para a narrativa curta e diária, trazendo o colorido imaginativo para a realidade, também não é fácil. Aqui se exige linguagem clara e simples “para os que não têm tempo a perder com leitura de mais de cinco linhas”.

De qualquer maneira, as crônicas vão sobrevivendo e chegando a este número do título, desde que iniciaram na Rádio Correio do Sertão na voz do radialista Edilson Costa em “A Crônica do Meio-dia”. (Duzentos trabalhos).

Em outros tempos por certo as 1.700 crônicas divulgadas pela Internet, seriam motivo para uma excelente taça de vinho tinto. Mas a comemoração deveria ser entre os colaboradores Valter, Lucas e Mendes, articuladores dos sites acima. O aconchego do Bar Zé de Pedro ou o do João do Lixo, em Santana do Ipanema, seriam o ideal. Aqui de Maceió, resolvendo coisas e coisas, enviamos o nosso abraço e apreço aos nossos colaboradores. Quem sabe se na milésima crônica, se Deus quiser, não realizaremos essa proposta! Nunca ouvi dizer que comemoração fizesse mal a ninguém.

Avante para a 1.701.