Blog do Clerisvaldo: Qual motivo da queda na população em cidades alagoanas?

Moradores emigram para outros territórios, diminuindo a população da sua terra (Xilogravura: J. Gomes)

O coronelismo moderno de gestões desastradas e infames nas cidades menores, nada cria, nada atrai, apenas o marasmo dos tempos antigos e mão implacável no cabresto do “seu feudo medieval”. E em muitas cidades não surge sequer uma fábrica de quebra-queixo.

Outras cidades, outrora progressistas, perderam muito com novos traçados de rodovias, ficando isoladas ou longe demais dos novos eixos viários para às cidades mais adiantadas. Outras vezes é o próprio dinamismo da cidade vizinha que esvazia a primeira.

Em Alagoas estão perdendo população: Belém, Igaci, Jacaré do Homens, Jacuípe, Jaramataia, Jequiá da Praia, Jundiá, Lagoa da Canoa, Maravilha, Maribondo, Mar Vermelho, Minador do Negrão, Pão de Açúcar, Paulo Jacinto, Pindoba, Porto de Pedras, Quebrangulo, Roteiro, Santa Luzia do Norte, Santana do Mundaú, Tanque d’Arca e Viçosa. Entre elas, cinco são cidades sertanejas.

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Blog do Clerisvaldo: certas coisas… só vai à força

Trecho do Riacho Salgadinho, próximo a Sede do MP-AL (Foto: Agência Alagoas)

Dizem que tudo tem o seu dia. E não poderia ter sido noticiado fato melhor para o estado de Alagoas, principalmente para a capital.

Pelo que saiu através de órgão noticioso, os eternos problemas que afligem a bacia do riacho Reginaldo estão perto do fim. Isso, graças ao responsável pela criação da força-tarefa, o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar, que acredita ver resultados em médio prazo.

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Blog do Clerisvaldo: Memórias do personagem de um livro

Rio Ipanema (Foto: Arquivo / Clerisvaldo)

Certa vez encontrei um personagem no livro de Raul Pereira Monteiro, “Espinhos na Estrada”, publicado em 1999. Referindo-se aos seus costumes de criança, Raul fala das caminhadas que fazia para vê as borboletas esvoaçantes da periferia de Santana do Ipanema.

Curioso em vista de alguns boatos, lá no rio, no lugar Volta do Ipanema, resolve desvendar o mistério de um ser solitário chamado Satuba. Descobrindo que Satuba não era assustador como imaginava, mas sim, um doce roceiro intelectualizado e poético que lhe relata o motivo de viver solteirão.

Fala do único amor da sua vida com a desastrada Rosina, rompido por ele mesmo. Raul conversa bastante com Satuba.

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Blog do Clerisvaldo B. Chagas: Lagoa do Retiro, um despertar

Foto: Agência Alagoas

A lagoa do Retiro, no município de Junqueiro, parece querer seguir os conselhos de quem entende. Com orientação das autoridades ambientais “diversos proprietários de terras que englobam parte da área do entorno da lagoa do Retiro, cumpriram a determinação de um recuo de suas cercas, a uma distância de 30 metros” onde foram plantadas 380 mudas de árvores nativas, incentivo do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas – IMA/AL.

Isso faz parte do projeto Alagoas Mais Verde. A finalidade dos que plantaram árvores como o ingá, jenipapo, jaqueira do brejo, pau-brasil e peroba-rosa é proteger o entorno da lagoa e seus acessos. Estudantes e órgãos do município participaram das ações em favor da Natureza.

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Blog do Clerisvaldo B. Chagas: duas vitórias para o Sertão alagoano

Posto da PRF no Carié (Foto: Divulgação)

Meu sertão velho de guerra! Duas vitórias de peso seguidamente aconteceram em seu território alagoano. A primeira – já falamos aqui algumas vezes – foi o início do asfaltamento da antiga rodagem, estrada de Lampião, do povoado Carié, em Alagoas, a Inajá, Pernambuco.

Dizem os entendidos, que o povoado é o maior entroncamento do Nordeste. O asfalto esperado por 50 anos já está em pleno andamento. Em primeiro plano, a cidade de Canapi e seu município serão os grandes beneficiados saindo do isolamento viário que fez colecionar inúmeros prejuízos.

Estando no Carié, você pode atingir o estado de Pernambuco pelo oeste chegando a Inajá. Pode também chegar a Pernambuco pelo norte atingindo Garanhuns. Caso siga para o sul, Paulo Afonso lhe espera na Bahia. No rumo leste, você buscará Santana do Ipanema e Maceió. Deu para entender a enorme importância do Entroncamento Carié?

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Blog do Clerisvaldo: Conheça a Serra do Poço em Santana do Ipanema

Serra do Poço em Santana do Ipanema (Foto: Clerisvaldo)

A serra do Poço faz parte do Maciço de Santana do Ipanema, Médio Sertão de Alagoas. Possui um pouco mais de 500 metros de altura. Embora esteja distante da cidade em cerca de seis quilômetros, faz parte dos montes que circundam a urbe.

É majestosamente avistada de quase todos os pontos urbanos e parece ter sido uma das primeiras áreas a ser habitadas na história do município, mesmo sem habitações contínuas. Já foi celeiro de frutas, andu, fava e plantas medicinais da região sertaneja.

Com o esvaziamento do espaço – cujas novas gerações preferiram viver na cidade – falta de mão de obra, não renovação dos pomares, desmatamento e exaustão das terras, a serra do Poço empobreceu.

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Ferreirinha, o poeta, compositor e cantor de Santana do Ipanema

Marcello, Ferreirinha e Clerisvaldo (Foto: Arquivos de Clerisvaldo)

A contribuição de artistas para o próprio município continua com a máxima de Jesus de que “ninguém é profeta em sua terra”. Na sua contribuição versátil à cultura popular, o poeta, compositor e cantor Ferreirinha iniciou sua vida artística abrindo caminho no sertão para a música sertaneja, ainda tabu nessa região interiorana. Tabu porque só se ouvia o forró sem vez para a música de raiz do distante Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

Foi ele quem enfrentou a indiferença pela chamada atualmente de “música sertaneja” daquelas regiões, formando dupla com Ferreira. A dupla cresceu e passou a ser convidada para espetáculos nos mais diferentes lugares em Alagoas, Pernambuco e Bahia. Ganhou muitos aplausos de multidões em praças públicas, notadamente em festas de vaquejadas e de política. Com o passar do tempo, a única dupla sertaneja de Santana do Ipanema se desfez. José Cícero Barbosa, o Ferreirinha, então, passou a cantar sozinho pelos mesmos espaços já conquistados com o colega.

Talvez pela sua humildade Ferreirinha ainda não tenha sido reconhecido como o artista mais mutável da terrinha: canta sertanejo, toca viola, declama poesias matutas, improvisa, canta serestas e compõe. Faz parte do coral da Igreja Matriz de São Cristóvão, da AGRIPA e do nosso círculo de amizade. Acometido por um mal muito difícil, Ferreirinha venceu mais essa etapa. Após a cirurgia realizada na cidade de Arapiraca, o artista repousa em sua residência sob os cuidados e carinho dos seus familiares. Graças a Deus vai se recuperando bem do abalo que veio para sua provação.

Terça-feira passada, eu e o escritor Marcello Fausto estivemos com o valoroso Ferreirinha, com os mimos de amizade e respeito profundo, tanto pelo homem quanto pelo artista. Repetimos para ele o que nos disse o forrozeiro Manoel Messias, o Imperador do Forró: “Quebrou uma peça da gráfica para que lhe desse tempo de recuperação para o lançamento do livro 230”. E Ferreirinha, lépido, passou a cantar meu cordel presenteado “A Igrejinha das Tocaias; sua história”.

Esta semana voltaremos lá novamente quando ouviremos sua viola que só falta falar.

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2017.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano – Crônica 1.722.

Blog do Clerisvaldo B. Chagas: Quixabeira, árvore importante, mas ameaçada

Foto: Jose Malta Fontes / Portal Maltanet

O desmatamento da caatinga continua. Entre suas árvores, destaca-se a quixabeira com nome variado conforme a região nordestina e norte de Minas Gerais. Preta, sapotiaba, espinheiro, coronilha, maçaranduba-da-praia e rompe-gibão, são algumas denominações que se dá a Sideroxylon obtusifolium.

Quandose trata de sombra a quixabeira é rainha e tem sempre a preferência dos caminhantes, cuja proteção parece uma casa. Não é raro no sertão se dizer que determinada quixabeira é mal-assombrada. É que até os espíritos errantes gostam de se arrancharem em mangueiras e quixabeiras. Essa árvore pode atingir até 15 metros de altura e produz pequenos frutos pretos, adocicados e leitosos apreciadíssimos pelos caprinos.

Sua madeira é dura e espinhosa. A casca é adstringente, tonificante, antidiabética, anti-inflamatória e cicatrizante. As flores são aromáticas. A quixabeira é muito utilizada na medicina popular, sendo uma das mais indicadas contra o diabetes. Devido ao uso constante e indiscriminado, a espécie se encontra cambaleante, precisando incentivo para sua reprodução.

Encontramos sempre alguma pessoa negra com apelido de Quixaba. É que esses frutos pequenos e arredondados, de um verde-oliva inicial, amadurecem passando para o preto retinto.  

Os raizeiros do sertão aceitam encomendas de garrafadas contra o diabetes que são feitas com a entrecasca da planta. Em casa a bebida é mantida em geladeira que vai sendo tomada de acordo com as orientações.

Em Alagoas, no município de Santana do Ipanema, existe um povoado a 12 km da cidade, chamado antigamente de Quixabeira Amargosa. Está localizado nas faldas da região serrana e teve o título mudado para São Félix. Nessa área sertaneja é encontrada a árvore citada, mas também se encontra a Sideroxylon na parte mais plana do relevo da depressão sertaneja e do São Francisco. Entretanto, a medida que o tempo passa, mais difícil vai ficando encontrá-la com sua majestade. Não somente a quixabeira, mas todas as arvoretas e árvores do sertão vivem permanentemente ameaçadas. A fiscalização ainda é muito frágil e vai perdendo a corrida pela sobrevivência do meio selvagem da caatinga.

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de agosto de 2017.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano – Crônica 1.721.

Blog do Clerisvaldo: A importância das tradicionais festas de gado

Vaqueiro com peças tradicionais (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Uma das maiores festas  do Brasil é relativa ao gado que ocupa todo o território nacional. As manifestações culturais mais expressivas estão na vaquejada (pega-de-boi-no-mato), corrida de mourão (chamada erroneamente de vaquejada) e os rodeios.

Havia a Farra do Boi, em Santa Catarina, mas foi extinta por lei. Os rodeios são típicos das Regiões Sul e Sudeste; a vaquejada, a corrida de mourão são coisas nordestinas.

O boi ainda surge em figura de papelão como divertimento popular acompanhado de música, bailado, teatro, em várias regiões brasileiras. As características são próprias de cada estado e denominações locais: bumba-meu-boi, boi-bumbá, boi-de-mamão e outras menos conhecidas.

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FESTA DE GADO

Clerisvaldo B. Chagas, 21de agosto de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.719

Vaqueiro com peças tradicionais (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Uma das maiores festas  do Brasil é relativa ao gado que ocupa todo o território nacional. As manifestações culturais mais expressivas estão na vaquejada (pega-de-boi-no-mato), corrida de mourão (chamada erroneamente de vaquejada) e os rodeios. Havia a Farra do Boi, em Santa Catarina, mas foi extinta por lei. Os rodeios são típicos das Regiões Sul e Sudeste; a vaquejada, a corrida de mourão são coisas nordestinas. O boi ainda surge em figura de papelão como divertimento popular acompanhado de música, bailado, teatro, em várias regiões brasileiras. As características são próprias de cada estado e denominações locais: bumba-meu-boi, boi-bumbá, boi-de-mamão e outras menos conhecidas.

Uma festa que acontece todo ano, mês de agosto, é a “Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos”, interior de São Paulo. O evento que vem desde 1956, teve origem com os peões tangedores de boiadas de Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em estradas de terra e que duravam vários dias. Geralmente essas boiadas eram tangidas até os frigoríficos onde o boi era abatido. Em Barretos, um desses destinos, teve início a festa com brincadeiras do peões mostrando como se fazia na doma de cavalos das fazendas. Hoje  Barretos tem um parque de rodeio planejado por Oscar Niemeyer com uma área onde cabe em todo o espaço, 50.000 pessoas, das quais 35.000 sentadas. Este mês a festa encontra-se em pleno andamento quando teve início no dia 17 e prosseguirá até o próximo dia 27. Além das competições, espétaculos outros são oferecidos, principalmente por duplas sertanejas.

Em Alagoas ainda não conhecemos em funcionamento o parque chamado “O maracanã da vaquejada”, em Palmeira dos Índios. Mas existem vaquejadas de verdade, a pega-de-boi-no-mato, em alguns lugares, entre eles, o da serra do Japão, nas imediações de Folha Miúda, no Agreste. Quanto à corrida-de-mourão, engolida nas cidades como vaquejada, vão se mantendo no estado em todas as regiões. Dificilmente qualquer uma dessas formas chegaria a uma estrutura semelhante a de Barretos. Mas, como diria Luiz Gonzaga: ali “corre dinheiro pelo chão”. E no Médio Sertão alagoano o jeito é se conformar com a mais chamativa que é a de Dois Riachos. Famosa porque o município possui a maior feira de gado nordestina e de quebra a natalidade de Marta, a maior jogadora do mundo por várias vezes.

A vaquejada é bruta, mas serve para competir, cantar, beber, namorar, arrancar o estresse e fazer amigos.

O dinheiro geral que rola, quem não gostaria de tê-lo?