PARABÉNS VIÇOSA

Matadouro em Viçosa está sendo construído (Foto: Agência Alagoas)

Parece que o governo estadual vai mesmo cumprir o que falou ano passado, sobre a decisão de construir abatedouros modernos em cidades estratégicas de Alagoas. Anunciou que iniciaria por Viçosa. Muito bem, tivemos a grata satisfação em ter lido a reportagem e as fotos de Ronaldo Lima, Agência Alagoas, que anuncia para o final de março a conclusão do referido matadouro.

Vamos reproduzir de outra forma as palavras de representação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura – SEAGRI. O Matadouro Regional de Viçosa – zona da Mata Alagoana – vai atender a nove municípios do Vale do rio Paraíba do Meio, conhecido como Vale do Paraíba.

O local terá instalações e equipamentos de última geração. O matadouro que também é chamado Frigorífico terá em sua estrutura: currais, salas administrativas, vestiários, caldeiras, subestação, bloco de abate, necropsia, pocilga, lagoas de tratamento dos resíduos e depósitos para cascos e chifres. Numa área de 2.300 m2, terá ainda câmara frigorífica, boxe de atordoamento automático, bloco para abate e processamento da carne.

A capacidade é para o abate de 150 animais/dia entre bovinos, suínos e caprinos. Para isso o governo estadual investiu 9,6 milhões e promete ambiente adequado de abate, higiene e condições de trabalho, além de atender todos os requisitos exigidos pela legislação federal.

Santana do Ipanema constou da lista divulgada o ano passado, cujos municípios aguardarão na fila. Contudo, naquela ocasião não foi apresentada a posição de espera de cada um. Vamos aguardar a inauguração do primeiro abatedouro decente, para saber qual será o próximo município a ser contemplado.

Não podemos continuar com a carne clandestina, de reses cancerosas e outras mazelas que bandidos disfarçados de marchantes tentam vender nos açougues públicos. É o primeiro passo para sairmos da Idade Média no tema tratado acima.

Parabéns Viçosa. Quando o “bichão” estiver pronto, com certeza iremos conhecê-lo.

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de janeiro de 2018

Crônica 1.823 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

SANTANA RECEBE FACULDADE DE MEDICINA E INAUGURA PONTES

Ilustração (Foto: Sonho com Amor)

Eu estava lendo texto de um site santanense que dizia como manchete: Santana recebe faculdade de Medicina e inaugura pontes. O texto discorria: Hoje haverá grande festa em Santana do Ipanema com a inauguração de três pontes sobre o rio periódico que banha à cidade.

A primeira delas fica entre a Rua da Praia e o Conjunto Eduardo Rita, região das antigas olarias e primeira rodagem de saída para Olho d’Água das Flores. Esta é uma reivindicação antiga que vai desafogar o trânsito de Santana. Quem vier de olho d’Água das Flores, São José da Tapera, Piranhas, Carneiros e toda área ao sul da cidade, cortará caminho pela citada ponte, se for em direção a Maceió. Chegando à Rua de São Pedro, pegará o asfalto que corta antiga estrada de carro de boi, até as imediações da UNEAL, sem passar pelo centro.

A segunda ponte vai desde a Praça Senador Enéas, em pleno Comércio até o Bairro Domingos Acácio, desafogando também o trânsito pelo “Corredor do Aperto” e a antiga Ponte General Batista Tubino, no Centro.

A terceira ponte a ser inaugurada liga o Bairro São José ao Bairro Floresta, passando pela Escola Helena Braga. Esta encurtará a distância em 4 km de quem vem pelo oeste: Canapi, Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Branco, Delmiro, Inhapi e mais, em procura do Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo. O trânsito pela Avenida Castelo Branco, também evitará engarrafamento no Centro da cidade, além de encurtar a distância acima.

Além da grande festa pela inauguração das três pontes, Santana do Ipanema acaba de receber faculdade de Medicina. Os empreendimentos citados vai permitir maior expansão da urbe com muito mais segurança e desenvolvimento. Além de ter sido dado passos importantes na infraestrutura, o curso de Medicina consolidará Santana do Ipanema como um grande polo acadêmico do Nordeste.

Em seguida, o texto falava da euforia dos santanenses, rasgava elogios aos políticos e dava a programação completa.

QUANDO ACABEI A LEITURA DO SITE, ACORDEI. HAVIA SIDO UM SONHO TÃO REAL QUE FIQUEI ENCABULADO EM TER QUE REGREDIR À TRISTE REALIDADE.

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de janeiro de 2018

Crônica 1.822 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

O URSO PRETO DE SANTANA

Bloco do Urso Preto em Vitória de Santo Antão (Foto: Blog do Pilako. Acervo do IHG)

Os carnavais mais remotos de Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, foram registrados pelo escritor santanense Oscar Silva no livro Fruta de Palma. Nomes de blocos, masculinos e femininos, cânticos e ações, surgem maravilhosamente narrados. Temos que tenham acontecidos na década de 1920. Mas o bloco carnavalesco mais antigo da minha lembrança é o bloco do urso preto. Um homem vestido de urso acorrentado e seu domador. Conjunto regional tocando (sanfona, pandeiro, zabumba) e grupo não muito grande de foliões bebendo e cantando atrás:

E como foi

E como é

O urso preto

Vem da barca de Noé…

O urso preto (Ursus americanus) é encontrado desde o Alasca ao Norte do México, alcança 2.20 m de comprimento e 1.10 m de altura com um peso até 360 kg. Mas por que foram buscar o animal da América do Norte para os nossos carnavais? Não sei. E lá vai a turma complementando a segunda estrofe:

Todo mundo já dizia

Q’uesse urso não saía

Esse urso anda na rua

Com prazer e alegria…

E repetiam infinitamente os primeiros versos.

O urso do Norte come frutos, nozes, gramíneas, raízes, seiva de árvores, peixes e pequenos mamíferos. Mas o de Santana comia ou come tira-gosto em casa de pessoas influentes e cachaça, muita cachaça. O mais famoso domador foi o dono de farmácia, Cariolando Amaral, chamado Seu Caroula), homem seríssimo com sua gravata borboleta, mas nos carnavais… O “urso” em destaque era o marginal Zé Nogueira. Existe até uma peça engraçada entre o urso, seu domador e uma dor de barriga no animal. Não foi do meu alcance a participação nos carnavais com o coronel Lucena. Depois veio o outro domador, Chico Paes com o urso seu sobrinho, mecânico Josinho, em que existe passagem mais engraçada ainda quando foliões tentaram estuprar o urso.

Depois que os carnavais sertanejos levaram um tombo, nem sei se o urso preto conseguiu sobreviver à dor de barriga e a tentativa de estupro.

Ah! Meu Sertão, meu sertãozinho!

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de janeiro de 2018

Crônica 1.821 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

AINDA O RIO IPANEMA

RIO IPANEMA E A ETERNA FESTA DOS URUBUS (Foto: Sergio Campos / Alagoas na Net / Arquivo)

Não custa nada repetir trecho de crônica do ano velho. O cidadão chamado Toinho, morador da Rua Professor Enéas, era exímio pescador de mandim a anzol. Eu diria mesmo que ele era absoluto. Descia para o Poço dos Homens, no rio Ipanema e, indiferente aos banhistas ou a outros pescadores de anzol e tarrafa, acomodava-se nas pedras do “estreitinho” (o poço era dividido em Estreitinho e Largo) onde iniciava sua tarefa.

Mandim era um peixe difícil de ser fisgado a anzol, mas Toinho era especialista, atesta meu tempo de rapazote. Discretamente fazia o prato do dia, não se demorava e saía para casa. Toinho era baterista na época dos grandes bailes de Santana do Ipanema, no Tênis Clube Santanense e no clube AABB – Associação Atlética Banco do Brasil. Como o tempo muda, Toinho passou a ser consertador de máquinas simples e fogão quando passou a ser conhecido como: Toinho das Máquinas.

Pois bem, em rio com trecho urbano infernalmente poluído, mais de trinta famílias vivia (talvez ainda vivam) da pesca miúda, matadora de fome da pobreza. Foi Toinho quem descobriu que os peixes pescados por ele, estavam doentes de câncer ou coisa parecida. E indicava protuberâncias feias formadas no lombo desses animais.

Abandonou de vez a pesca no rio Ipanema. Porém, todos os dias você vê pessoas pescando nos poços imundos, de anzol, de tarrafa, pequenas redes e manualmente futucando as locas. É a parte invisível do rio que as autoridades teimam em não vê.

Como despoluir o rio Ipanema? São duas as alternativas. A CASAL, responsável pelo saneamento tem obrigação de concluir os serviços de coletas de esgotos. Segunda, a prefeitura tem que fazer um projeto fazendo um levantamento de casas sem fossas em Santana. Todos os dejetos de casas sem fossas descem diretamente para o rio Ipanema ou através dos riachos Camoxinga e Salgadinho.

Depois ela própria ajudar na construção de banheiros minimamente decentes. Em seguida monitorar todos os bairros, inclusive o Comércio, grande poluidor de lixo doméstico e até industrial. Somente depois de tudo isso, usar sua estrutura para limpar às margens do Panema, da Barragem à Rua da Praia. Verba federal não falta, faça e apresente o projeto.

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2017

Crônica 1.820 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

O RIO DOS ANALFAS

Ponte da barragem em uma das suas cheias (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

A poluição do rio Ipanema pela margem esquerda tem início na primeira rua que desce até ele, vinda do Lajeiro Grande, passando pela antiga fazenda de Isaías Rego até o Poço Grande.  A descida dos esgotos é perene. Depois inicia pelas casas que ficam defrontes ao Matadouro e vai até a Rua da Praia.

Além disso, o Ipanema recebe todo o lixo caseiro e esgotos a partir da ponte do Colégio Estadual, onde dezenas e dezenas de casas, despejam seus dejetos diretamente no riacho Camoxinga, que desaguam no rio Ipanema. A margem direita precisa ser estudada, mas existem várias pocilgas tanto na margem esquerda quanto na margem direita, despejando no Ipanema, algumas delas usando longas encanações.

Várias casas comerciais descartam o lixo diretamente no rio Ipanema, na calada da noite. É uma vergonha o que acontece no trecho urbano do rio completamente indefeso. Não se vê um só representante do povo gritar pelo rio Ipanema, nem no Legislativo e nem no Executivo.

A sociedade organizada cruza os braços e bate as mãos como se o problema não fosse da sua competência. Em pleno comércio, as casas da Ponte Padre Bulhões, despejam suas latrinas para o rio. Nem IMA, nem IBAMA, nem AGRIPA, nem CASAL, nem Câmara e nem Prefeitura chegam juntos para resolver definitivamente o problema que estar encravado em pleno centro da cidade.

Cerca de três quilômetros de rio daria uma orla humanizada cheias de atrações e comércio relativos ao lazer, com novos empregos, novas paisagens e atrações tanto diurnas quanto noturnas. O leito do rio Ipanema limpo, poderia se tornar a grande área de divertimentos para os diversos bairros que o cercam com vários campos de futebol, como foi no passado. Mas a apatia das autoridades e a dormideira social tornam o projeto de grande futuro sem futuro algum, porque os olhares são curtos, não passam da proeminência do bucho e morre no umbigo.

Talvez muitos tenham razão em dizer que continuamos sendo um município que anda a reboque e pegue a venda da ignorância dos nossos contínuos dirigentes para colocá-las também na cara dos futuristas.

Amanhã mostraremos a solução.

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de janeiro de 2018

Crônica 1819 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

MALABARISMO NA SERRA

Serra da Camonga em Santana do Ipanema (Foto: Divulgação)

Para quem estuda o relevo serrano do Sertão ou simplesmente gosta de mirar os montes, suas formas, suas altitudes, suas imponências, temos muito que apresentar no semiárido: Serra da Onça (ponto culminante de Alagoas), serra do Parafuso, Porteiras, Jurema, Lagoa de Santa Cruz, Sabonete, Caiçara, Poço, Tapera, Xitroá, Gavião, Camonga, Gugi, Macacos, Remetedeira, Brecha, Cavalos, Lagoa e dezenas de outras, cujos cimos pagam uma boa semana de férias.

Na serra do Parafuso estuda-se a instalação de usina eólica para aproveitamento dos ventos do lugar. Serra da Jurema foi onde nasceu o cangaceiro Corisco. Lagoa da Santa Cruz e Sabonete, contam aventuras de Lampião. Serra da Remetedeira foi onde nasceu o cangaceiro Gato Bravo. E a serra da Camonga, em Santana do Ipanema volta a ocupar a mídia.

Localizada a cerca de 2 km de Santana, a serra da Camonga possui lombo comprido que finaliza com uma ampla cabeça rochosa e que olha do alto para a cidade. Esse paredão rochoso que forma o precipício parece mulher sentada no trono de granito que faz lembrar as histórias de reinos encantados. Foi por isso que lhe coloquei o apelido de “A Baronesa”.

Ultimamente a serra foi descoberta para a prática do montanhismo, ou seja, a caminhada no cimo e a escalada na cabeça. Contam os mais velhos que um vaqueiro perseguindo uma rês, caiu naquele penhasco. Uma cruz foi fincada em cima e o trecho ficou mal-assombrado até hoje.

Tínhamos uma fazenda nas faldas da serra, lado direito. A família Brandão, possuía fazenda ou chácara no topo. O saudoso professor Ernande Brandão, levava colegas para visitas ao cimo e, entusiasmado, falava das fruteiras e belezas do lugar.

Lá de cima avista-se boa parte do Sertão com destaque para o açude do Bode, pertinho da cidade e formado pelo riacho do mesmo nome, cujas nascentes estão no Maciço de Santana do Ipanema, da qual faz parte a citada serra.

Desejamos sucesso ao grupo de rapazes que praticam o esporte de montanhas. Com as reportagens feitas, também a cidade é divulgada, muito embora com nariz virado para o lado oposto ao turismo.

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de janeiro de 2018

Crônica 1.818 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

REGISTRE A PATENTE

A discussão sobre o caso foi interrompida em junho no STF (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Estão completamente defasadas as formas de governar dos prefeitos brasileiros, em maioria. A ambição desmedida (vejam os jornais) perpetua o reinado dos coronéis que se preocupam apenas em abastecer os seus próprios paióis. Não fazem absolutamente nada pelo futuro dos seus municípios e, quando muito, calça uma rua, um beco e logo corre a colocar o nome da rua de um parente.

Muitos não querem mais educar os filhos para as profissões diversas do mercado, mas apenas para o dinheiro fácil que é a política. E na falta de filho, coloca a filha, na falta de filhos e filhas, coloca a empregada, a rapariga, a peste, contanto que a minação do dinheiro público mine no seu desgraçado bolso. Ainda bem que alguns se salvam etransformam o seu município em grande competidor do porvir.

A eterna ambição de cada qual deixa o município em situação caótica na Saúde, na Educação, na limpeza urbana, na falta de planejamento. Ruas e mais ruas que mais parecem latrinas com esgotos a céu aberto. O mato toma conta do calçamento que não presta nem para cavalo.

Não se encontra uma lixeira nas ruas, faltam placas de sinalização, poda de árvores e pinturas, novos lugares de escoamento do trânsito e tantas outras coisas que desanima qualquer filho da terra. Quando se diz que o povo não sabe votar é apenas meia verdade. O rico honesto não quer ser candidato. O pobre honesto não pode se candidatar porque bandidos não deixam. O mais ou menos chega lá e se corrompe, vai carregar o andor do padroeiro, naturalmente pensando que o santo compactua com sua desgraçada atitude.

Quando o eleitor olha para um lado e para o outro, não encontra candidato do seu agrado e se ver garroteado para votar em um dos viciados que ele mesmo conhece muito bem. E esse ciclo do mal vai se perpetuando até não se sabe quando, pois se acusa, se prende e se solta no outro dia. E depois de tal tornozeleira que o diabo inventou, só fica na prisão o ladrão de bodega, o assaltante de beco, o larápio de galinhas.

Mesmo que viesse uma nova ditadura militar, seria para cometer os mesmos erros, muito embora espanasse ratazanas para todos os lugares. Mas quando voltassem à condição civil, novos ratos entrariam na competição pelo queijo fácil do erário público, pelos séculos e séculos sem fim.

Quem tiver como salvar o Brasil dos políticos ladrões, registre a patente.

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de janeiro de 2018

Crônica 1.816 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

BOM JESUS EM PÃO DE AÇÚCAR

Foto: IBGE Cidades

 

Segundo divulgação, a festa tradicional de Bom Jesus dos Navegantes que acontece praticamente em todos os municípios do baixo são Francisco, terá nova edição em Pão de Açúcar. Os festejos estão previstos entre 10 e 14 com várias atrações como sempre acontece.

As apresentações serão culturais, religiosas e espetáculos com bandas conhecidas. Haverá carreata, banda de pífanos, fogos de artifícios, coco de roda, chegança, dança das peneiras, corrida de jegue, quebra pote, corrida de saco, corrida de canoas, procissão fluvial e missa de encerramento. Estas são apenas algumas das inúmeras atrações da festa.

Faz bastante tempo que estive por ali contemplando pela primeira vez a Festa de Bom Jesus dos Navegantes. Estava acompanhado do amigo de Santana, negão Zé Lima, de saudosa memória, quando fomos apreciar do alto do Cristo Redentor a procissão fluvial. Um verdadeiro colírio para qualquer pessoa a paisagem deslumbrante do rio São Francisco.

As embarcações conduzindo a imagem do Bom Jesus complementava o cenário espetacular. Mas enquanto eu me deleitava com o cenário sertanejo, meu amigo parecia distante da realidade e delirava acordado, lembrando e falando constantemente sobre os belíssimos olhos de Zilma, segundo ele. Estava apaixonado até a alma pela moça de Santana, cujos olhos verdes não lhes deixavam em paz um só momento.

Mas subindo o morro do Cristo ou não, a Festa do Bom Jesus dos Navegantes, em Pão de Açúcar, não fica esquecida facilmente. E para o visitante que chega sem muitos compromissos, pode ficar após a festa por alguns dias para descobrir tantas coisas passeando por ruas, avenidas, rio e trilhas inesquecíveis. A cidade é plana e agradável com muitas histórias em cada esquina.

Antiga Jaciobá (espelho da lua), terra de músicos e intelectuais, inicia-se com o pão de açúcar, morro parecido com forma de fazer açúcar. Querendo chegar ao rio, pode ser através de Santana do Ipanema, passando por Olho d’Água das Flores e Palestina, por uma paisagem cem por cento sertaneja e encantadora.

Bom Jesus dos Navegantes lhe aguarda.

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de janeiro de 2018

Crônica 1816 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

NOS TEMPOS DOS ARMAZÉNS

Carro de boi na procissão de Senhora Sant’Ana (Foto: Jean Souza / Alagoas na Net)

Vendo um carro de boi, no trajeto Palmeira dos Índios – Santana do Ipanema vem à lembrança dos tempos em que o Sertão fervilhava desse tipo de transporte. Eram eles os distribuidores de mercadorias campo/cidade e vice-versa. Na cidade de Santana, o ponto dos carreiros era o Largo do Juá, no leito seco do rio Ipanema.

Ali se aglomeravam centenas de carros de boi que ficavam aguardando as compras das feiras dos sábados e dos armazéns. Os bois na espera eram alimentados pela palma forrageira trazida nos próprios carros. Chegavam cedo. Os carreiros andavam pela feira com o currião, o facão e, na maior com chapéu de couro.

Muitas mercadorias eram compradas em armazéns de secos e molhados. Lembro-me do armazém do senhor Marinho Rodrigues, talvez o mais sortido de todos que vendia desde a ximbra de menino brincar até o arame farpado, passando pelo charque, bacalhau, querosene, munição, bolachas, sal, açúcar e tantas outras coisas que fica até difícil enumerar.

Seu Marinho negociava no chamado “prédio do meio da rua”, tendo defronte a Casa Ideal, sapataria de luxo do senhor Marinheiro. No balcão, Seu Marinho contava com a esposa Dona Prazerinha e o cunhado Reguinho, ele mesmo e mais alguns empregados. Reguinho também possuía a habilidade de trançar palhinhas em cadeira, moda da época.

Seu Marinho havia vindo da zona rural, devido a uma visita de cangaceiros à sua casa. Na ocasião houve fuga e tentativa, tensão, saque e desentendimento entre os cangaceiros Craúna e Cajueiro até a chegada do chefe, Lampião. Dessa família saiu o primeiro médico filho do município, Dr, Clodolfo Rodrigues de Melo também pioneiro em clinicar na cidade.

Clodolfo hoje tem seu nome reconhecido no Hospital de Santana do Ipanema. O progresso foi aos poucos entregando os serviços do carro de boi ao caminhão. A partir da gestão do prefeito Ulisses Silva que substituiu o calçamento bruto da cidade por paralelepípedos, carro de boi foi proibido de entrar na urbe. Por outro lado os armazéns foram substituídos por mercearias e, posteriormente, mercadões e outros palavreados.

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de janeiro de 2018

Crônica 1.815 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

REIS MAGOS FAZEM A FESTA

Ilustração (Foto: Reprodução / Pixabay / OpenClipart-Vectors)

No Médio Sertão Alagoano, uma cidade conserva a tradição de homenagear os três Reis Magos, aqueles que vieram do Oriente para louvar e presentear o Menino Jesus. Eles foram citados apenas no Evangelho segundo Mateus.

Mesmo sem comprovações do número exato de reis magos, suas verdadeiras atividades e seus nomes, a tradição dá como três e que teriam sido Belchior, Baltasar e Gaspar com os presentes ouro, incenso e mirra. É muito interessante o relato bíblico que deixa um grande espaço para eternas pesquisas sobre o acontecimento. Mas independente das exatidões do fato, a Cristandade não esquece a visita feita por aqueles estrangeiros ao menino recém-nascido.

É assim que o município de Poço das Trincheiras, emancipado de Santana do Ipanema em 1958 e tendo como padroeiro São Sebastião, comemora a visita dos Reis Magos. A cidade se agita com os pocenses recebendo milhares de visitas do Sertão de Alagoas e de Pernambuco, durante dois dias de intenso e lendário festejo.

Para 2018, a chamada Festa de Santos Reis, já foi divulgada através das redes sociais e que será realizada nos dias seis e sete de janeiro.

Segundo o que se sabe, no dia seis, a parte profana terá início às doze horas com encontro de paredões no Campo Esportivo São Jorge. E as vinte e duas horas, haverá baile no Ginásio de Esportes com as bandas Nostalgia e Mistura Hits. No dia sete, às 12 horas, haverá Gincana Moto Ciclística na Praça Padre Cícero. Às vinte e uma horas, show de Avine Vinny, Israel Novaes e Luan Estilizado. Não conseguimos a programação religiosa.

Está aí, portanto, mais um motivo para uma visita ao Sertão, com o embalo do município de Poço das Trincheiras. A sede do Poço fica bem perto de Santana do Ipanema, e tem acesso asfáltico até a BR-316. O lugar com pouco mais de 13.000 habitantes, possui um núcleo limpo, alegre e ensolarado. A cidade é plana assim como a maior parte do município, mas resguardada a leste pela imponente serra do Poço com 500 metros de altitude e outras que compõem o relevo e a beleza sertaneja.

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de janeiro de 2018

Crônica 1814 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano