PROCURANDO SOLUÇÕES

VIDA E MORTE DE UMA LAVANDERIA (FOTO: B. CHAGAS)

Embora não seja nossa atribuição apontar as mazelas da terra, surgem determinadas coisas que pedem encarecidamente uma força para solução de problemas. Mesmo com o número de vereadores aumentado de nove para onze, tem alguma coisa errada com os fiscais do povo.

Nada fomos investigar, pois como dissemos acima, não é da nossa alçada, embora qualquer cidadão possa apontar e reivindicar sobre o lugar em que mora. Mas quando o absurdo é grande demais, não se pode fazer outra coisa a não ser berrar em favor dos humildes contra os ouvidos moucos. É preciso um olhar mais aceso das autoridades para a população carente que é filha do mesmo pai que criou o mundo.

Passamos pelo chafariz construído para lavanderia do povo mais pobre, no Bairro São José. Construção ainda feita pelo, então, prefeito Nenoí Pinto e que muito serviu à população carente. Encontramos a outrora lavanderia abandonada em estado lastimável, praticamente em ruínas e servindo de estábulo.

Um fedor insuportável no seu interior, deterioração generalizada, inclusive telhado/peneira. São, entre dez e doze boxes divididos em duas alas, cujos azulejos estão praticamente irrecuperáveis. Não existe vigia do bem público e os aproveitadores estão perto da demolição completa do prédio. A reclamação com o descaso é motivo de revolta surda do povo que utilizava a lavandaria quando decente e conservada.

O chafariz dentro do lixo e do abandono ainda funciona, quando várias pessoas para o local se dirigem em busca de água doce. Entre os onze vereadores santanenses, três são do próprio Bairro São José e moram em torno da citada lavanderia em raio de menos de duzentos metros.

Como simples cidadão também do bairro, estamos apelando para as autoridades assim como alguns moradores que não sabem mais o que fazer. Será que é preciso reportagem da televisão? A lavanderia está implantada por trás de escola municipal servindo de péssimo exemplo público que vem se arrastando por algumas gestões.

Quanta falta de sensibilidade!

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de janeiro de 2018

Crônica 1.833 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

ALBERTO AGRA E A PRAÇA DO TOCO

Praça Alberto Nepomuceno Agra, que ficou também conhecida como Praça do Toco em Santana (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Tive três bons professores de Geografia em minha vida, mas Alberto Nepomuceno Agra foi o maior deles e o responsável pelo meu amor à profissão. Intelectual, austero, professor, fazendeiro, dono de farmácia e ex-pracinha, Alberto não era de elogiar ninguém e economizava o riso.

Este cidadão foi ainda um dos pioneiros dos transportes coletivos Santana – Maceió, fundador de Companhia Telefônica na cidade, um dos fundadores e diretor do Ginásio Santana, da Rede Cenecista. Além disso, prestou inúmeros outros relevantes serviços à sociedade e sempre esteve presente em todos os grandes acontecimentos municipais.

Certa feita nos encontramos no Comércio e eu – todo acanhado diante daquela autoridade – fui surpreendido quando ele me disse: “Já corrigi as provas, coloquei a sua como uma das primeiras”. Quase não dormi à noite, ante aquela inusitada deferência.

Vários anos depois, já atuando como professor de Geografia em várias escolas de Santana, novo encontro.   E ele: “Não me chame Seu Alberto, e sim, Alberto”. Fiz ver ao mestre a minha admiração pelo seu trabalho na matéria geográfica e ele me respondeu com a maior naturalidade: “Você me superou”. Atônito, respondi apenas: “Que é isso, Alberto!…”.

Mas a afirmação de Nepomuceno foi como se eu tivesse escutado o espocar de mil foguetes no alcance do meu objetivo: Desde a adolescência que eu queria atingir um dia a intelectualidade dos três homens que eu considerava os mais inteligentes de Santana e ficar na mesma plataforma: Alberto Nepomuceno Agra, Aderval Tenório e Eraldo Bulhões.

O tempo passou e o meu Velho Mestre partiu deixando a Geografia em minhas mãos, em minha cabeça e no meu espírito.

XXX

As autoridades, criminosamente ignorando o valor histórico da única praça original de Santana do Ipanema, construída na década de 1940 para homenagear um deputado federal que muito ajudou a nossa cidade, Emílio de Maia, destruíram quase tudo na fúria de trator. Para serem agradáveis, retiraram o nome do primeiro benfeitor para colocarem o nome do meu mestre que se fosse vivo jamais teria consentido semelhante aberração.

Mais uma vez a ignorância venceu a racionalidade. Atualmente o santanense perdeu as duas homenagens: nem Emílio de Maia e nem Alberto Nepomuceno Agra. A Praça agora estar sendo chamada PRAÇA DO TOCO.

As autoridades atuais precisam corrigir a injustiça transferindo o nome de um dos maiores santanenses da nossa história, para um lugar decente que até poderia ser uma futura ponte sobre o Ipanema, a futura Praça de Eventos ou mesmo um futuro calçadão no centro da cidade, sem cometerem o mesmo erro.

PRAÇA DO TOCO! QUE AFRONTA A QUEM DEU TUDO POR SANTANA!

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de janeiro de 2018

Crônica 1.832 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

TEMA EM DÉCIMA

Ilustração (Foto: Rostam Medeiros)

Para a sensibilidade de Remi, Fábio Campos, Goretti Brandão, Kélvia, Lícia Maciel, Vasko, Mendes e Lúcia Azevedo.

Tema em décima:

Meu bioma é a caatinga

Da caça e do predador

 

Meu pai é mandacaru

Minha mãe é macambira

Meu doce é de jandaíra

Meu feijão é o andu

Meu vizinho é mulungu

Xiquexique é professor

Alastrado é meu senhor

Minha bebida é a pinga

Meu bioma é a caatinga

Da caça e do predador.

 

Sou primo do espinheiro

Não gosto de gerigonça

O meu cavalo é a onça

Creme dental juazeiro

Vaga-lume é candeeiro

Rasga-beiço meu credor

Pinhão roxo é meu doutor

Meu colchão é sacatinga

Meu bioma é a caatinga

Da caça e do predador.

 

Minha irmã é urtiga

O meu mano é cansanção

Meu chamado é o trovão

Minha comadre é formiga

Jararaca minha intriga

Meu jumento é inspetor

Maribondo o vingador

Quando espanto ele se vinga

Meu bioma é a caatinga

Da caça e do predador

 

Barriguda é meu ciúme

Meu comandante o facheiro

O guará meu companheiro

Bom angico meu curtume

A jurema meu perfume

Furão meu farejador

Coleira meu cantador

Mosquito agulha e seringa

Meu bioma é a caatinga

Da caça e do predador

 

Grossas como baraúna

Da morena são as coxas

Por flores brancas e roxas

Sabiá faz a tribuna

Minha aroeira é coluna

Meu instinto é pegador

Meu cachorro é caçador

E a minha reza é mandinga

Meu bioma é a caatinga

Da caça e do predador

 

Meu escudo é o gibão

Gitirana é minha Juba

Minha sombra é timbaúba

Imbuá meu anelão

Cascavel meu Lampião

Papagaio é locutor

Meu canário é o cantor

O meu estilo é coringa

Meu bioma é a caatinga

Da caça e do predador

 

(FIM)

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de janeiro de 2018

Crônica” 1.831 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

OS SANTANENSES NÃO SABEM: HÁ 107 ANOS

Foto: Divulgação

O coronel Delmiro Gouveia construiu por conta própria 520 km de estradas, trechos em Alagoas e Pernambuco. De Pedra a Quebrangulo, passando por Santana do Ipanema e Palmeira dos Índios tinha ramal Bom Conselho – Garanhuns e mais outras em Alagoas.

Em Santana do Ipanema ela passava pela Rua da Poeira, Comércio, Antônio Tavares, Rua de São Pedro e Bebedouro/Maniçoba. As estradas começaram em 1911 e, no primeiro semestre de 1912, Delmiro chegava a Santana com seus automóveis. (O primeiro automóvel de Alagoas foi o do coronel).

O encontro de Delmiro com o coronel Manoel Rodrigues da Rocha, foi considerado o “Encontro do Século”. A feira do sábado acabou-se nesse dia com tanto matuto correndo com medo do automóvel e outros querendo conhecê-lo e até “matá-lo”, dizendo que era a besta-fera. Os carros da comitiva eram: um “Fiat”, um “Austim” maior, um “Austim” menor e mais um N.A.G. imenso.

Em 1915, fins de julho, o ministro da Agricultura Dr. José Bezerra e o governador de Alagoas, João Batista Acióli (daí o nome da antiga escola Batista Acióli, o “Bacurau”, da Rua São Pedro, em homenagem ao governador) vieram de Quebrangulo para uma visita à cachoeira. Passaram pela Pedra com três automóveis.

Em meados de 1916, na qualidade de governador de Pernambuco, Manoel Borba veio em comitiva com Delmiro Gouveia e o próprio coronel Manoel Rodrigues da Rocha para a Pedra e jantaram em Santana do Ipanema no sobradão do coronel, no dia 22 de agosto.

Essa é apenas uma fração da história do Sertão alagoano que teve repercussão e influência Nacional. Mas, as nossas escolas não ensinam a História de Santana do Ipanema, produzindo gerações e gerações de ignorantes sobre a própria terra em que nasceram.

Quantas e quantas vergonhas os nossos jovens passam por não saberem nada ABSOLUTAMENTE nada do nosso passado. AUTORIDADES! FAÇAM ALGUMA COISA antes que seja tarde demais. Capacitar professores sobre a história de Santana é uma necessidade. Cidade sem história é lixo.

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de janeiro de 2018

Crônica 1.830 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

JÂNIO, LOT E OS JUMENTOS DE MARCIONÍLIO

Foto: tribunamoxoto.com

Lembro-me bem quando era adolescente. O nosso empregado Marcionílio indagou a meu pai, quem eram os candidatos à presidência da república. E o meu pai – que havia colecionado fascículos sobre Jânio e mandara encaderná-los em capa dura – respondeu normalmente, querendo, porém, conquistar alguns votos para o homem: “São dois candidatos, Marcionílio, Jânio Quadros e o marechal Lot”.

O empregado analfabeto rejeitou o segundo nome na hora: “Lote? Lote que eu conheço, Seu Manezinho, é lote de jumentos!”. O resultado é que o lote de jumentos de Marcionílio perdeu. Como intelectual e prometendo limpar o Brasil dos ladrões, cujo símbolo de campanha era uma vassoura, o Jânio vitorioso decepcionou.

Podemos transportar a problemática para o século XXI, principalmente sobre eleições municipais. Desde o candidato desconhecido dos difíceis tempos das comunicações até agora, com ajuda do rádio, televisão e as redes sociais, o nó das más intenções continua o mesmo. Culpa-se o analfabeto que vota em troca de alguns “peixes”, mas o letrado também vira bajulador em troca de um carguinho qualquer.

Quando não acontece a indicação é porque o prazer sexual de bajular está mesmo na cara sem-vergonha. Quem sofre de fato com tudo isso, são os membros da sociedade (analfabetos ou não) dignos, conscientes, carimbados pela própria Natureza sobre o verdadeiro papel que se deve exercer como minúsculo e decente cidadão da Terra e da Pátria.

Nem só a honestidade faz um bom prefeito. É preciso ser um ótimo administrador. Dizia o meu velho que “o excelente administrador é como cavalo bom, mora longe um do outro”. O sem estudo no cargo de gestor quase sempre é um palerma. O letrado é míope das letras, só enxerga as cifras negras. Se o fraco não faz, o forte não quer fazer.

E as cidades brasileiras, principalmente as do interior vão acumulando mazelas sobre mazelas, inferno da populaça e paraíso dos modernos coronéis. Assim o Brasil vai afundando cada vez mais onde existem muitas ratoeiras, porém, poucas são robustas bastantes para segurar os ratos.

Continuamos vendados. Sem quiromancia, sem cartomancia, sem esperanças, guerreamos ladeados por lotes e Minervas.

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de janeiro de 2018

Crônica 1.829 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

BR-316: FINALMENTE A CONSOLIDAÇÃO

 

Foto: Alberto Rui / Assessoria

Finalmente o Alto Sertão entra numa festa esperada durante mais de 40 anos. Demagogias sucessivas e vitórias para muitos mentirosos povoaram as cabeças da população sertaneja de alma simples e muita crença. Mas o próprio homem do semiárido sempre afirmou diante das dificuldades que “tudo tem o seu dia”.

E foi montado no ditado popular dos mais velhos que a rodovia BR-316 sacudiu, literalmente, a poeira e os catabios dessa eternidade de 40 anos. Assim a BR-316 desenterra a cabeça de burro fincada entre o entroncamento do povoado Carié (Alagoas) e a cidade de Inajá (Pernambuco) com cerca de 47 quilômetros de sofrimentos.

Chamada por nós de “Estrada de Lampião”, por ser a escolhida pelo bandido para entrar em Alagoas vindo do estado vizinho, era margeada de bela e exuberante vegetação de caatinga.

Retomada às obras após recesso de fim de ano, apenas 03 quilômetros faltam para o término da obra que terá sete pontes com acostamentos e passeios de pedestres. É bom saber que os danos ao meio ambiente também estão sendo acompanhados para proteger o bioma tão massacrado durante décadas quando muitas espécies vegetais e animais desapareceram.

A BR-316 em Alagoas, é uma longa rodovia federal que corta o estado no sentido Leste-Oeste, desde Maceió até a ponte sobre o rio Moxotó que separa os dois estados e deságua no São Francisco. O extremo oeste-norte de Alagoas é bastante seco tendo até fatia com clima desértico. Para quem quer conhecer uma beleza agreste diferente, é bastante trafegar pela BR-316 com espírito aventureiro e desbravador.

Além do escoamento da produção sertaneja, facilidade em alcançar os maiores centros e comunicações diárias com as demais cidades, a BR irá ajudar também os grandes eventos religiosos ou não há muito consolidados que motivam ampla mobilidade populacional.

Como o turismo está em alta, o Sertão tem muito a oferecer como os cânions do São Francisco, histórias de cangaceiros, artes e arquiteturas sacras, festas de padroeiros e acontecimentos diversos ligados à Economia de cada município.

A conclusão da BR-316 é uma vitória alagoana sem par. E se tudo tem o seu dia, teve o dia também da “Estrada de Lampião”.

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de janeiro de 2018

Crônica 1.828 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

PESQUISANDO COM O PADRE JACIEL

PADRE JACIEL E ESCRITOR CLERISVALDO B. CHAGAS (FOTO: B. CHAGAS)

Como complemento do livro ainda inédito: “O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema”, resolvemos pesquisar junto à Paróquia de Senhora Santa Ana. Apesar de inúmeras informações sobre o mundo católico local, registradas no livro acima, fomos despertados para as origens e tudo o mais sobre os sinos e o relógio da Matriz.

Assim marcamos um encontro com o padre Jaciel Soares Maciel, titular da Paróquia e procedente do sítio Olho d’Água do Amaro. Com a urbanidade do pároco, fomos para o único livro Tombo que escapou do desaparecimento, mas, infelizmente nada encontramos sobre os sinos e o relógio. Fica assim a História de Santana, devendo essa lacuna particular, específica e de grande significado para a nossa população.

Com a grande e segunda reforma da Igreja Matriz de Senhora Santana no final da década de quarenta e início da próxima, o relógio da Matriz passou a ser indispensável ao comércio e a todos os bairros santanenses. Já o conjunto de sinos complementava a maravilhosa visão da magnífica torre de 35 metros de altura; principal cartão postal da cidade e frontal de igreja mais belo de Alagoas.

Com o tempo, o relógio foi perdendo as forças e o desgaste passou a não compensar mais a sua recuperação. Quanto aos sinos, teve o seu grande mestre Luís, apelidado “Major”, como o maior de todos os sineiros. Mas como tudo tem fim, foi embora o ciclo tão bonito, para o início de outro como acontece com as gerações das pessoas.

De qualquer maneira, ficamos honrados pela receptividade do padre Jaciel Soares Maciel, pessoa acolhedora e sábia cujo carisma tem conquistado o povo católico da Paróquia e o santanense em geral. Nossa conversa foi longa sobre a história da Igreja e de Santana, enriquecendo nosso bate-papo e aparando equívocos em favor de fatos verdadeiros.

Ganhei um mês inteiro no diálogo com o padre Maciel. Senti tristeza apenas quando me dei conta que a interlocução riquíssima poderia ter tido pelo menos100 pessoas interessadas em nossa História, presentes.

Quem sabe, outros encontros virão! Talvez muito mais proveitosos em benefício da nossa cultura e do nosso povo.

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de janeiro de 2018

Crônica 1.827 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

OS PROFETAS DAS CHUVAS

Foto: Paulo Sergio Júnior / Alagoas na Net

Meu pai dizia que “muita gente vê, mas não enxerga”. E para quem pensa que ambas as palavras querem dizer a mesma coisa, está completamente enganada. Em todos os sertões nordestinos sempre existiu e existem pessoas experientes que vivem da agropecuária. São pessoas especiais que aprenderam com os antepassados ou por conta própria a leitura do tempo com animais, plantas e os sinais dos céus.

Mas creio que esses observadores também estão distribuídos pelo Agreste, Zonas da Mata nordestina e mesmo na zona rural do Brasil inteiro. O Ceará foi o primeiro a valorizá-los, convocando-os anualmente em paralelo com a ciência para ouvi-los, comparar e planejar ações para a estação chuvosa. Ali essas pessoas foram apelidadas, “profetas das chuvas”.

Não sabemos se o termo “profeta das chuvas” é um elogio ou uma ironia, mas sempre tivemos por aqui no Sertão alagoano, pessoas formadas nos presságios. Muitas frases que vieram desses verdadeiros doutores da Natura persistem fortemente no semiárido.

O próprio Gonzaga dizia: “Mandacaru quando fulora na seca…”. Em nossa região: “Trovoada de janeiro tarda mais não falta”; “quando Ipanema bota cheia, leva um”; “o ano será bom se chover no dia de São José”; “se correr água no Ipanema no início do ano, o inverno será bom”; “quando o joão-de-barro fizer o sua casa com a entrada para o nascente, não haverá inverno”; “a migração de formigas dos aceiros para os lugares mais altos, indica chuvas”; “e se a rãzinha rapa-rapa, rapar no verão, chegarão às águas”; “se a rasga-mortalha passar costurando, é doença, mas se passar costurando e rasgando, morte na família”; “se um cão uiva a noite inteira, é morte, geralmente trágica”.

Dificilmente essas previsões deixam de acontecer, não podendo assim ser chamadas de superstições pelos que moram longe dessas terras, nas capitais e que não conhecem os mistérios, nem a inteligência dada por Deus aos seus filhos mais rudes dos sertões. Tenho minha própria experiência através da Zoomancia, técnica criada e usada por mim mesmo, como posso, então, duvidar dos “profetas das chuvas”?

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de janeiro de 2018

Crônica 1.826 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

MEDICINA ALAGOANA, UM PONTO NEGATIVO

Hospital Psiquiátrico José lopes. (Foto: Sandro Lima)

O encerramento das atividades, dezembro passado, do Hospital Psiquiátrico José Lopes, foi um golpe violento em toda a Medicina alagoana. Segundo a reportagem de Evallin Pimentel (Tribuna Independente de 10.01.2018), teria havido mais de cem demissões, onde estavam entre cinquenta e setenta pacientes.

Fala-se em falta de verbas do SUS, divergências entre sócios e mais que fizeram cerrar às portas do conceituado e tradicional lugar que adquiriu fama e respeito no Brasil inteiro. Sem entrar no mérito dos problemas e possíveis contendas, estamos lamentando apenas a supressão em nosso estado, do ponto de referência chave nesse complexo ramo da Medicina.

O Hospital Psiquiátrico José Lopes, além do prédio que faz parte do patrimônio histórico de Maceió, serviu por muitas e muitas décadas à população alagoana de pobres e ricos da capital e de todo o interior. Vários profissionais militantes do casarão do Bebedouro tornaram-se notórias figuras da Psiquiatria brasileira.

É muito triste saber que perderemos esses serviços de valores inestimáveis com um final problemático que nem o Hospital e nem a clientela merecem. O que pensarão os jovens que irão estagiar na área? Parece surgir no momento um divisor importante na história da Psiquiatria alagoana dos antes e depois do José Lopes. Como será, então, daqui para frente?

Não estamos falando de um hospital qualquer, mas de um ponto único, magnânimo, respeitadíssimo e que já serviu a milhares de famílias do nosso território. Talvez se entendêssemos mais de Medicina, tivéssemos escrito um ensaio ao invés de uma crônica. Mas o Hospital Psiquiátrico tem história rica, abençoada e crescente.

Deverá ser um acervo de narrativas e conhecimentos que supere em muito o imponente prédio que encanta pela beleza arquitetônica dos tempos de expansão da capital. Seja o que for que tenha acontecido, talvez seja a própria vez de reflexão profunda de donos e dirigentes para que uma luz firme e salvadora.

DEUS SALVE O REI.

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de janeiro de 2018

Crônica 1825 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

O ARROZ NOSSO DE CADA DIA

Imagem de produção de arroz (Foto: Ascom Seapa)

Teve início, semana passada, a safra 2017/2018 do arroz, no perímetro irrigado do baixo São Francisco. Estar valendo o teste das 200 toneladas de sementes distribuídas pelo governo estadual através da Secretaria da Agricultura, Pesca, e Aguicultura – SEAGRI – em 2017.

A colheita está acontecendo no município de Igreja Nova, capital do arroz em Alagoas. Como tudo deu favorável, aguarda-se uma produção que irá superar a média nacional de produção por hectare. A perspectiva é de uma colheita de 24 toneladas em uma área de três hectares. Esse é um projeto ligado ao rio Boacica.

Segundo se comenta a produção é atribuída à qualidade das sementes e da água da irrigação, além dos tratos culturais no perímetro irrigado dos rios Boacica e Itiúba. A média da produção nacional é de 6.100 quilos por hectare. A produção agrícola e a agropecuária são geridas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba – CODESVASF.

O arroz, constituído por sete espécies, é uma planta da família das gramíneas e alimenta mais da metade da população humana do mundo. É a terceira maior cultura cerealífera do globo, apenas ultrapassada pelas de milho e trigo, sendo rica em hidrato do carbono. Sua cultura necessita de água em abundância e se desenvolve bem, mesmo em terreno muito inclinado, o que não é o caso de Igreja Nova com suas longas várzeas marginais ao São Francisco.

O município acima pode não contar em roteiro turístico, mas é muito visitado pelos que procuram estudar e conhecer o perímetro irrigado dos rios Boacica e Itiúba, que se espraiam pelas terras baixas e planas. Também a vida selvagem e específica do lugar atraem pesquisadores para a área tão perto da foz do “Velho Chico”. Para quem deseja conhecer a região, pode-se chegar até ali através de Arapiraca e São Sebastião ou através de Coruripe, Penedo. 

Como a notícia da safra é muito boa, aguarda-se mais qualidade à mesa do alagoano e do Brasil. Não precisa ser chinês, para mergulhar num prato de arroz com bode assado.

Ê mundo “véi”, quanta coisa boa!

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de janeiro de 2018

Crônica 1.824 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano