A ONÇA SUÇUARANA
A imensidão da caatinga era habitada pela onça-pintada e a onça canguçu, também chamada onça-parda. O desmatamento contínuo, as secas e a caça predatória, saíram dizimando tudo fazendo desaparecer desde os animais maiores aos menores passarinhos das matas.
Todos os animais foram alvos de caçadores profissionais e amadores, moradores de fazendas e de qualquer um que vagasse pelas estradas arenosas e poeirentas. Portanto, quando os animais maiores como a onça, raposa, guará, tamanduá, veado, queixada e outros quadrúpedes, começaram a desaparecer, a onda a atingia os menores, aves e pássaros. Por ser mais valente e de pele mais entrando nas lendas regionais como a vilã.
Nem podemos dizer que a proteção à flora chegou tarde demais. O mundo continua rodando e as coisas vão acontecendo. Talvez seja do próprio mundo mesmo a evolução de umas coisas e o desaparecimento de outras, o lamento, o saudosismo, o desespero, a esperança.
Lembro-me dos últimos queixadas e veados que chegavam à Santana do Ipanema, quase escondidos, vindos de São José do Tapera e vendidos em nacos naquela feira. Mas vale salientar que o veado não era procurado somente pelo sabor da carne, mas também para a confecção de alpercatas e chapéus de couro de alta qualidade. No caso da onça-parda, encontrei advertência sobre ela, nas veredas da serra das Porteiras, quando da expedição sobre o “Ipanema um rio macho”.
A onça-parda “é um animal solitário e mais ativo à noite. Alimenta predominantemente de cervídeos, mas pode variar a dieta, sendo considerado um predador oportunista. A presença de outros carnívoros influencia diretamente a escolha das presas e ambientes de caça. As áreas de vida variam de 50 a 1000 km2, com machos sendo territoriais e possuindo grandes áreas se sobrepondo ao de várias fêmeas. As fêmeas possuem vários estros no ano, possuem uma gestação que dura entre 90 e 96 dias e geralmente nascem entre 3 e 4 filhotes, a cada 2 anos, aproximadamente”.
Essa é diferente da onça do cordelista que disse que na praia: “a moça levanta a perna/e a gente vê a caverna/ da onça suçuarana”.
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de março de 2018.
Crônica 1.863 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
22 mar
0 Comments