Sobre Clerisvaldo Chagas

Romancista, historiador, poeta, cronista. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.


OS CASARÕES DE SANTANA

6 outubro 2017


Foto: Acervo Darras Noya / Domínio Público

Houve um impacto entontecedor quando saiu à súbita notícia de iminente demolição dos grandes casarões de Santana do Ipanema. O chamado popularmente “prédio do meio da rua” e o “sobrado do meio rua”, estavam definitivamente na ideia fixa do, então, prefeito Ulisses Silva. Derrubá-los a cacete como se derruba um bode, estirá-los de cabeça para baixo e tirar o couro.

Assim a cidade se dividiu entre saudosistas e futuristas em comentários em todos os pontos bem frequentados da urbe. A surpresa do redemoinho foi tanta que nem deu tempo de muito remoer. Aconteceu como a demolição do primeiro cemitério da cidade, pela noite e na base do cacete, às escondidas para que não houvesse nenhuma polêmica. Pelo menos o espetáculo dos casarões foi às claras com a populaça boquiaberta e tonta.

Os dois casarões haviam sido construídos nos tempos de vila no centro do amplo quadro comercial. A impressão que se tem é que todos os quadrantes do comércio já estavam preenchidos com prédios de negócios e residências, tendo ficado o enorme vazio no meio. Foi, então, que alguém muito poderoso conseguiu o espaço público para a construção dos dois enormes casarões repartidos para fins comerciais.

O “prédio do meio da rua” abrigava farmácia, armazém de secos e molhados, lojas de tecidos, barbearia e outros ramos substituídos pelo tempo. O prefeito demolidor morava no único primeiro andar do prédio, um pequeno cômodo de esquina. O “sobrado do meio da rua” era muito mais elegante com cerca de três casas comerciais no térreo e um primeiro andar em salão único que ocupava toda a estrutura. Ali funcionaram os primeiros cinemas, teatros e o Tribunal do Júri, entre outras coisas.

Muito se poderia ainda dizer sobre os dois casarões, mas deixamos a cargo do “O Boi, a Bota e a Batina; História Completa de Santana do Ipanema”, inclusive, com o mapa de todas as casas comerciais de Santana, títulos de fachadas e proprietários: relíquia única para o santanense. Acompanhei a demolição e tenho detalhes no papel. Com a demolição do “prédio do meio da rua”, se foi o meu primeiro barbeiro, Nésio e sua máquina manual torturante.

Quem irá financiar O BOI, A BOTA E BATINA? O maior documentário jamais produzido no interior.

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de outubro de 2017

Crônica 1.753 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

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